Famosos com Parkinson derrubam tabus e despertam conscientização sobre a doença
Reprodução/Instagram @realmikejfox
São Paulo - Ainda cercada por tabus e desinformação, a Doença de Parkinson, muitas vezes, leva ao isolamento de quem recebe o diagnóstico. No entanto, a visibilidade dada por artistas com essa condição neurodegenerativa — causada, principalmente, pela deficiência na produção de dopamina no cérebro — ao decidirem falar publicamente sobre a condição ajuda a mudar esse cenário.
Ao exporem suas rotinas, limitações e até fragilidades, mas com posturas resilientes, essas figuras públicas promovem a conscientização sobre a importância do tratamento e do suporte social.
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Ativista da causa com alcance mundial, o ator Michael J. Fox, astro de Hollywood, hoje com 64 anos, foi diagnosticado no auge da carreira, aos 29 anos, após estrelar sucessos como a trilogia De Volta para o Futuro. Criada em 2000, a Fundação Michael J. Fox (MJFF) é a hoje maior financiadora não governamental de pesquisas sobre Parkinson no mundo.
Fox anunciou a aposentadoria em 2020, mas voltou à TV na 3ª temporada da série Falando a Real, da Apple TV+, neste ano.
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Ainda no cenário internacional, Ozzy Osbourne, líder do Black Sabbath, morto em 2025, descobriu o Parkinson em 2019, após complicações de uma queda em casa, em abril de 2019. Ele revelou publicamente o diagnóstico em janeiro de 2020, no Good Morning America.
Ele chegou a cancelar turnê em 2023, mas, em 2025, dias antes de sua morte, fez um show histórico de despedida, Back to the Beginning, sentado em um trono, enquanto recebia no palco astros como Metallica, Slash, Steven Tyler e Ronnie Wood, para participações especiais.
O evento arrecadou o equivalente a mais de R$ 1 bilhão, destinado a fundos de caridade, como instituições que cuidam de crianças e pesquisas sobre a Doença de Parkinson.
Ícone do esporte, o pugilista Muhammad Ali, morto em 2016, foi diagnosticado em 1984, três anos após se aposentar dos ringues. Segundo especialistas, a doença foi consequência do boxe. Ali tornou-se um símbolo de dignidade ao carregar a tocha olímpica em Atlanta (1996), sem esconder seus tremores.
Além do legado no mundo do boxe, ele deixou para o mundo o Muhammad Ali Parkinson Center, centro de referência mundial para tratamento, pesquisa e educação sobre Parkinson e distúrbios do movimento.
Outras personalidades estrangeiras, como a cantora de rock e folk Linda Ronstadt, o ator Alan Alda e Neil Diamond, cantor de Sweet Caroline, também revelaram publicamente seu diagnóstico.
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No Brasil, em 2025, Augusto Nascimento, filho do cantor Milton Nascimento, de 83 anos, revelou que seu pai foi diagnosticado com Parkinson em 2022, depois de se despedir dos palcos.
Já o ator Paulo José, morto em 2021, se tornou um símbolo de resiliência ao conviver com o Parkinson por quase três décadas, integrando seus sintomas à cena.
No campo da música, o cantor Eduardo Dussek encara a condição há cerca de dez anos, com a irreverência que sempre foi sua marca registrada, utilizando a pintura como aliada terapêutica. Ele falou abertamente sobre o tema no Altas Horas, em 2024.
Já no Jornalismo, Renata Capucci revelou que convive com a doença desde os 45 anos, desmistificando a ideia de que o Parkinson é uma exclusividade da terceira idade.
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