Grandes cidades de SP têm desempenho pior na alfabetização de crianças
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São Paulo - O desempenho na alfabetização de crianças em São Paulo revela uma diferença entre o tamanho das redes de ensino e os resultados alcançados. Entre os 12 maiores municípios do Estado, apenas quatro alfabetizaram pelo menos 60% dos estudantes na idade certa em 2025.
Na outra ponta, entre os municípios paulistas que atingiram esse mesmo patamar, quase 70% têm até 20 mil habitantes e outros 24% possuem entre 20 mil e 100 mil moradores.
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Entre os municípios paulistas com mais de 450 mil habitantes, Jundiaí apresentou o melhor resultado em 2025 considerando a parcela dos estudantes alfabetizados:
- Jundiaí - 76%
- São José dos Campos - 68%
- São Bernardo do Campo - 65%
- Santo André - 60%
A capital paulista ilustra outro aspecto desse cenário. A rede municipal de São Paulo alcançou 53% de alfabetização em 2025 e superou a própria meta, de 51,06%. Apesar disso, o resultado ficou oito pontos porcentuais abaixo do conjunto das redes públicas do Estado, que chegou a 61%, e foi o menor entre as sete capitais analisadas no levantamento.
A meta do Plano Nacional de Educação é que, em até cinco anos, todos os municípios brasileiros tenham pelo menos 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental.
Os dados fazem parte de levantamento da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados polo Ribeirão Preto da USP, realizado a partir dos resultados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O objetivo do levantamento é permitir que as redes de ensino acompanhem sua trajetória, comparem seus resultados com municípios semelhantes e identifiquem desafios e potenciais de melhoria. O indicador é calculado com base nas avaliações aplicadas pelas redes estaduais no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
Projeções de dados da alfabetização
As projeções feitas pela Cátedra indicam que, caso seja mantido o ritmo médio de crescimento apresentado pelas maiores redes paulistas entre 2023 e 2025, apenas cinco delas conseguiriam chegar aos 80% no período previsto.
“Os dados estão indicando que as redes maiores parecem ter mais dificuldades para alfabetizar todas as crianças na idade certa. É preciso compreender os fatores que estão sendo mais desafiadores para esses municípios, como a transição da pré-escola para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, e implementar ações e programas condizentes com suas realidades”, afirma o pesquisador Carlos Eduardo Rodrigues dos Santos, responsável pelo estudo.
Municípios menores concentram melhores resultados
A distribuição dos municípios que já alcançaram pelo menos 60% de alfabetização mostra uma concentração entre as cidades de menor porte. Dos municípios paulistas que atingiram esse patamar, 299, ou quase 70%, têm até 20 mil habitantes. Outros 106, equivalentes a 24%, estão na faixa entre 20 mil e 100 mil habitantes.
O levantamento, porém, não estabelece uma relação de causa e efeito entre o tamanho do município e o desempenho na alfabetização. A ferramenta desenvolvida pela Cátedra permite justamente ampliar os recortes e observar diferentes trajetórias.
“Cada rede tem sua própria meta, levando em consideração sua própria trajetória, e boa parte dos municípios atingiu o indicador esperado, mas quando fazemos recortes na análise podemos perceber onde estão os maiores desafios e potenciais”, afirma Santos.
São Paulo fica na última posição entre capitais
O resultado de 53% obtido pela rede municipal de São Paulo em 2025 representa o cumprimento da meta estabelecida para a cidade. A taxa ficou 1,94 ponto porcentual acima dos 51,06% previstos para o ano. A participação dos estudantes na avaliação foi de 83,92%.
O desempenho, contudo, é inferior ao resultado agregado das redes públicas do Estado, de 61%. A diferença é de oito pontos porcentuais.
A comparação deve ser feita considerando que os indicadores têm abrangências diferentes. O dado de São Paulo corresponde à rede municipal da capital, enquanto o resultado estadual reúne as redes públicas de todos os municípios paulistas.
Quando comparada a outras seis capitais, porém, São Paulo também apresentou o menor porcentual:
- Curitiba: 74,0%
- Fortaleza: 73,0%
- Belo Horizonte: 70,0%
- Rio de Janeiro: 68,0%
- Brasília/Distrito Federal: 65,0%
- Manaus: 58,0%
- São Paulo: 53,0%
Estado fica abaixo do Brasil
No resultado agregado das redes públicas, o Estado de São Paulo registrou 61% de alfabetização em 2025, cinco pontos porcentuais abaixo dos 66% registrados pelo Brasil. O Estado também ficou 0,1 ponto porcentual abaixo de sua própria meta, de 61,1%. Já o resultado brasileiro superou a meta nacional de 63,77% em 2,23 pontos porcentuais.
A capital conseguiu superar a meta que havia estabelecido para si, mas permanece abaixo do Estado e das capitais consideradas na comparação. Já o conjunto das redes públicas paulistas ficou abaixo do resultado nacional e praticamente no limite da própria meta estadual.
“Os dados ainda são relativamente recentes, e por isso ainda foram pouco estudados. Nosso objetivo é apoiar as próprias redes a visualizar sua trajetória e identificar redes similares a eles, mas com um desempenho superior, com quem eles possam realizar trocas e aprendizado colaborativo", finaliza Santos.
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