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Aos 55, Seu Jorge fala de novo disco, maturidade e como é ser pai de novo

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Tudo novo de novo: Seu Jorge lança 'The Other Side" e é pai de novo, agora de Samba, de 3 anos - B+/Divulgação
Tudo novo de novo: Seu Jorge lança 'The Other Side" e é pai de novo, agora de Samba, de 3 anos
Por Adriana Del Ré

03/06/2026 | 10h19 ● Atualizado | 10h20

São Paulo - “The Other Side”, novo disco de Seu Jorge, levou 16 anos para ficar pronto. Um disco musical com a maturação de uma produção cinematográfica – dois universos que têm o mesmo peso profissional na vida do ator, cantor e compositor de 55 anos, nascido em Belford Roxo, no Rio.

Já disponível nas plataformas de streaming, com direito a lançamento mundial, o belo “The Other Side” é um álbum de música brasileira gravado em um estúdio em Los Angeles, nos EUA, que pertence a outro brasileiro, o produtor Mario Caldato Jr. Seu Jorge trabalha com Caldato desde seu disco de estreia, “Samba Esporte Fino”, de 2001, de onde saíram sucessos como “Carolina”.

No estúdio dele, consigo algumas textura que eu teria com mais precisão", diz Seu Jorge.

O músico se deu ao luxo – e tempo – de investigar uma sonoridade que o afasta de seus hits badalados e das “Músicas Para Churrasco”, e o aproxima de uma atmosfera sofisticada e cinematográfica, com arranjos orquestrais, realçando seus vínculos com a MPB, a bossa e o jazz.

Numa época em que os algoritmos, a rapidez e a impaciência regem o tempo da nossa escuta, Seu Jorge fez faixas de até sete minutos, como "Beleza Bárbara", como longa-metragens, com introdução, encaminhamento e sem finalizações abruptas. É um disco de intérprete, em que faz suas versões para canções de outros compositores, como "Vento de Maio", com participação de Maria Rita; "Quando Chego", com Marisa Monte; e "River Man", com Beck.

Pai de Flor, Maria e Luz Bella, que estão no faixa dos 20 anos, Seu Jorge experimentou a paternidade de novo recentemente, de um menino, Samba, hoje com 3 anos. O músico falou com exclusividade com o VIVA, em seu estúdio, em Tamboré, na Grande São Paulo. Veja os principais trechos da entrevista. 

“The Other Side” foi um projeto que levou 16 anos. Por qual motivo?

Seu Jorge usa camisa azul, chapéu e calça preta e está olhando para o lado
Seu Jorge mantém carreira de ator e de músico - B+/Divulgação

O começo de tudo foi em 2009, com a Samantha Caldato, esposa de Mario, me falando sobre a possibilidade de fazer um disco pensando só na música, investigar uma sonoridade. Ela disse que me via procurando fazer música para todo mundo gostar e queria me ver fazendo uma música minha, um outro lado meu, que não tivesse preocupação com prazo, com orçamento. Comecei, assim, a fazer esse trabalho. Quando a ideia do autor deixou de existir para ser um intérprete, as coisas ficaram mais fáceis.

A primeira música foi “Girl You Move Me”, que eu já tinha gravado com outra formação. Mas aí o Mario me pediu para fazer voz e violão, depois ele entregou para o Miguel Atwood-Ferguson, que fez os arranjos, e aí encontramos um caminho. Em 2013, eu decido ficar um ano lá.

Você morou lá por quantos anos?

Fiquei uns seis anos. Viajei por lá demais, fiz muitas temporadas nos EUA ao longo desses anos todos.

Morar lá envolvia uma questão profissional, mas pessoal também, não?

O pessoal surgiu bem depois, na verdade. Fui pela experiência de viver um ano, as meninas (Flor e Luz, de seu relacionamento com Mariana) eram pequenas. Eu achava que um ano era suficiente, mas percebi que não era. Elas entraram numa escola, se adaptaram muito rápido.

Com o idioma, com tudo?

