Prepare o bolso: torcer pelo Brasil na Copa está 32,5% mais caro
Envato
São Paulo - Reunir a turma para torcer pela seleção brasileira na Copa do Mundo ficou 32,5% mais caro em relação ao mundial anterior, segundo levantamento realizado pela Rico, com base na composição revelada pelo estudo da NielsenIQ (NIQ Industry Insights, Abril/2026). Os preços da chamada 'cesta da Copa', acrescenta o estudo, superaram o dado de inflação oficial, o IPCA, que entre o ano de 2022 e o fechamento de 2025 subiu 21%.
Outro ponto identificado pela pesquisa é que a renda famíliar continua pressionada pelo pagamento de dívidas (29,3%, maior nível desde 2008), mesmo diante do aumento da renda e queda do desemprego no período. Números reunidos pela 4intelligence, mencionados na pesquisa, revelam queda na taxa de desemprego, de 7,9% em 2022 para 5,6% em 2025 - ou seja, tem mais gente trabalhando e consumindo, o que tem portencial de aumentar a inflação.
Embora tenha se registrado um aumento na renda no período, a alta da 'cesta da Copa' ficou acima do ganho nominal da renda do consumidor mediano. Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, o maior comprometimento da renda das famílias com dívidas e outras obrigações financeiras reduziu a folga do consumidor.
Chocolate mais caro e carne mais barata
Com alta acumulada de 66,6% no intervalo de quatro anos, o chocolate foi o destaque negativo da cesta, pressionado pela crise global do cacau.
Fato é que um cenário que já não era dos mais favoráveis para a commodity, com estragos decorrentes do El Niño e doenças atingindo as plantações na Costa do Marfim e em Gana, ficou ainda pior nos últimos meses. Tensões geopolíticas no Oriente Médio acabaram contribuindo para espalhar o choque dos custos por toda a cadeia de chocolate. A disparada representa mais de três vezes o IPCA geral no período.
Na outra ponta, as carnes (outro item bastante procurado nessa temporada de jogos) acumularam alta de 12,9% no período, portanto abaixo do IPCA geral.
Entre as bebidas, os preços do refrigerante e água mineral acumularam alta de 35,5%, enquanto suco de frutas subiu 35,7%.
Já a alta da cerveja foi mais moderada, subindo 27,5% no acumulado de 2022 a 2025, enquanto outras bebidas alcoólicas, como whisky, gin e rum, acumularam alta de 36,1%.
Neste seguimento, observa a analista, a inflação pode ser atribuída à alta de insumos, como açúcar e embalagens e pressões climáticas que afetaram algumas cadeias agrícolas.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.