Casa onde Mané Garrincha morou em Pau Grande, no Rio, está à venda
Reprodução/CBF
Nova York — Há casas que valem mais pelo que carregam de memória do que pelo tamanho do terreno, pelo número de quartos ou pela localização. A casa de Mané Garrincha, em Pau Grande, distrito de Magé, no Rio de Janeiro, é uma delas. Foi ali, na esquina da Rua Demócrito Seabra, a cerca de 55 quilômetros da capital, que viveu boa parte de sua vida um dos maiores jogadores da história da seleção brasileira.
O imóvel está à venda. O valor da casa não foi informado. Mas os interessados estão comprando um pedaço da história do futebol brasileiro.
A casa não é museu nem foi transformada em ponto turístico. Mas, na prática, funciona como um lugar de passagem quase obrigatória para torcedores, curiosos e admiradores de Mané. Quem chega a Pau Grande costuma procurar o endereço onde viveu o “Anjo das pernas tortas”. A cidade não é turística, mas foi onde Garrincha nasceu e viveu. Isso diz muito. Na entrada da residência, de paredes brancas, há uma grande pintura com o rosto do jogador.
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A história de Mané Garrincha no futebol é muito maior do que os bens que ele deixou para filhos e netos. Ainda assim, aquela casa tem valor simbólico. É um pedaço físico da vida de um jogador que nasceu simples, encantou o mundo e nunca perdeu a ligação com a sua origem. Garrincha gostava da cidade, da sua casa, do canto dos passarinhos e da vida longe da pose dos grandes ídolos.
Neta do jogador fez o 'anúncio' em meio à Copa
O imóvel pertence a Alexsandra Santos, uma das netas do jogador. Pessoas ligadas ao Botafogo, clube pelo qual Garrincha atuou de 1953 a 1965 e se tornou o maior ídolo, receberam uma mensagem pedindo ajuda para divulgar a venda da casa. No texto, Alexsandra informa que o imóvel fica "bem localizado, em área residencial e tranquila da cidade". Ela também se dispõe a mostrar a residência para interessados mediante agendamento. Junto com a mensagem enviada por WhatsApp, há fotos e vídeos da entrada do imóvel e da esquina onde está localizado. O pedido é para que o anúncio circule entre botafoguenses, mas também a qualquer pessoa interessada em adquirir um imóvel ligado diretamente à história de um dos principais nomes do futebol brasileiro. Garrincha é uma lenda.
Ele ganhou a casa depois da conquista da Copa do Mundo de 1958, a primeira da seleção brasileira. Ao lado de Pelé, ajudou o Brasil a construir uma das parcerias mais simbólicas do futebol nacional. Os dois nunca perderam juntos com a camisa do Brasil e foram campeões mundiais em 1958 e 1962.
A Copa de Garrincha foi a de 1962
Foi no Chile, em 1962, que Garrincha viveu seu momento mais grandioso com a camisa da seleção. Pelé se machucou durante a competição, e o ponta-direita assumiu o protagonismo do time. Conduziu a seleção ao bicampeonato e foi o protagonista daquela edição. Poucos jogadores foram tão decisivos em um Mundial quanto ele no Chile.
Dentro de campo, Garrincha foi talvez o maior driblador da história do futebol. Ponta-direita de pernas tortas, corpo leve e improviso impossível de copiar, transformava marcadores em personagens secundários. Jogava como se o futebol fosse uma pelada nos campinhos de Pau Grande.
Garrincha morreu em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, em decorrência do agravamento de problemas ligados ao alcoolismo crônico, que culminaram em cirrose hepática. Sua trajetória, marcada por genialidade, drama, encantamento e tristeza, foi contada de forma definitiva pelo jornalista Ruy Castro na biografia “Estrela Solitária”.
A lembrança de Garrincha também conversa, de alguma forma, com o Brasil de Carlo Ancelotti nesta Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá. A seleção vive dificuldades justamente pelo lado direito do ataque, posição em que o ídolo brilhou como poucos. Raphinha começou pelo setor, mas se machucou. Rayan ganhou espaço na disputa com Luiz Henrique, mas ainda não mostrou muita coisa. Nenhum deles, naturalmente, se compara a Garrincha.
Alexsandra é uma das netas do jogador, que teve 14 filhos reconhecidos com seis mulheres diferentes. A mais conhecida de suas companheiras foi a cantora Elza Soares, que morreu em 2022. Agora, a casa de Pau Grande, onde parte dessa história passou, procura um novo dono.
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