Com três semanas, estava todo mundo falando inglês. Fiquei realmente com muita dó de tirar elas dali, porque não se tratava só de se adaptar a uma vida, mas construir uma vida ali mesmo: escola, amigos.

Aí outras oportunidades também apareceram na área de música. Foram muitos shows e eles fortaleceram muito minha relação com o público não só americano, com a crítica, com a mídia, mas com o brasileiro que lá vive.

Qual projeto é mais ousado: “The Other Side” ou as versões em português que você fez das músicas de David Bowie?

Seu Jorge está em estúdio olhando para baixo, com uma pessoa ao lado
Seu Jorge em estúdio: novo trabalho levou 16 anos para ser finalizado - Divulgação

O que tem mais ousadia é “The Other Side”, porque a música do Bowie, além de ser do Bowie e já nascer clássica, é uma ideia única e exclusiva do diretor Wes Anderson. Ele só queria fazer o filme ("A Vida Marinha com Steve Zissou"; as canções entraram na trilha). Fui contemplado duplamente: como ator e a gente estava com um trabalho que era a obra do Bowie, autorizada, para eu tocar em voz e violão. Nunca imaginei que o Was Anderson ia fazer um álbum e publicá-lo.

Recentemente, fiz outro filme dele, "Asteroid City". Aí estavam Scarlett Johansson, Tom Hanks, Edward Norton. Um mês morando na Espanha com esses caras. Scarlett chegou dois meses depois de ter tido um neném. Ela, o marido, a babá e o bebê. Isso ninguém viu, ninguém sabe, mas vi ela no trabalho quando todo mundo imagina que essa mulher tira um ano de férias. Lembro de ter tocado violão e o bebê ter dormido. A covid rolando, o hotel fechado. Era setembro de 2021. Só podia sair do hotel para o set.

São 55 anos de idade e 30 de carreira. Houve pontos de virada que fizeram você encarar a vida de formas diferentes?

Sempre que se dá uma oportunidade de fazer reflexões sobre si mesmo é um lugar onde você pode aprender alguma coisa para melhorar, para mudar. Não é diferente comigo. É lógico que, depois da pandemia e da perda de milhares de pessoas no mundo, a incerteza ficou para tudo... Graças a Deus, na minha família, não perdi ninguém. Tive até a sorte de a minha mãe, pessoa mais idosa da família, com 86 anos, não ter contraído a doença. Quase todo mundo acabou pegando. 

Percebi em mim uma necessidade muito grande de viver, de ser feliz, de projetar através do que eu faço um combate total ao desalento. Tudo o que fosse desalentador não podia ser.

Foi um momento de muita resiliência e muito reconhecimento do privilégio de estar vivo, de ter liberdade, estar com armas para lutar, com saúde, ter família, pessoas que você ama. Muito disso me acalmou quando essa consciência chegou, com relação à pressa que a vida impõe para a gente e estimula a gente a percorrer caminhos de aflitos, a ambicionar coisas que não são compatíveis com nossas características. Tive esse aprofundamento nesses 55 anos. Agora tive um filho.

Como é ser um pai agora de novo, com outra idade. Você teve as meninas com uns 30 anos?

Com 32 anos - e agora com 52. Para mim, está sendo maravilhoso, porque não tenho mais essa aflição, uma boa parte da coisa eu já percorri. A única diferença é que, desta vez, é um menino. Então, está sendo maravilhoso aprender as coisas com ele. O Samba é fabuloso, é uma alegria na vida da gente. E ele traz um gás, um apetite, uma vontade de estar on o tempo todo. Há 20 anos, 23 anos, era um outro momento, era um outro Jorge, era uma outra estrutura, era uma outra sabedoria.

A experiência de 20 anos faz muita diferença.

Muita coisa se aprimorou, e mudou também. Quando a Flor era pequena, a gente não se preocupava tanto com a exposição da imagem dos nossos filhos nas mídias sociais. Hoje é a primeira coisa com que a gente se preocupa, é a primeira coisa que a gente preserva. Teve muitas mudanças e tive de aprender a lidar com elas.

Ouça o álbum:

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