Investir começa a ficar mais favorável com queda gradual da Selic
Com a Selic em 13,75% ao ano, especialistas avaliam que o ambiente já começa a se tornar mais favorável para o crédito e para as decisões de consumo
Por Fabiana Holtz
17/09/2026 | 12h19Adobe Stock
A taxa Selic foi reduzida para 13,75% ao ano, o menor nível desde 2026, o que começa a criar um ambiente mais favorável para crédito e investimentos, embora os juros ainda sejam considerados altos por especialistas.
A renda fixa, especialmente opções como Tesouro Selic e CDBs, continua atraente para investidores iniciantes, mas a queda da Selic também implica em rendimentos menores para esses produtos, exigindo uma análise cuidadosa das alternativas disponíveis.
Os especialistas recomendam diversificação e uma avaliação criteriosa das necessidades financeiras antes de investir, enfatizando que a regularidade nos investimentos é mais importante do que o montante inicial aplicado.
São Paulo - Com a Selic em 13,75% ao ano, como anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), especialistas em finanças avaliam que o ambiente já começa a se tornar mais favorável para o crédito e para as decisões de consumo e investimento.
Esse é o menor patamar atingido em 2026, além do quinto corte consecutivo, e temos somente mais duas reuniões pela frente.
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Olívia Flores de Brás, CEO da Magno Investimento, pondera que mesmo diante dos cortes anunciados desde o início do ano, o Brasil ainda convive com juros muito elevados.
Isso significa que a renda fixa continua oferecendo oportunidades importantes. Para quem investe valores baixos por mês, alguns pontos percentuais de diferença podem parecer pequenos no primeiro extrato, mas deixam de ser pequenos quando se repetem durante anos
Olívia Flores de Brás
Quando a Selic começa a cair, como visto nos últimos meses, investimentos que a acompanham a taxa de juros, como o Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI, também passam gradualmente a render menos, destaca Milene Dellatore, especialista em finanças, investimentos e sócia-diretora do Grupo Mide. "Mas isso não significa que esses investimentos deixaram de valer a pena", diz.
E a renda fixa?
No cenário atual, a renda fixa continua sendo muito atrativa, principalmente para quem está começando, montando sua reserva de emergência ou investindo para objetivos de curto prazo, diz Dellatore.
Rodrigo Grossi, cofundador e diretor de operações da HUMU, a redução gradual dos juros básicos representa um avanço importante para a economia do País, principalmente por seu impacto no custo do dinheiro.
Esse efeito, porém, não acontece de uma hora para outra. É um processo gradual."
Rodrigo Grossi
Agora é preciso entender se há mais espaço para reduções e se o BC pretende fazer uma pausa para avaliar os efeitos dos cortes já realizados, conclui.
Poupança
Na visão de Brás, para quem mantém tudo na poupança, o principal problema é permanecer nela sem nunca comparar. Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, sua regra de remuneração continua sendo 0,5% ao mês mais TR, com isenção de Imposto de Renda para pessoa física.
"É simples, conhecida e líquida, mas existem alternativas também simples que podem entregar melhor remuneração dependendo da taxa, tributação e prazo", afirma.
Para quem investe pouco, quase nada mudou no bolso, e é justamente aí que mora o problema, diz Mário Machado, assessor de investimentos da InvestSmart. "Quem deixou tudo na poupança em janeiro recebeu praticamente o mesmo em setembro. Quem optou por um título pós-fixado viu o rendimento cair de verdade, acompanhando a Selic de 15% para 14%".
Na avaliação de Machado, o ciclo de corte de juros foi bom para quem está na poupança, em termos relativos. Isso porque a distância entre ela e as outras alternativas diminuiu.
Segundo a especialista da Magno, a poupança não deve ser abandonada por preconceito nem escolhida por costume. "Dinheiro parado por hábito também é uma decisão de investimento, só que normalmente tomada sem perceber".
Ao mesmo tempo, não faz sentido procurar um investimento que renda 10% ou 12% ao ano enquanto se carrega uma dívida de cartão ou cheque especial cobrando múltiplos disso", explica.
O primeiro rendimento de uma vida financeira organizada pode ser simplesmente parar de enriquecer o credor, conclui Brás.
Rica Mello, economista com atuação em consultoria estratégica, gestão e desenvolvimento de negócios, afirma que não escolheria um investimento apenas por sua facilidade. "Às vezes, a pessoa está há anos na poupança simplesmente porque nunca parou para olhar as alternativas".
Ele reforça ainda que conforme os juros caem, fica ainda mais necessário comparar produtos e entender para que aquele dinheiro está sendo guardado.
