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Veja o que MEIs e MPMEs devem fazer para se adequar à Reforma Tributária

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Implementação total ocorrerá em 2032,  mas é importante acompanhar as atualizações para não travar operações durante a mudança - Envato
Implementação total ocorrerá em 2032, mas é importante acompanhar as atualizações para não travar operações durante a mudança
Por Alessandra Taraborelli

13/01/2026 | 09h29

São Paulo, 13/01/2026 - A reforma tributária começa a ser implantada de forma gradual este ano e tem previsão de estar concluída em 2032. As micros, pequenas e médias empresas também precisam se adequar às novas regras, o quanto antes, para mitigar possíveis impactos. O tema tem alcance amplo, impactando mais de 20 milhões de negócios, o que representa cerca de 90% das empresas brasileiras.
A partir deste ano, essas empresas terão a obrigatoriedade de emitir nota fiscal eletrônica (NF-e) em todas as vendas, inclusive para pessoas físicas, e atualização de cadastros. 
Um dos principais desafios desse processo é o operacional, com a exigência da migração do sistema manual para o digital.
Os empreendedores também terão que lidar com a substituição dos tributos (ICMS, ISS, PIS, Cofins) pelos novos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), tributos que, juntos, formarão o IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado) brasileiro. Essa consolidação de impostos vai exigir a atualização de sistemas de gestão, os ERPs, que integram todos os processos e dados de uma empresa. 
“As empresas terão de conviver com regras paralelas por algum tempo. A transição envolve múltiplas mudanças simultâneas e depende de regulamentações que ainda estão sendo detalhadas”, explica a advogada tributarista Anna Dolores Sá Malta.
Ela ressalta que para micro e pequenas empresas a exigência de destacar IBS e CBS nas notas fiscais pode representar custo extra com softwares e suporte técnico, além do risco de erros operacionais.
Embora a implementação total ocorra apenas em 2032, é importante acompanhar passo a passo das atualizações para não travar as operações durante a mudança. 
Quem ainda faz tudo em planilhas ou no papelzinho vai sofrer para acompanhar as novas regras, alíquotas e obrigações. A reforma é um avanço necessário, mas exige ação imediata das empresas”, avalia. 

Impacto também para quem é MEI

Para a professora Estela Maris Reiff, coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Uniasselvi, o grande desafio é operacional deve impactar mais fortemente o Microempreendedor Individual (MEI), que precisará aprender a utilizar um software que emita nota fiscal eletrônica. “É como passar de um sistema manual para um sistema digital e obrigatório”, avalia.
Também será necessário reservar dinheiro para se capacitar e, possivelmente, para pagar um contador devido à necessidade de uma análise do negócio. É fundamental que, durante o processo de adaptação, se converse com um contador, pesquise qual software vai usar e quanto vai investir. 
Sobre aumento de impostos, ela explica que hoje um MEI paga entre R$ 71 e R$ 76 por mês e continuará pagando praticamente a mesma coisa em 2026. Entre 2027 e 2028 haverá um período de transição onde ele pagará impostos antigos e novos simultaneamente.
Além disso, o MEI deve estar atento a um impacto indireto importante: seus fornecedores e insumos sofrerão alterações de preços durante a transição da reforma tributária, especialmente nos próximos dois anos, quando haverá recolhimento duplo de impostos.
“Isso significa que os custos de produção do MEI tenderão a aumentar nesse período, exigindo uma revisão cuidadosa da precificação de seus produtos ou serviços para manter a margem de lucro”, avalia. Para a professora, inclusive, há um risco de que o aumento da burocracia desestimule a formalização. 
Anna Dolores destaca que setores de serviços, indústrias com operações interestaduais e empresas do Simples Nacional podem enfrentar adaptações mais complexas, seja pela perda de benefícios atuais, seja pela necessidade de integrar sistemas e processos diferentes.

Revisão de processos

O contador Alessandro Ayres, CEO da Ayres Contabilidade avalia que a reforma é vista como um realinhamento estrutural, indo além da simples substituição de tributos e exigindo uma revisão profunda dos processos internos das empresas, como logística, faturamento, contratos, cadastros.
“Não é apenas uma alteração legal. A reforma mexe na lógica do funcionamento fiscal das organizações e exige que cada operação seja redesenhada com muito mais cuidado. Vamos conviver com dois sistemas ao mesmo tempo, e esse período exige maturidade técnica. O risco não está apenas no cálculo do imposto, mas na classificação precisa das operações durante a transição”, avalia. 
Ele acrescenta que a mudança é observada por investidores internacionais como uma possível redução de barreiras históricas, o que pode reposicionar o Brasil no cenário competitivo global.

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