Vai se aposentar? Relembre novas regras e veja 5 dicas de especialista
Envato
24/01/2026 | 15h12
São Paulo, 24/01/2026 - Quem planeja se aposentar em 2026 deve preparar a calculadora e a documentação. Seguindo o cronograma estabelecido pela Reforma da Previdência de 2019, as regras de transição sofrerão novos ajustes automáticos em 2026, tornando o acesso ao benefício mais exigente para quem já estava no mercado de trabalho antes da mudança na lei.
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As alterações afetam principalmente a idade mínima progressiva e o sistema de pontos, exigindo que o trabalhador permaneça na ativa por mais tempo para garantir o benefício integral.
O que muda na prática em 2026?
Para os segurados filiados ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), o cenário em 2026 apresenta requisitos mais altos em duas modalidades principais:
- Regra da Idade Mínima Progressiva: o tempo de contribuição permanece o mesmo (30 anos para mulheres e 35 para homens), mas a idade exigida sobe seis meses. Em 2026, mulheres precisarão ter 59 anos e 6 meses, e homens, 64 anos e 6 meses;
- Regra dos Pontos: nesta modalidade, soma-se a idade ao tempo de contribuição. A pontuação necessária sobe um ponto em relação ao ano anterior. Em 2026, será preciso atingir 93 pontos (mulheres) e 103 pontos (homens).
O especialista em Direito Previdenciário do GMPR Advogados, Heitor Costa explica a lógica desse endurecimento gradual: "As principais mudanças são que, a cada ano, algumas regras de transição ficam um pouco mais difíceis". Ele ressalta, no entanto, que nem tudo muda: as regras do "pedágio" (que exigem o pagamento de um tempo extra de 50% ou 100% sobre o que faltava em 2019) continuam com as mesmas bases legais.
Apesar de as regras serem progressivas, muitos brasileiros ainda são pegos de surpresa. Segundo Costa, "na prática, muita gente não está ciente. A maioria só descobre na hora de pedir, e aí aparecem surpresas: tempo que não entrou, salários que não constam, vínculos com erro".
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Como se planejar: 5 dicas do especialista
Para evitar perdas financeiras ou atrasos na concessão do benefício, o planejamento não exige que o segurado se torne um "especialista em previdência", mas requer disciplina. O ideal é começar a organização o quanto antes — preferencialmente ao iniciar a vida laboral —, mas mesmo quem já passou dos 50 anos deve focar em organizar documentos, corrigir o cadastro no INSS e seguir as seguintes orientações:
- Monitore seu CNIS: o Cadastro Nacional de Informações Sociais é o "histórico" da sua vida laboral. Verifique-o anualmente. Se houver "buracos" ou erros nos vínculos empregatícios, corrija-os imediatamente, pois deixar para a última hora é arriscado;
- Evite lacunas de contribuição: se você depende do INSS, evite ficar longos períodos sem contribuir para não prejudicar a contagem de tempo. O MEI pode ser um recurso de saída para isso, já que a contribuição gira em torno de R$ 70 a R$ 80;
- Organize sua documentação: mantenha uma pasta (física ou digital) com carteiras de trabalho, carnês, comprovantes e laudos (como o PPP). Guardar esses documentos é vital, pois recuperá-los anos depois pode ser muito difícil;
- Atenção a atividades especiais: se você trabalhou em atividades de risco, insalubres ou no campo, verifique seus direitos. Isso pode alterar significativamente o tempo de contribuição e o valor do benefício;
- Simule antes de pedir: Nunca solicite a aposentadoria "no escuro". Utilize as ferramentas de simulação, pois trabalhar apenas alguns meses a mais pode fazer uma grande diferença no valor final do benefício.
Ferramentas disponíveis
O INSS disponibiliza o simulador de aposentadoria através do site ou aplicativo "Meu INSS" (clique aqui para acessar). A ferramenta calcula automaticamente quanto tempo falta com base nas regras vigentes e nas previstas para os próximos anos, utilizando os dados constantes no sistema do governo.
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No entanto, o órgão alerta: a simulação é apenas uma referência e não garante o direito. O INSS pode solicitar documentos complementares para comprovar períodos de trabalho que não estejam registrados corretamente no sistema. Portanto, a conferência manual dos dados, conforme sugerido pelo especialista, continua sendo indispensável.
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