Quaresma reduz preço de alimentos frescos e barateia frutas, aponta APAS
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São Paulo - A Quaresma, período em que parte da população opta por refeições mais leves, fez com que os preços de alimentos frescos registrassem queda nos supermercados em fevereiro.
O recuo foi de 2,94%, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
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As frutas registraram a maior queda no mês, com recuo de 9,97%. Em 12 meses, a baixa acumulada é de 5,51%. Os tubérculos, como batata e mandioca, também apresentaram queda de preços, com deflação de 3,09% em fevereiro e de 2,05% no acumulado de um ano.
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No total, os produtos in natura acumulam retração de 3,22% em 12 meses. Mesmo com o aumento do consumo de alimentos leves na Quaresma, a demanda por esses itens é limitada.
"No período de Quaresma, há o aumento do consumo de diferentes produtos, e esses produtos são itens essenciais para compor a ceia de Quaresma. É o caso das frutas, verduras e legumes. Porém, eles são complementos, não os itens principais. É o primeiro ponto: o aumento do consumo não é tão expressivo como acontece com outros itens", explica o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz.
Ao contrário de pescados, que têm maior consumo na Quaresma, os alimentos frescos mantêm uma demanda mais estável ao longo do ano.
"Há uma demanda muito maior de pescados do que o restante do período do ano, em que o consumo de proteína é diversificado entre proteína bovina, suína, aves e peixes. Nesse caso específico, na Quaresma, concentra mais em peixes", diz.
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Segundo Queiroz, a queda nos preços está mais ligada ao aumento da oferta, favorecido por boas condições de produção no início do ano, do que a mudanças no consumo. Por isso, já houve queda nos preços no primeiro bimestre, e a tendência é que março siga na mesma linha.
Cenário de queda nos preços
Dados das Centrais de Abastecimento (Ceasas) reforçam o cenário de queda nos preços. Segundo o Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), frutas como banana, laranja, maçã, melancia e mamão ficaram mais baratas na média entre janeiro e fevereiro, acompanhando o movimento observado no varejo.
A banana registrou a maior redução, com queda de 11,16% no período. A maçã também apresentou recuo expressivo, de 10,32%, impulsionado pelo início da colheita e pela maior disponibilidade da fruta no mercado.
O mamão teve queda de 7,52%, influenciada pela maior oferta de algumas variedades, enquanto a melancia recuou 3,72% diante de condições climáticas favoráveis à qualidade.
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Já a laranja apresentou estabilidade, com leve variação negativa de 0,06%, mesmo com redução na comercialização em parte do Sudeste.
Entre as hortaliças, cebola e cenoura também ficaram mais baratas, com quedas de 5,52% e 1,23%, respectivamente. Por outro lado, itens como tomate, batata e alface registraram alta, pressionados por menor oferta e impactos das chuvas nas regiões produtoras.
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