A poupança tem a vantagem da simplicidade, da liquidez e da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), concorda Dellatore, mas também possui limitações. Entre essas limitações, aponta a especialista, o rendimento acontece na chamada data de aniversário.
"Se a pessoa fizer o resgate antes dessa data, pode perder a remuneração daquele período. Em outros investimentos conservadores, o rendimento acontece diariamente". Tesouro Selic e CDBs de boa qualidade com liquidez diária são alternativas que merecem ser comparadas com a poupança, afirma Brás.
Tesouro Direto
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e é considerado uma das opções mais conservadoras do mercado, porque o emissor é o governo federal. A especialista do Grupo Mide aponta que ele é adequado para a reserva de emergência, embora não funcione exatamente como o saldo de uma conta-corrente.
Existem horários e prazos de liquidação, e o título pode apresentar pequenas oscilações em caso de venda antecipada, ainda que essas oscilações sejam normalmente bem menores do que as observadas no Tesouro Prefixado ou no Tesouro IPCA+.
CDB
Já o CDB de liquidez diária pode ser a alternativa mais prática quando está disponível no próprio aplicativo do banco. A dica é busca CDBs que paguem pelo menos 100% do CDI, que não tenham carência e que permitam o resgate diário. Também é importante confirmar se a instituição é participante do FGC.
O FGC protege investimentos elegíveis, como poupança e CDB, de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição ou conglomerado financeiro, considerando o valor investido e os rendimentos. Já o Tesouro Direto não possui essa cobertura porque o devedor é o próprio governo federal.
Qual investimento é mais seguro?
Machado observa que para quem está começando os três investimentos (Poupança, Tesouro e CDBs) são seguros, mas por motivos diferentes. A poupança tem uma armadilha que quase ninguém conta: ela paga o rendimento só na data de aniversário, e sobre o menor saldo do período, reforça ele.
Quem saca no dia 20 uma quantia depositada no dia 5 perde o mês inteiro de rendimento daquele valor
Mário Machado, da InvestSmart.
O Tesouro Selic, por sua vez, pode ser vendido em qualquer dia útil, mas o dinheiro é repassado pelo agente de custódia, e o prazo até cair na conta varia conforme a instituição. O CDB de liquidez diária resgata no mesmo dia, e é por isso que ele costuma ser a escolha de quem quer a reserva à mão, diz Machado.
Tanto o Tesouro Selic quanto o CDB possuem cobrança de Imposto de Renda (IR) sobre o rendimento, e não sobre o valor aplicado. Mesmo com o imposto, eles podem apresentar um retorno líquido superior ao da poupança. Também é importante evitar resgates antes de 30 dias, porque nesse período pode haver incidência de IOF sobre os rendimentos.
O pequeno investidor costuma procurar o investimento que multiplica dinheiro quando deveria primeiro multiplicar a frequência com que investe.
Olívia Flores de Brás, da Magno Investimento
De fato a melhor estratégia é aquela que a pessoa consegue repetir todos os meses, reforça a especialista. Para quem tem pouco dinheiro disponível, a regularidade é mais importante do que o valor inicial, explica Brás.
Diversificação ganha importância
A queda dos juros tende a aumentar gradualmente a importância da diversificação, afirmam os especialistas ouvidos pelo VIVA. Buscar segurança, liquidez, rentabilidade líquida e facilidade de acesso ao investir continuam na ordem do dia.
Antes de escolher qualquer investimento para diversificar sua carteira, primeiro é preciso entender a própria situação financeira e organizar o orçamento.
A pergunta mais importante não é “qual investimento rende mais?”, mas “quando eu vou precisar desse dinheiro?”.
O Tesouro IPCA+ pode ser interessante para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, compra de um imóvel, formação dos filhos, por exemplo. Ele oferece a variação da inflação mais uma taxa real contratada no momento da compra, desde que o título seja mantido até o vencimento.
No Tesouro Prefixado, a taxa de rendimento já é previamente conhecida. Se o investidor mantiver o título até o vencimento, ele sabe qual será a regra de remuneração. Em um cenário de queda dos juros, esse sistema pode ser interessante, porque o investidor consegue mantê-la mesmo se a Selic continuar recuando.
Para o pequeno investidor a dica básica, ensinam os especialistas, é assumir apenas riscos que entende, consegue suportar e que não colocam em perigo suas necessidades básicas. Mesmo porque é impossível eliminar todos os riscos.
Dar esse primeiro passo exige entender que a renda variável realmente varia e que bolsa e fundos imobiliários não devem substituir a reserva de emergência ou comprometer o pagamento das contas essenciais do mês.
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