Arrecadação de planos de previdência deve cair 4,4% em 2026, segundo CNSeg
Envato
São Paulo - A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima que a arrecadação dos planos de previdência aberta registrará contração de 4,4% em 2026, após o tombo de 19,9% em 2025. A previsão, segundo a entidade, tem relação com os efeitos das regras restritivas de IOF, que agora incidem sobre aportes de até R$ 600 mil sobre planos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).
Em entrevista coletiva, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, informou que as captações caíram R$ 50 bilhões nos seis primeiros meses da norma, quando o tributo ainda era aplicado em aportes de até R$ 300 mil.
Segundo ele, uma parte importante desses recursos está sendo destinada para instrumentos de curto prazo, como LCI e LCA, que são isentos. Assim, o fisco deixou de arrecadar R$ 7,5 bilhões, segundo ele. Ao mesmo tempo, o efeito arrecadatório do IOF no VGBL foi de apenas R$ 106 milhões, acrescentou.
Essa medida não é ruim apenas para poupadores. Ela é ruim também para o governo, e contraproducente", criticou.
Para Oliveira, as normas de IOF são "injustas" e "inadequadas", porque tiram recursos de instrumentos de longo prazo para títulos de curtíssimo prazo. Ele citou dados que mostram que 97% das pessoas têm reserva acumulada de menos de R$ 1 milhão, com mediana de R$ 8 mil em contribuições por ano. "Esse é um instrumento de classe média", comentou.
Leia também: IR 2026: Como declarar previdência do tipo VGBL e o que mudou
Setor de seguros
Já para o setor de seguros como um todo a expectativa é de uma aceleração no ritmo de crescimento do setor este ano, com particular aquecimento dos segmentos de saúde suplementar e veículos.
Em projeções divulgadas em coletiva de imprensa hoje, a entidade estimou que a arrecadação no mercado segurador crescerá 5,7% em 2026, após o avanço de 1,8% em 2025. Sem considerar o desempenho em saúde, a expansão seria de 2,9%, de acordo com a instituição. "O cenário é positivo para o setor, com exceção da previdência", disse Dyogo Oliveira.
Apesar disso, a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 6% no ano passado, de volta ao nível de 2014. Oliveira atribuiu o movimento ao desempenho da previdência aberta, que deve inviabilizar o plano de levar a indústria a 10% do PIB até 2030.
Saúde
A entidade melhorou as projeções para o avanço em saúde suplementar em 2026, de 7,6% para 9,0%, após o aumento de 10,8% em 2025. Conforme Oliveira, entre fevereiro de 2026 e dezembro de 2024 o número de beneficiários nesse segmento subiu 1,9%. "A perspectiva na saúde é otimista para 2026, com uma sinistralidade saudável, perto de 80%", previu, em referência ao indicador que mede a relação entre os sinistros pagos e o total arrecadado por uma seguradora ou operação.
Segundo Oliveira, a guerra no Irã pode ter impacto na indústria de seguros, principalmente se impulsionar a inflação. A CNSeg manteve estimativa de crescimento de 1,95% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano e de inflação medida pelo IPCA em 4,08%. No entanto, aumentou a estimativa para a Selic no fim de 2026, de 12% para 12,5%.
Leia também: INSS exigirá biometria da CIN para novos benefícios a partir de 2027
Segmento rural
A CNSeg, porém, piorou as projeções para a arrecadação do segmento rural e agora espera retração de 3,9%, comparado com expectativa anterior de incremento de 2,3%. No ano passado, a métrica recuou 8,8%, depois que o governo liberou apenas pouco mais de R$ 500 milhões na subvenção ao seguro rural, conforme Oliveira. "Para 2026, ainda não temos certeza sobre o valor que será liberado", ressaltou.
Automóveis
Para o segmento de seguro de automóveis, a CNSeg projeta um crescimento de 7,1% na arrecadação este ano, após avanço de 6,8% em 2025. Na estimativa anterior, divulgada em dezembro, a expectativa era por uma expansão de 7,7%.
Oliveira citou dados da Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave) que apontam aumento esperado de 3% nos emplacamentos este ano, o que tende ajudar o segmento. Segundo ele, o avanço dos veículos elétricos representa um desafio adicional ao setor de seguro. "Os custos de reparo são superiores aos de veículos de combustão", disse.
Também em destaque, a CNSeg projetou crescimento de 12,8% na arrecadação do seguro habitacional em 2026. O movimento reflete o aquecimento do crédito imobiliário, sobretudo do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), de acordo com Oliveira. "Redução da Selic também deve dar maior impulso", comentou.
(Por André Marinho)
Leia também: Desemprego, morte e até mensalidade escolar são cobertos por seguro: confira
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
