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Janis Joplin: exposição em SP é convite à imersão na vida da rainha do rock

Divulgação/Lucas Mello

Mais de 300 objetos de Janis Joplin que estão em exposição no MIS saíram pela primeira vez dos EUA - Divulgação/Lucas Mello
Mais de 300 objetos de Janis Joplin que estão em exposição no MIS saíram pela primeira vez dos EUA
Por Adriana Del Ré

24/04/2026 | 08h28

São Paulo - Um dos principais símbolos da contracultura e do movimento hippie da década de 1960, Janis Joplin é tema da exposição inédita "Janis", em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, e que ainda não tem data de encerramento definida. Por ora, os ingressos estão à venda até dia 31 de maio.

Com curadoria de André Sturm, que também é diretor geral do MIS, a mostra segue o modelo de outras exposições que já ocuparam as instalações do MIS.

Imersiva, "Janis" propõe uma viagem no tempo para os anos de psicodelia, desbunde comportamental, atos libertários e revolução musical na era do "faça amor, não faça guerra". A narrativa visual, musical e sensorial do projeto é fundamental para se alcançar essa ambientação.   

São mais de 300 itens da cantora e compositora norte-americana, como figurinos, adereços, manuscritos, entre outras peças originais, transportados para o Brasil diretamente de Los Angeles (EUA).

Pela primeira vez, esses 300 objetos saíram da casa onde estavam guardados. Portanto, é a primeira vez no mundo que esses objetos serão vistos em um museu, em uma exposição dedicada a Janis Joplin", afirma Sturm.

"Além desses objetos, fizemos uma pesquisa, e conseguimos fotografias e vídeos para complementar a exposição", completa ele.

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Segundo ele, o conceito que norteou "Janis" são características geralmente associadas à artista: intensidade e emoção. As cores quentes, vivas da exposição dão o tom dessa intensidade. 

Morte aos 27 anos

Janis Joplin cantando no palco durante festival na Califórnia
Janis Joplin no Northern California Folk-Rock Festival, San Jose, Califórnia, em maio de 1968 - Fantality Corp

O acervo, que enche olhos — e ouvidos —, traduz a curta vida dessa ícone do rock e do blues, que entrou para fatídico Clube dos 27, nome dado ao grupo de importantes artistas que morreram aos 27 anos.

Esse clube inclui também nomes contemporâneos de Janis, como Jimi Hendrix e Jim Morrison, além de Kurt Cobain, Amy Winehouse, entre outros. 

Nascida no Texas, em meio à 2ª Guerra, em 1943, Janis fez parte da primeira geração de jovens norte-americanos a ser fisgados pelo rock'n roll na década de 1950 e, consequentemente, a questionar padrões e regras.

Apesar da curta discografia, em que constam apenas quatro LPs, sendo dois na fase solo, a cantora arrebatou e ainda arrebata fãs com sua voz rouca e visceral, e sucessos como "Piece Of My Heart", "Cry Baby" e "Mercedes Benz". 

O início de tudo

No piso térreo do MIS, o público já é convidado a entrar no mundo de Janis pela entrada principal. Na escadaria que conduz para o outro andar,fotos de juventude da cantora mostram sua relação precoce com a música.

Há delicadezas, como as cartas escritas de próprio punho e o anel de formatura do ensino médio, que ela cursou em um colégio no Texas, sua cidade natal. Já outros itens expõem uma trajetória marcada pelos vícios, como a garrafa de Southern Comfort, licor de uísque de Nova Orleans que ela sempre carregava para o palco.

Colete roxo com bordados usado por Janis Jopli
Colete roxo da marca Nudies's Rodeo Tailors - Divulgação/Lucas Mello

Aliás, a primeira música que ela compôs, "What Good Can Drinkin' Do", de 1962, narrava os efeitos de um porre, como bem lembra a placa fixada ao lado de um exemplar dessa sua bebida preferida.   

Um pouco mais adiante, as reproduções de desenhos assinados pela própria Janis surpreendem por revelar um lado artístico desconhecido dela. É interessante observar os traços muito delicados e as cores neutras desses desenhos, sejam em obras já finalizadas ou em esboços, contrastando com a extravagância que marcou sua carreira na música. 

Ali perto, uma kombi psicodélica abriga itens de seu figurino, como o colete e a calça roxa bordados. A visita continua nas salas temáticas, que trazem diferentes recortes da artista. A sala "Monterey Festival" foca especificamente no início de sua carreira, quando ela começou a chamar a atenção como vocalista da banda Big Brother and the Holding Company, uma das atrações de Monterey, que foi realizado na Califórnia, em 1967, dois anos antes de Woodstock.

Nesse espaço em clima de "música, amor e flores", dominado por imagens que registram o festival em preto e branco, é possível se acomodar em uma das almofadas disponíveis no chão e observar vídeos projetados em um telão.  

Foi onde Janis virou Janis. Ela era vocalista de uma banda não muito conhecida, conta o curador.

Quando a banda se apresentou pela primeira vez no Monterey, ela não foi filmada. Estavam fazendo um documentário (sobre o festival). Mas o show que Janis fez foi tão incrível que sua banda precisou tocar duas vezes, para poderem filmá-la cantando. A partir dali, ela explodiu para essa carreira breve, mas tão incrível". 

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Carnaval no Brasil

Há, ainda, as salas menos, digamos, literais, que representam emoções ou estados de espírito, como as batizadas de "Liberdade", "Sexo" e "Acampamento". Esta última é formada por três espaços, com texturas e ambientes distintos; por isso, a ideia é que o visitante tire os sapatos antes de entrar nela. "Essa área do Acampamento é muito simbólica daquela época: tanto dos festivais onde as pessoas acampavam, como também da vida desses artistas que tinham esse pé no hippie, na contracultura", explica o curador.

Fotos de Janis Joplin se divertindo no Carnaval
Sala dedicada à passagem de Janis pelo Brasil, em 1970, poucos meses antes de sua morte - VIVA/Adriana Del Ré

Mesmo Sturm considerando todo o conjunto de objetos em exposição a alma da mostra, a sala dedicada ao Brasil é inevitavelmente um dos grandes destaques da visitação. E é esperada por quem conhece a vida de Janis e sabe sobre sua efusiva passagem pelo País.

Com o nome de "Amor Brasil", esse ambiente mostra em fotos a alegria de Janis aproveitando o Carnaval e as referências que a cantora já tinha do País, como o filme "Orfeu Negro" (1959), do francês Marcel Camus, que ela assistiu aos 17 anos.

Janis chegou ao Rio de Janeiro em fevereiro de 1970, realizando um antigo sonho. Em terras cariocas, conheceu Alcione e Serguei, que sempre se vangloriou de ter tido um affair Janis. Mas o que ficou registrado foi sua paixão pelo norte-americano David George, seu último grande amor, que ela conheceu em Ipanema. Além do Rio, Janis também ficou encantada pela Bahia. 

Poucos meses depois, em outubro daquele ano, Janis Joplin morreria de overdose acidental de heroína, em sua casa, em Los Angeles. Esse último ato também é lembrado, poeticamente, na exposição. 

Serviço:

Exposição “Janis”

Local: MIS, Avenida Europa, 158, Jd. Europa, São Paulo

Horários: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h.

Ingressos: terças-feiras: gratuito; de quarta a domingo: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) 

Vendas: Megapass 

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