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IBGE: setor de serviços completa sequência de cinco meses sem avanços

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O volume de serviços prestados no Brasil recuou 1,2% em março ante fevereiro - Adobe Stock
O volume de serviços prestados no Brasil recuou 1,2% em março ante fevereiro
Por Broadcast

15/05/2026 | 12h03

São Paulo - O volume de serviços prestados no Brasil recuou 1,2% em março ante fevereiro, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo de todas as estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast (-0,6% a +0,6%, com mediana negativa de 0,1%).

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Assim, o setor completou cinco meses consecutivos sem crescimento, acumulando uma  perda de 1,7% no período. A queda nos serviços em março ante fevereiro foi a mais acentuada desde novembro de 2024, quando encolheu 1,4%. Considerando apenas meses de março, o recuo foi o mais agudo desde 2021, quando diminuiu 4,6%.

Por que caiu?

O dado veio mais fraco do que o que os economistas previam, e a análise de boa parte deles é de que o recuo na prestação de serviços é um reflexo da alta taxa de juros (Selic).

Traduzindo em miúdos, diante do alto custo do dinheiro (taxa de juros), os profissionais que atuam no setor de serviços, como cabeleireiros, motoristas, agentes de viagem, entre outras profissões, estão com menor quantidade de clientes, que por sua vez estão economizando para poder pagar suas contas cotidianas.

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Da parte dos empreendedores, embora a taxa Selic tenha caído de 15% para 14,50% na última reunião do Banco Central, ela ainda é considerada restritiva para tomar empréstimos ou financiar equipamentos.

Apesar da queda na margem, o setor avançou 3% na comparação com março de 2025. No acumulado do ano, os serviços registram alta de 2,3%, enquanto o avanço em 12 meses é de 2,8%.

Dessa forma, os economistas ponderam que o dado atual não é suficiente para reduzir as projeções de crescimento da atividade como um todo, o Produto Interno Bruto (PIB), nem alterar a trajetória de queda da taxa Selic até o final de 2026.

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O indicador de serviços divulgado nesta sexta-feira não muda a percepção do mercado de que a Selic deva continuar caindo para que a economia - e os serviços - melhorem.

Com a queda de 1,2% no volume de serviços prestados no País em março ante fevereiro, o setor funcionava em patamar 18,2% superior ao de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País.

Setores 

Os serviços de informação e comunicação estão 37,2% acima do pré-pandemia, e o segmento de outros serviços está 0,8% abaixo. Os serviços profissionais e administrativos estão 21,4% acima do patamar de fevereiro de 2020.

O agregado especial de Atividades turísticas encolheu 4% em março ante fevereiro, segundo os dados do IBGE.

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O resultado foi o segundo mês negativo seguido, período em que acumulou uma perda de 5,4%. O segmento de atividades turísticas operava em fevereiro em 
patamar 6,3% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024. O grupamento estava 6,5% acima do patamar de fevereiro de 2020, no pré-pandemia.

Na passagem de fevereiro para março, houve perdas em 14 dos 17 locais pesquisados, sendo o mais relevante registrado em São Paulo (-6,3%), seguido por Rio de Janeiro (-2,4%), Bahia (-5,3%), Pernambuco (-9,2%) e Minas Gerais (-2,8%). Na direção oposta, as principais altas ocorreram no Rio Grande do Sul (1,4%), Rio Grande do Norte (1,3%) e Goiás (0,4%).

Na comparação com março do ano anterior, o volume de atividades turísticas no Brasil caiu 3,9% em março de 2026.

Em março, os transportes operavam 17,8% acima do nível pré-pandemia de covid-19, enquanto os serviços prestados às famílias estavam 4,5% acima do patamar de fevereiro de 2020.

O transporte de passageiros recuou 3,4% em março ante fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o segmento opera 1,7% acima do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. O transporte de passageiros ainda opera 22,1% aquém do pico alcançado em fevereiro de 2014.

Já o transporte de cargas teve queda de 1,0% em março ante fevereiro. O segmento opera 37,1% acima do pré-pandemia, mas em patamar 5,1% abaixo do recorde alcançado em julho de 2023.

As séries históricas do transporte de cargas e passageiros têm início em janeiro de 2011, com resultados apenas para o agregado do Brasil, sem dados regionais. Na comparação com março do ano anterior, o transporte de passageiros cresceu 2,8% em março de 2026, enquanto o transporte de cargas aumentou 2,5%.

(Por Daniela Amorim)

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