Maioria dos bancos espera primeiro corte da Selic no 1º tri de 2026
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Por Gustavo Nicoletta e Caroline Aragaki, da Broadcast
redacao@viva.com.brSão Paulo, 04/07/2025 - A maioria dos bancos (62%) acredita que o Banco Central começará a cortar a Selic no primeiro trimestre de 2026, quando a inflação no horizonte relevante para a política monetária deve ficar mais próxima da meta de 3% ao ano. Os dados são da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que ouviu 21 bancos entre os dias 25 e 30 de junho.
Os números também mostram que 19% dos bancos esperam um corte da Selic até o fim de 2025, ainda que a projeção de inflação permaneça acima da meta no horizonte relevante do Banco Central, por acreditarem que a moderação na atividade econômica e na alta de preços permitirá este movimento. Uma parcela idêntica (19%), porém, acha que o BC só conseguirá reduzir a Selic a partir do segundo trimestre do ano que vem, buscando antes ancorar melhor as expectativas de inflação.
Outro dado da pesquisa apontou que 76% dos bancos consideraram adequada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic a 15% ao ano na reunião mais recente, enquanto 24% consideraram que a nova elevação pode ter sido desnecessária, dado que a política monetária já está "significativamente contracionista".
A maioria dos entrevistados (71%) espera que a inflação de 2025 fique entre 5,0% e 5,5%, e os demais veem níveis menores. Na pesquisa anterior, eram 77% os que esperavam inflação entre 5,0% e 5,5% no encerramento deste ano, e o restante previa alta de preços ainda maior.
Desaceleração no crédito
A expansão do crédito deve ter uma desaceleração contida no decorrer de 2025, segundo a maioria (67%) dos bancos ouvidos pela Febraban.
Para a maioria dos bancos, o crédito deve desacelerar de forma contida, com a moderação no crédito livre sendo parcialmente compensada pela resiliência do crédito direcionado e o mercado de trabalho aquecido. Um banco, no entanto, acha que a moderação ocorrerá tanto no crédito livre quanto no direcionado.
O restante dos entrevistados acha que a desaceleração do crédito deve ganhar ritmo, com um recuo mais aprofundado nas operações livres, em função da política monetária mais contracionista, do menor apetite por risco das instituições financeiras e da restrição na demanda.
A projeção dos bancos para a expansão da carteira total de crédito em 2025 foi revisada para cima, atingindo 8,7% (ante 8,5% na pesquisa de maio). Para 2026, a projeção de crescimento subiu de 7,6% para 7,9%.
Para as carteiras de recursos livres, a projeção de crescimento em 2025 aumentou em 0,1 ponto porcentual, para 8,2%, enquanto para 2026 subiu de 7,1% para 7,5%. Para o crédito direcionado, a previsão subiu 0,2 pp tanto para 2025 (9,3%) quanto para 2026 (8,7%).
A projeção para a taxa de inadimplência no crédito livre em 2025 cresceu 0,3 pp em relação a maio, para 5,0% da carteira, e a de 2026 subiu 0,2 pp, a 4,9%.
PIB em 2025
Dos 21 bancos ouvidos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cerca de 42,9% consideram que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2,2% em 2025, em linha com a mediana do relatório Focus atual. A avaliação considera que a resiliência dos setores menos sensíveis ao ciclo de aperto monetário e mercado de trabalho ainda dinâmico devem equilibrar a moderação nos demais setores.
Já os demais bancos se dividem igualmente (aproximadamente 28,6%) entre os que esperam um desempenho superior ou inferior a 2,2%, o que, segundo a Febraban, aponta que não há um viés claro nas atuais projeções de PIB do mercado.
Os aproximadamente 28,6% que esperam uma alta do PIB inferior a 2,2% no ano consideram que a continuidade da desaceleração nos setores mais cíclicos, os efeitos defasados da política monetária e o menor crescimento global (por conta de um cenário adverso) devem minar o crescimento da economia doméstica nos próximos trimestres.
Os 28,6% restantes, que projetam uma alta do PIB superior a 2,2% no ano, avaliam que o forte desempenho da agricultura (com safra recorde), o mercado de trabalho aquecido, e a continuidade dos estímulos fiscais ou de crédito, ainda que mais contidos, devem seguir contribuindo para uma expansão além da estimada pela mediana da do relatório Focus.
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