Queda do cacau no mercado internacional pressiona preços e alerta produtores
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São Paulo - A queda do preço do cacau no mercado internacional voltou a pressionar a renda dos produtores brasileiros. Na última sexta-feira, 29, os contratos futuros da commodity encerraram o dia em forte baixa na Bolsa de Nova York, ampliando as preocupações de agricultores e cooperativas diante de um cenário de maior oferta global e aumento da volatilidade.
O contrato de cacau com vencimento em julho caiu 4,29%, equivalente a US$ 176 por tonelada, e fechou negociado a US$ 3.923.
Segundo Orlantildes Pereira, presidente da Cooperativa dos Cacauicultores do Sul da Bahia (Coopercabruca), que reúne 75 cooperados e representa cerca de 235 famílias produtoras, a desvalorização internacional afeta toda a cadeia produtiva.
“O preço da tonelada de cacau hoje está em cerca de US$ 4 mil. Isso representaria algo em torno de R$ 300 por arroba, mas a indústria local está pagando cerca de R$ 260. Ou seja, mesmo com a queda da Bolsa, ainda existe uma diferença que impacta diretamente o produtor”, afirma.
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O valor representa uma redução expressiva em relação aos níveis recordes registrados em 2024, quando a commodity atingiu máximas históricas impulsionadas por problemas climáticos e escassez de oferta nos principais países produtores. Atualmente, os preços internacionais estão próximos de 40% do patamar observado durante o pico histórico de dezembro de 2024, ápice de US$ 12.900 por tonelada.
Estoques pressionam mercado do cacau
Um dos principais fatores por trás da queda das cotações é o aumento dos estoques certificados de cacau. O volume armazenado alcançou 2,8 milhões de sacas na sexta-feira, o maior nível registrado em quase dois anos. O crescimento dos estoques reforça a percepção de maior disponibilidade da matéria-prima no mercado internacional, reduzindo a pressão compradora e contribuindo para a queda dos preços futuros.
Outro fator que influenciou as negociações foi a divulgação de uma estimativa mais elevada para a safra da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau do mundo.
O órgão regulador do setor no País africano indicou uma produção de 2,2 milhões de toneladas, volume acima das expectativas do mercado. A combinação entre estoques elevados e perspectiva de maior oferta global aumentou as vendas nos contratos futuros e ampliou a volatilidade.
Queda já chega ao produtor brasileiro
O recuo das cotações internacionais tem reflexos diretos nos preços pagos aos produtores brasileiros, uma vez que o cacau é negociado como commodity e segue referências globais.
No último fechamento, as principais regiões produtoras registraram queda nos preços:
- Bahia: R$ 230 por arroba, recuo de 4,17%;
- Espírito Santo: R$ 920 por saca, baixa de 4,17%;
- Pará: R$ 13,70 por quilo, redução de 9,87%.
Indústria segue dependente da produção brasileira
Apesar da queda dos preços, representantes do setor avaliam que a indústria brasileira possui pouca margem para substituir o cacau nacional por produto importado.
Pereira lembra que a maior parte da capacidade de moagem do País está instalada na própria região produtora da Bahia, o que favorece o abastecimento interno com matéria-prima nacional. “Dificilmente a indústria encontraria uma alternativa mais barata do que a produção interna. Se importar para consumo no mercado brasileiro, ela precisará arcar com taxas e custos que não existem quando utiliza mecanismos específicos voltados à exportação”, explica.
A avaliação do setor é que, mesmo em um momento de preços mais baixos, o cacau produzido no Brasil continua sendo a principal fonte de abastecimento da indústria nacional.
O dirigente também destaca que a volatilidade do mercado internacional continua sendo um dos principais fatores de insegurança para os produtores de cacau. Além das oscilações da Bolsa, questões climáticas e movimentos especulativos também influenciam a formação dos preços pagos no campo.
Para a Coopercabruca, que exporta regularmente para a Europa, o cenário exige atenção constante dos produtores, especialmente em um momento de adaptação do setor às novas exigências de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade dos mercados consumidores.
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