Empreendedorismo avança inspirado pelos desejos e vitalidade do público 50+
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São Paulo - A busca por empreender tem crescido de maneira constante no Brasil e os dados apontam que o envelhecimento da população tem promovido uma mudança relevante no perfil desse empreendedor. Os desafios são monumentais, as ferramentas disponíveis no mercado estão sendo ampliadas e os especialistas chamam a atenção para as necessidades desse novo empreendedor.
As novas demandas desse público, que faz parte da chamada economia prateada, segundo Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil, tem trazido uma dose extra de vitalidade para a economia brasileira.
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Hoje, a aposentadoria é vivida de forma mais ativa e personalizada. Muitos brasileiros optam por seguir trabalhando ou desenvolver novas atividades, seja por planejamento financeiro, seja pelo desejo de se manterem produtivos e engajados, afirma Batista.
Apenas para dar uma dimensão da relevância desse movimento, segundo dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), até 2050 a população acima de 65 anos na região vai praticamente duplicar, passando de 68 milhões para 138 milhões.
Repertório potente
"Esse público majoritariamente traz um repertório bastante potente em função das experiências vividas anteriormente", destaca Marcos Ferreira, especialista em longevidade, pós-carreira e mercado de seguros. Segundo ele, o mix de competências e bagagens desse “novo empreendedor” é bem interessante.
Nesse aspecto, o contato com principios básicos da educação financeira precisa ser estimulado o mais cedo possível, defende Ferreira.
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Ter consciência sobre a importância da disciplina financeira como fator fundamental para a realização de seus sonhos, afirmam os especialistas, é essencial para que todos os ciclos da vida sejam prósperos.
"A escola deveria incentivar, e o governo, por outro lado, deveria amparar, fomentar e desenvolver essa visão", aponta o especialista em longevidade.
Além do aspecto financeiro, manter vínculos sociais e uma rotina estruturada são dois pontos chaves considerados por esse público para empreender. E as estatísticas confirmam que a busca por uma longevidade ativa tem estimulado novas jornadas profissionais mesmo após os 60 anos.
Bagagem
O principal diferencial desse público está em sua bagagem de vida, as suas experiências anteriores, os erros e acertos que ele já cometeu anteriormente, em outras experiências.
"Ele traz muito capital intelectual, traz experiência, traz vivência, traz repertório. É diferente dos iniciantes mais jovens", afirma Ferreira .
Para Surama Jurdi, CEO e fundadora da Surama Jurdi Academy, empreender após os 50 anos é mais do que uma virada de carreira, é um reencontro com o propósito e uma fase de grandes descobertas e oportunidades. “Depois dos 50, o que move a maioria das pessoas não é mais o status, e sim o significado. É o momento de fazer algo que tenha propósito e gere impacto real”, afirma.
Ela diz que, com o tempo, muitos profissionais deixam de se identificar com os valores das empresas e buscam novos caminhos.
É aí que o empreendedorismo surge como um recomeço e uma chance de usar toda a bagagem acumulada para criar algo com sentido e resultado.”
Oportunidades e desafios
Para Batista, ter interesse em entender e se adaptar as facilidades das ferramentas digitais contribui para uma transição mais tranquila entre a aposentadoria e novas fontes de renda.
É verdade, afirma Ferreira, que a tecnologia, a priori, possa ser uma barreira e em geral é vista sempre como sendo mais acessível aos jovens, mas na prática isso não é bem assim.
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"Considero que eles estão inseridos, do ponto de vista tecnológico. Estão presentes nas redes sociais, utilizam os aplicativos. Ou seja, é um público que ao final soube se digitalizar", afirma. E por mais que possam ter alguma dificuldade em algum momento no universo digital, observa Ferreira, a bagagem que trazem faz com que, depois que conhecem o caminho, encontrem múltiplas funções.
Outros fatores que são fundamentais para essa etapa da vida, acrescenta, são ter acesso à informação e planejamento constante, seguindo os princípios básicos da educação financeira.
Além do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que oferece cursos e atendimentos em vários segmentos para orientar os novos empreendedores, o Cora acaba de lançar uma ferramenta gratuita de controle financeiro empresarial.
Disponível via navegador, a solução permite que empreendedores organizem receitas e despesas, acompanhem o fluxo de caixa e tenham previsibilidade por meio de relatórios, tudo em um único lugar, de forma simples e acessível, tanto no desktop quanto no mobile, sem necessidade de app.
Entre os recursos disponíveis estão um painel com visão geral do saldo, receitas e despesas, gráfico de fluxo de caixa mensal, controle de contas a pagar e a receber, categorias personalizáveis para organizar movimentações e geração de relatório financeiro mensal em PDF.
Políticas públicas
Marcos Ferreira, especialista em longevidade, entende que à medida que o País está envelhecendo rapidamente, o governo assume um papel importante e estratégico no sentido de fomentar a atividade econômica desse nicho específico da população.
"Creio que o governo deveria pensar em políticas públicas voltadas para os 50+, para gerar oportunidades econômicas, fomentar a geração de renda, atraí-los para o ambiente de inovação e ajudá-los a desenvolver iniciativas empreendedoras", afirma.
A questão do etarismo, reconhece Ferreira, ainda é vista como uma barreira que leva as pessoas que saíram de determinadas posições no mundo corporativo ou empresarial a buscar o empreendedorismo.
Fato é que muitas empresas, embora não declarem, ainda não contratam pessoas acima de 40 ou 45 anos, o que torna a volta desse profissional para o mundo corporativo mais difícil.
Profissionalização e incentivo
Com foco nesse fatia da população, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional) tem investido em eventos regionais, com o objetivo de reunir e incentivar empreendedores.
Somente no ano passado, o Sebrae realizou 800 mil atendimentos de pessoas 60+ e pretende atingir um milhão em 2026. Um ponto essencial para a evolução desses empreendedores, segundo especialistas ouvidos pelo VIVA, passa pela busca de suporte técnico e acesso à educação financeira.
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