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Brasileiros 50+ devem consumir 50% do mercado de saúde em 2044, diz estudo

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Expectativa é que essa parcela da população de 92 milhões de pessoas movimente R$ 559 bilhões anuais em saúde em 2044 - Adobe Stock
Expectativa é que essa parcela da população de 92 milhões de pessoas movimente R$ 559 bilhões anuais em saúde em 2044
Por Emanuele Almeida

15/05/2026 | 13h24

São Paulo - O envelhecimento populacional no Brasil está redefinindo o mercado nacional de saúde. Segundo a pesquisa Mercado Prateado: consumo dos brasileiros 50+ e projeções, conduzida pelo data8, os brasileiros com mais de 50 anos vão corresponder a 50% do consumo do setor em 2044.

A expectativa é que essa parcela da população de 92 milhões de pessoas movimente R$ 559 bilhões anuais dentro do mercado de saúde em 2044, de um total estipulado de R$ 1,13 trilhão. 

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Esse grupo já respondia por 35% de todo o consumo em saúde no País em 2024, o equivalente a R$ 247 bilhões. As estimativas do estudo indicam também que, em 2034, a população prateada já será responsável por 43% do consumo total no setor de saúde. 

Transição silenciosa 

Para a coordenadora da pesquisa do data8, Lívia Hollerbach, os dados revelam um redirecionamento natural das finanças à medida que a idade avança. “Isso revela uma transição silenciosa. A longevidade não necessariamente aumenta o consumo em termos absolutos, mas redefine prioridades, deslocando recursos de transporte, lazer e vestuário para cuidados médicos, medicamentos e assistência contínua”, analisa. 

A centralidade do segmento 50+ fica clara nas projeções do levantamento. “Metade de tudo o que será gasto em saúde no Brasil virá diretamente desse grupo etário, e em todas as categorias analisadas vemos um aumento expressivo”, afirma Hollerbach com base nos dados prospectivos.

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Ela complementa reforçando o peso desses indicadores: “A cada R$ 10 gastos em saúde no Brasil, quase R$ 5 virão da população com mais de 50 anos, confirmando a centralidade desse grupo para a sustentabilidade do sistema de saúde público e privado”. 

Para chegar a essas conclusões, a pesquisa Mercado Prateado baseou-se no cruzamento de diversas fontes oficiais de dados. Inspirada no estudo europeu The Silver Economy (2018), a metodologia utilizou as seguintes bases. 

  • Consumo e cestas familiares: o retrato atual do consumo foi extraído dos microdados públicos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE, permitindo atribuir o valor de consumo para cada indivíduo dentro das famílias;
  • Impacto no PIB: Para dimensionar o tamanho do mercado na economia, a pesquisa utilizou os dados trimestrais de despesa e consumo divulgados pelo IBGE, aliados aos dados populacionais fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU);
  • Projeções (2034 e 2044): o cálculo do consumo futuro baseou-se no cenário médio de crescimento populacional traçado pela ONU, em conjunto com as projeções de crescimento real do PIB formuladas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Custo da longevidade

Os dados extraídos pela pesquisa expõem a desigualdade social no comportamento de consumo. O estudo mostra que os prateados mais ricos (pertencentes à Classe A) conseguem diversificar os seus gastos, dedicando orçamentos expressivos a transporte, saúde e recreação. 

Em contrapartida, de acordo com o levantamento, as populações negras e as classes mais vulneráveis (Classes C e D) vivenciam o chamado "custo da longevidade". O levantamento revela que, para essas fatias da sociedade, a longevidade resulta em um consumo estritamente focado na sobrevivência, com a habitação e a alimentação dominando a cesta mensal. 

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Contudo, a pesquisa alerta que, mesmo diante dessas limitações financeiras, o avanço da idade torna a saúde uma prioridade incontornável, chegando a representar 12% de todos os gastos mensais da Classe D. 

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