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Pesquisa relaciona Parkinson e avanço acelerado do Alzheimer em mulheres

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Objetivo da pesquisa é ajudar a  identificar alvos terapêuticos específicos que possam ajudar no tratamento das demências - Adobe Stock
Objetivo da pesquisa é ajudar a identificar alvos terapêuticos específicos que possam ajudar no tratamento das demências
Por Bianca Bibiano

17/03/2026 | 08h56

São Paulo - Uma pesquisa divulgada na última semana pela organização sem fins lucrativos Mayo Clinic mostrou que as alterações cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer progrediram até 20 vezes mais rapidamente em mulheres que também apresentavam níveis anormais de uma proteína associada ao Parkinson. O mesmo padrão não foi observado em homens. 

Os resultados sugerem que a proteína associada à doença de Parkinson, chamada de alfa-sinucleína, se acumula juntamente com a patologia do Alzheimer, impulsionando uma progressão mais rápida da doença em mulheres. 

Essa interação pode ajudar a explicar uma disparidade observada há muito tempo: as mulheres representam quase dois terços das pessoas que vivem com doença de Alzheimer nos Estados Unidos.

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"Quando observamos alterações relacionadas à doença evoluindo em ritmos drasticamente diferentes, não podemos continuar tratando o Alzheimer como se ele se comportasse exatamente da mesma forma em todas as pessoas. As patologias concomitantes podem influenciar o processo da doença", afirma a neurorradiologista da Mayo Clinic e autora sênior do estudo, Kejal Kantarci.

Ela diz ainda que reconhecer essas diferenças específicas entre os sexos pode ajudar a desenvolver ensaios clínicos mais direcionados e, em última análise, estratégias de tratamento mais personalizadas.

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Como as duas doenças se relacionam?

Kantarci explica que a doença de Alzheimer é caracterizada pelo acúmulo da proteína tau no cérebro. Muitas pessoas com a doença também desenvolvem agregação anormal de α-sinucleína, uma proteína associada às doenças por corpos de Lewy, como a doença de Parkinson e a demência com corpos de Lewy.

Tau e α-sinucleína ocorrem naturalmente no cérebro. Em doenças neurodegenerativas, no entanto, essas proteínas podem sofrer dobramento incorreto e se aglomerar, formando depósitos anormais. Esse acúmulo patológico interrompe a comunicação entre as células cerebrais e contribui para o declínio cognitivo.

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Os pesquisadores buscaram determinar se a presença simultânea desses dois acúmulos anormais de proteínas altera a forma como a doença progride, e se esse efeito difere entre mulheres e homens.

Para investigar, a equipe analisou dados de 415 participantes, submetidos a exames do líquido cefalorraquidiano e de neuroimagem para medir alterações no acúmulo de tau. Cerca de 17% dos participantes apresentaram evidências de α-sinucleína anormal. Além disso, as mulheres acumularam tau de forma significativamente mais rápida do que os homens com as mesmas alterações proteicas associadas.

Elijah Mak, primeiro autor do estudo e pesquisador em neuroimagem da Mayo Clinic, estuda como múltiplas patologias cerebrais interagem e impulsionam a progressão da doença. "Isso abre uma nova linha de investigação para compreender por qual motivo as mulheres são desproporcionalmente afetadas pela demência", afirma. 

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"Se conseguirmos desvendar os mecanismos por trás dessa vulnerabilidade, poderemos identificar alvos terapêuticos que ainda não havíamos considerado."

A expectativa dos pesquisadores agora é determinar se a diferença observada é exclusiva da doença de Alzheimer ou se reflete uma vulnerabilidade mais ampla, específica por sexo, em diferentes doenças neurodegenerativas.

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