São Paulo, 20/01/2026 - O mercado de seguros conta com uma gama de opções de cobertura tão diversa que boa parte ainda é desconhecida do grande público. Esse é o caso do seguro prestamista, um produto que está ligado a quitação total ou parcial de empréstimos, financiamentos, cartões, consórcios em caso de imprevistos, como morte, invalidez, o desemprego involuntário. Nessas circunstâncias, o seguro assume o pagamento do saldo devedor ou das parcelas, protegendo o consumidor e evitando complicações financeiras maiores.
Sua contratação pode envolver cláusulas adicionais. Nesse caso, o segurado também pode incluir doenças graves e incapacidade temporária. Em alguns casos, se previsto no contrato, pode garantir em caso de hospitalização o pagamento de indenização, proporcional ao período de internação do segurado. Porém, é importante avaliar a real necessidade da inclusão de cada uma delas, que terá impacto direto no valor final do seguro.
Do ponto de vista de proteção do patrimônio, o economista Alexandre Bertoncello, PHD em economia e consultor financeiro, esse tipo de garantia faz sentido no atual momento do Brasil, onde 79,2% das famílias se encontra inadimplente, segundo dados do Serasa, e com baixo grau de educação financeira.
O planejador financeiro Lucas Sharau nota maior interesse do público sobre o seguro prestamista - Divulgação
O especialista em mercados e planejador financeiro Lucas Sharau, certificado pela Planejar, ressalta que este seguro costuma estar atrelado a tomada de algum empréstimo ou dívida e sempre é pago diretamente para a instituição credora.
Ele conta que recentemente tem visto o seguro prestamista sendo utilizado com mais frequência por colégios particulares, que oferecem essa cobertura embutida nas mensalidades.
"O seguro é acionado caso o aluno fique inadimplente, mantendo seus estudos por meses e até por anos (depende do que está previsto no contrato). Acho essa conscientização bem interessante", conta o especialista.
O seguro entra no orçamento familiar sob o aspecto de se proteger contra imprevistos que afetam a renda e o equilíbrio familiar. A lógica é a mesma da construção de uma reserva de emergência. Uma ação preventiva contra situações que representem ameaça para sua estabilidade financeira.
O segmento de seguro prestamista arrecadou R$ 18,2 bilhões entre janeiro e outubro de 2025. O desempenho representa crescimento de 5,8% no comparativo anual. Em indenizações pagas foi reportado avanço de 11,5% no período, somando R$ 3,3 bilhões. Os dados são da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
Nos contratos relacionados a perda de renda, o crescimento da arrecadação foi de 3,5%, somando R$ 74,8 bilhões no período de janeiro a outubro de 2025. As indenizações nesse segmento, no entanto, caíram 30,1% na mesma base de comparação, para R$ 15 milhões.
No caso das doenças graves ou terminal, entre janeiro e outubro de 2025 a arrecadação cresceu 19,3% em relação reportado em igual período do ano anterior, para R$ 2,1 bilhões. No mesmo período, as indenizações relacionadas a esse produto registraram alta de 25,3%, totalizando R$ 582,1 milhões.
Seguro atrelado a crédito
Em geral, as pessoas descobrem a existência desse tipo de seguro na hora que estão fechando o contrato para tomar crédito. "É realizada uma análise da saúde financeira do tomador para se avaliar a sua capacidade de quitar o empréstimo. Esse é um tipo de um seguro que precisa ser muito customizado", explica.
Luciana Amano, vice-presidente de Massificados da Prudential do Brasil, avalia que muita gente ainda não entende bem esse tipo de seguro porque, no passado, ele era muitas vezes colocado automaticamente nos contratos, sem muita explicação.
O desafio do setor com relação a esse seguro é justamente provar seu valor como ferramenta financeira útil e transparente para o consumidor", afirma.
A ferramenta evita que dívidas sejam transferidas a herdeiros na hora do inventário, diz Luciana Amano, da Prudential -Divulgação
No caso da Prudential do Brasil, o seguro prestamista é oferecido por valores a partir de R$ 5,99 mensais.
De acordo com Amano, os eventos mais comuns cobertos por esse seguro são morte e desemprego involuntário. "Algumas modalidades também incluem incapacidade temporária ou invalidez permanente, sempre conforme as condições previstas em contrato. Por isso, é fundamental que o consumidor conheça as regras do produto".
Em um cenário de juros altos e maior pressão sobre o orçamento das famílias, como o atual, o seguro prestamista funciona como um amortecedor financeiro, segundo ela.
Outro destaque é que sua contratação evita que o compromisso financeiro seja transferido para a família ou herdeiros na hora de fazer o inventário. "O seguro ajuda a evitar esse impacto", afirma Amano.
Cuidados na hora da contratação
A recomendação básica na hora de assinar esse tipo de contrato é atenção total para as situações que não estão previstas na sua apólice, como inadimplência voluntária, eventos ocorridos fora da vigência do seguro ou exclusões específicas, como doenças preexistentes não declaradas ou demissão por justa causa. "Por isso, a leitura atenta das condições é essencial", reforça Amano.
Brasileiro ainda enfrenta dificuldades para decifrar os contratos, diz Bertoncello - Divulgação
Além de conscientização, falta escala para que o produto se torne mais acessível para a população, acrescenta Bertoncello.
"Infelizmente, o brasileiro além de ter pouco seguro, contrata muito mal. Ele não lê as letras miúdas e acaba se surpreendendo na hora de acionar o sinistro", diz.
Outro ponto destacado pelo consultor é com relação a clareza e acessibilidade nos termos dos contratos.
"A linguagem dos contratos ainda precisa ser aprimorada, inclusive para melhorar a relação do vendedor de seguro com o segurado", afirma, recordando que recentemente foi aprovado o marco do seguro exatamente com esse objetivo.
Para não ter surpresas desagradáveis, aconselha Sharau, "leia as condições, entenda o que está previsto na cobertura, se informe, questione sempre sobre o que é opcional e o que é obrigatório".
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