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Confira se a sua previdência foi atingida pelo caso Master

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A principal dica é consultar diretamente seu plano de previdência para saber se havia algum recurso investido no Banco Master - Envato
A principal dica é consultar diretamente seu plano de previdência para saber se havia algum recurso investido no Banco Master

São Paulo, 21/01/2026 - Em meio a crise despertada pela descoberta de um rombo de mais de R$ 40 bilhões no Banco Master, muitos têm se perguntado se seu plano de previdência está envolvido na fraude.

O caso, nas palavras do próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode ser considerado a maior fraude bancária da história do Brasil. Desde novembro, quando foi anunciada a liquidação extrajudicial do Master, o BC também decretou a liquidação da Reag Financeira e do Will Bank, anunciada nesta quarta-feira.

Leia também: Banco Master: liquidação ou falência? Entenda a diferença

Segundo Luís Garcia, advogado tributarista, sócio do Tax Group e especialista em Governança e Compliance, a principal orientação neste momento é investigar diretamente com o seu plano de previdência, se havia algum recurso investido no Banco Master, dado que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – entidade privada que funciona como um seguro para o investido – não cobre fundos de investimento ou fundos de pensão. 

Leia também: Presidente do INSS terá reunião com liquidante do Master na sexta-feira

Busquem ativamente a informação nos fundos de previdência. Em caso de falta de respostas, vale recorrer a órgãos reguladores como Previc (no caso dos fundos de pensão), Susep (previdência privada) ou CVM (fundos de investimento), aconselha o advogado.

No caso de comprometimento desses recursos, restam duas opções, aponta Garcia.

  • Entrar na fila de liquidação para receber seu dinheiro de volta;
  • Buscar ações coletivas contra a gestão do fundo por falta de zelo com os ativos.

O advogado tributarista destaca ser crucial verificar se as políticas de investimento foram seguidas, especialmente se houve alocações no Banco Master. 

Leia também: Will Bank, do Banco Master, tem liquidação extrajudicial decretada pelo BC

Erika Palma, advogada especialista em previdência privada e presidente da OAB Prev-SP,  destaca que a liquidação do Banco Master afetou Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de Estados e municípios brasileiros – que equivale à aposentadoria dos servidores públicos.

Estes fundos investiram quase R$ 1,9 bilhão em ativos da instituição que não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A boa notícia, explica Palma, é que, juridicamente, o aposentado servidor público está em uma posição de relativa proteção em comparação a um investidor comum.

Os governos estaduais e as prefeituras são os responsáveis finais por cobrir qualquer déficit nos seus fundos. Ou seja, se o dinheiro do Master for perdido, o Tesouro da cidade ou do estado deve garantir o pagamento dos aposentados.

Ausência de controles

Segundo o advogado Luís Garcia, os principais atingidos foram os fundos de previdência estaduais e municipais que tinham investimentos alocados no Banco Master. "O nível de prejuízo dependerá do porcentual do fundo total que estava investido no Banco Master".

Na visão de Garcia, a ausência de controles estatais e particulares sugere que várias camadas de controle falharam

Leia também: O que fazer se o seu banco ou corretora quebrar? Para onde vai o dinheiro?

Próximos passos 

Se o seu fundo de previdência investiu no Banco Master e os recursos não são cobertos pelo FGC, a recomendação é acompanhar o processo junto ao fundo. "Se o investimento violou a política de risco do fundo ou se o gestor não foi diligente, os cotistas podem se unir em uma ação coletiva para questionar a gestão", explica.

Garcia considera recomendável contratar um advogado, porém observa que o "próprio fundo tem o dever de judicializar o processo de liquidação para defender coletivamente os cotistas".

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Diante da dimensão do caso, o advogado tributarista considera difícil traçar qualquer previsão. "Processos como esse podem levar muitos anos.Em nossa história, vemos casos de recuperação judicial que estão em andamento há mais de 12 anos", recorda. Ele aponta a dificuldade de quantificação dos ativos do Banco Master como um dos fatores que contribuem para a demora do processo.

Se você é segurado de um dos fundos afetados, a advogada Erika Palma recomenda:

  1. Acompanhe o Sindicato da Categoria: Os sindicatos (como o SEPE no RJ ou sindicatos de servidores municipais) são os primeiros a entrar com ações coletivas para exigir transparência e garantir que o ente público faça o aporte necessário para cobrir as perdas.
  2. Verifique a "Prestação de Contas" do seu Fundo: Todo instituto de previdência deve publicar relatórios de transparência. Procure no site do seu instituto de previdência a seção de "Conselho Deliberativo" ou "Conselho Fiscal" para ver as atas das reuniões sobre o caso Master.
  3. Fique atento a "Taxas Extras": O governo federal já sinalizou que não deve haver criação de taxas suplementares ou descontos extras nos contracheques dos aposentados para cobrir esse déficit. Se surgir qualquer desconto novo no seu holerite sob o pretexto de "déficit atuarial do Master", procure orientação jurídica imediatamente.
  4. Casos de Empréstimo Consignado: Se você tem um consignado feito diretamente com o Banco Master, o INSS e o PROCON orientaram em janeiro de 2026 que, em casos de irregularidades ou cobranças indevidas após a liquidação, você pode contestar pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135.

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