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Ancelotti abre treino ao público e revive capítulo marcante da seleção

Reprodução/CBF

Dunga mostra a bandeira do Brasil em treino no bairro de Soweto na Copa de 2010 - Reprodução/CBF
Dunga mostra a bandeira do Brasil em treino no bairro de Soweto na Copa de 2010
Por Robson Morelli

03/06/2026 | 15h16

São Paulo - Nesta quarta-feira, a seleção brasileira faz um treino para brasileiros e americanos que moram em New Jersey. É o que a Fifa chama de "Community Day". Ela exige que as equipes recebam os moradores das regiões onde estão baseadas nas Copas do Mundo. Isso começou na edição da África do Sul, em 2010. Aquele foi o primeiro Mundial no continente africano. Os portões do treino são abertos e o técnico Carlo Ancelotti trabalha aos gritos dos torcedores. Há, claro, uma limitação dentro do centro de treinamento do NY Red Bull

A CBF é quem organiza tudo isso, com a ajuda do policiamento americano. É um momento que a Fifa regulamentou para "agradecer" pelo carinho e compreensão de ter o bairro "invadido e bagunçado" pelo futebol com a presença da seleção.

Na casa de Nelson Mandela na África do Sul

O Brasil viveu isso de maneira histórica em Johanesburgo em 2010. Portanto, dezesseis anos atrás, quando fez um treino no lendário bairro de Soweto. Foi o primeiro e único treino aberto da seleção de Dunga naquele Mundial.

Havia milhares de torcedores sul-africanos para festejar o time naquele dia de junho de 2010. Aquilo era uma novidade para eles. A organização distribuiu dez mil ingressos. O treino foi marcado para o Estádio Dobsonville, um campo acanhado encravado no meio de Soweto. O bairro é mundialmente conhecido por ter sido o centro da resistência negra durante o regime de segregação racial do apartheid.

A Copa da África do Sul teve outra particularidade: as vuvuzelas, que faziam um barulho ensurdecedor quando assopradas ao mesmo tempo dentro de um estádio. Havia também canções e coreografias típicas dos sul-africanos. A seleção brasileira chegou em Soweto em um ônibus cercado por batedores e seguranças, numa comitiva que percorreu as ruas do bairro sempre sendo saudada pelos moradores com sorrisos largos e acenos de mão.

Soweto: um bairro da resistência ao apartheid

O bairro de Soweto foi registrado em muitos filmes cinematográficos que retratam aquele período da história do país e da humanidade. Foi lá que morou Nelson Mandela. A casa do líder negro, detido por 27 anos na prisão de segurança máxima de Robben Island, antes de ser solto e eleito presidente da África do Sul, é um dos patrimônios históricos do país. Virou museu.

O apartheid caiu em 1994, mas o bairro continua sendo de moradores negros. Aquela Copa do Mundo levou à região um pouco de modernidade e novas reformas estruturais, como estações de ônibus e ruas ampliadas. Nelson Mandela ainda estava vivo quando a bola rolou. Ele esteve na cerimônia de abertura no Estádio Soccer City, para ver, já de cadeira de rodas, a partida de empate por 1 a 1 entre África do Sul e México. Vale lembrar que a seleção sul-africana era dirigida pelo técnico Carlos Alberto Parreira.

Dunga visitou a casa onde morou Nelson Mandela em Soweto. O treinador fez questão disso. Ele esteve com um pequeno grupo da seleção brasileira na famosa Vilakazi Street, única rua do mundo onde morou dois vencedores do Prêmio Nobel da Paz: Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu. Dunga distribuiu bolas e camisas do Brasil para as crianças.

Depois do treino aberto desta quarta-feira do Brasil em New Jersey, a seleção de Carlo Ancelotti vai se "trancar" nos Estados Unidos para a Copa do Mundo. Não haverá muitos acessos ao time durante os treinamentos, tampouco os jornalistas terão acesso às escolhas do treinador antes das partidas a não ser que ele informe nas entrevistas, geralmente antes e depois dos jogos. O Brasil fará um último amistoso no sábado, contra o Egito, e depois foca sua atenção para a estreia diante do Marrocos, no dia 13, em New Jersey.

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