Vício em bets e juro alto sugam poupança dos brasileiros, diz pesquisa
Envato
São Paulo - A expansão das plataformas de apostas combinada aos juros ainda altos no país - Selic foi reduzida para 14,5% ao ano ontem - tem funcionado como um 'ralo digital' e drenado rapidamente as economias dos brasileiros. É o que aponta pesquisa recente produzida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar) e da FIA Business School.
Segundo o levantamento, o fenômeno vai muito além de uma mudança pontual de comportamento.
O impacto desse movimento foi suficiente para neutralizar, quase por completo, a injeção de liquidez promovida pelo Estado durante a pandemia de Covid-19, aponta a pesquisa. Entre os efeitos dessa perigosa combinação de fatores na economia, se observa que, mais do que reduzir o consumo, as famílias estão utilizando reservas financeiras para pagar contas fixas.
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Somado a isso, a facilidade do Pix tem viabilizado transferências imediatas, seja para apostas ou para cobrir dívidas pressionadas pelos juros elevados.
Outro ponto importante identificado pelos pesquisadores é que os recursos destinados às plataformas de apostas não retornam à economia produtiva.
O estudo, elaborado com base em 179 observações mensais, a partir de dados do BC, identificou o início desse choque estrutural em janeiro de 2022.
Comprometimento da renda
Outro estudo, esse da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, revela que a expansão das apostas de quota fixa já alcançou 39,5 milhões de brasileiros nos últimos 12 meses. Desse universo, 7,5 milhões dos apostadores (19%) reconhecem ter comprometido parte da renda com essa modalidade de jogo.
Diante do crescente endividamento dos apostadores, tem avançado também o número de decisões judiciais condenando as casas de apostas à devolução de valores a apostadores.
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Recentemente, uma casa de aposta foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco a devolver mais de R$ 200 mil a um usuário.
A questão será tema de debate na capital federal, entre os dias 5 e 6 de maio, durante o CGS Brasília, evento focado na indústria de iGaming, apostas esportivas e jogos na América Latina. Em especial, no painel “Responsabilidade Civil no Setor de Apostas: Limites Legais e Posicionamento em Tribunais”.
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