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Disfagia: 25% dos idosos ativos apresentam problemas na deglutição; entenda

Tosse, engasgos, sensação de alimento parado na garganta ou dificuldade para fazer a deglutição normalmente podem indicar disfagia

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

17/09/2026 | 12h26

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Condição pode atingir crianças, idosos, pessoas com câncer, cardiopatias, sarcopenia e doenças neurológicas - AdobeStock
Condição pode atingir crianças, idosos, pessoas com câncer, cardiopatias, sarcopenia e doenças neurológicas
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A disfagia, dificuldade de deglutição, afeta cerca de 25% dos idosos ativos e pode chegar a 70% entre os frágeis, impactando a qualidade de vida e aumentando o risco de desnutrição e desidratação.

As causas da disfagia são variadas, incluindo condições neurológicas, câncer e problemas congênitos em crianças, exigindo uma abordagem individualizada para o tratamento. Condição pode levar à desnutrição e à desidratação.

São Paulo - Engolir parece um movimento simples, quase automático. Mas quando esse processo começa a exigir esforço, provocar engasgos ou até dificultar a passagem da própria saliva, algo precisa ser investigado, pois pode se tratar de um quadro de disfagia.

Segundo dados estimados pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), cerca de 25% dos idosos ativos, saudáveis e independentes já apresentam algum sintoma de alteração na deglutição, como dificuldade para engolir comprimidos, engasgos frequentes com saliva e líquidos. Entre os idosos considerados frágeis, esse percentual varia de acordo com a doença, mas pode chegar a 70%.

O que é disfagia?

Segundo explica o gastroenterologista e endoscopista Eric Pereira, disfagia é o termo médico utilizado para descrever uma alteração no processo de deglutição, ou seja, na passagem do alimento da boca em direção ao estômago.

Os sinais podem variar de acordo com a região comprometida e com a intensidade da alteração. Entre as manifestações possíveis estão:

  • Dificuldade para engolir;
  • Engasgos frequentes;
  • Tosse durante ou após a alimentação;
  • Fala anasalada;
  • Redução do reflexo da tosse;
  • Mau hálito;
  • Retorno do alimento pelo nariz;
  • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito.
Quando a disfagia é mais intensa, a dificuldade de se alimentar e beber adequadamente pode levar à desnutrição e à desidratação."
Eric Pereira, gastroenterologista e endoscopista

Segundo o especialista, reconhecer esses sinais ajuda a evitar complicações mais graves e preservar a qualidade de vida.

Quais são as causas da disfagia?

A disfagia não tem uma única causa e pode atingir crianças, idosos, pessoas com câncer de cabeça e pescoço, com cardiopatias, sarcopenia ou doenças neurológicas, o que requer estratégias individualizadas.

Diversas condições podem estar envolvidas, incluindo infecções, lesões provocadas pela ingestão de substâncias químicas, abscessos retrofaríngeos, tumores e doenças neuromusculares, como a miastenia gravis. 

Já em crianças, casos de prematuridade, baixo peso ao nascer, doenças congênitas, asfixia perinatal, internação prolongada, cirurgias realizadas nos primeiros meses de vida e permanência em unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal aumentam o risco de disfagia pediátrica.

Em linhas gerais, o gastroenterologista explica que a condição costuma ser dividida em dois tipos principais: 

  • Disfagia orofaríngea, quando a alteração está relacionada à passagem do alimento da boca para o esôfago.
  • Disfagia esofágica, quando a dificuldade está relacionada à passagem do alimento pelo esôfago até o estômago.

Tratamento deve ser individualizado

De acordo com a fonoaudióloga Juliana Venites, presidente da Academia Brasileira de Disfagia, ampliar essa discussão é fundamental para evitar tratamentos baseados apenas em protocolos isolados, uma vez que cada pessoa precisa ser avaliada de forma individualizada.

"A melhor conduta não depende apenas da existência da disfagia, mas de fatores como condição clínica, prognóstico, funcionalidade, segurança, qualidade de vida e preferências do próprio paciente e da família”, afirma.

Ela destaca que o diagnóstico e o tratamento podem envolver fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais, de acordo com a condição clínica.

Precisamos fortalecer uma cultura de cuidado compartilhado. A disfagia atravessa diferentes áreas da saúde e, por isso, a troca entre especialidades é essencial para que o paciente receba uma assistência mais segura, eficiente e humanizada.”
Juliana Venites, presidente da Academia Brasileira de Disfagia

Evento abordará avanços e novos tratamentos

Para discutir os avanços na identificação e no manejo desses casos, a Academia Brasileira de Disfagia promove a partir de hoje, em São Paulo, dois eventos simultâneos: o VII Congresso Brasileiro de Disfagia e o II Congresso Internacional da Academia Brasileira de Disfagia.

A programação segue até o dia 19 e reunirá profissionais de diferentes áreas da saúde para atualização científica, discussão de casos e atividades práticas, com a participação de especialistas nacionais e internacionais.

Entre os destaques da programação está o debate sobre o atual cenário do diagnóstico, a avaliação clínica e instrumental da deglutição, o uso de recursos como a ultrassonografia e os critérios para tomada de decisão terapêutica.

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