Ancelotti pode reviver em Neymar o que foi Baresi para a Itália na Copa de 94
Reprodução / CBF
São Paulo - O que Baresi e Neymar têm em comum? Por enquanto nada. Mas podem ter. Carlo Ancelotti era auxiliar técnico de Arrigo Sacchi na Itália na Copa do Mundo de 1994, quando o Brasil festejou o tetra nos Estados Unidos contra os italianos na primeira final de Mundial disputada nos pênaltis.
Ancelotti era um aprendiz de técnico e ainda longe de ser o profissional que se tornou nos clubes europeus e no seu próprio Milan, antes de ganhar tudo no Real Madrid e desembarcar aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, para assumir a seleção brasileira.
O drama da Itália com a lesão de Baresi
Nos Estados Unidos de 1994, debaixo do mesmo calor escaldante que os jogadores vão encarar nesta Copa, Ancelotti viu a volta por cima de um dos melhores zagueiros que a Itália já teve, Franco Baresi. Baresi era um líbero e referência na posição. Defendia e ajudava a quebrar as linhas dos inimigos. Era uma força da natureza daquela Azzurra. Mas ele se machucou durante a Copa e o céu se fechou para a Itália.
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O menisco gritou e a Copa acabou para Baresi num primeiro momento. Até o papa lamentou. O que aconteceu depois disso, com o testemunho de Ancelotti, foi um milagre. O jogador foi submetido a uma cirurgia, fez fisioterapia intensiva para uma lesão que levaria até oitos semanas para se curar e voltou para a grande final da competição contra o Brasil. A história de superação é contada na Itália desde então. Ele próprio fala dela em suas palestras. Baresi tem hoje 66 anos.
Mas voltar a jogar aquela Copa foi apenas uma parte do "Milagre de Baresi" nos Estados Unidos. A outra seria marcar na finalíssima a dupla brasileira formada por Romário e Bebeto. O zagueiro italiano não só deu conta do recado como levou a decisão para a disputa dos pênaltis e se colocou à disposição de Sacchi e Ancelotti para fazer a primeira cobrança dos italianos.
Ancelotti viveu Baresi e agora vive Neymar
Aquilo parecia absurdo para um jogador recém-operado durante uma Copa do Mundo. Mas Baresi errou a sua cobrança contra Taffarel, assim como Roberto Baggio na última cobrança. E o Brasil foi campeão em cima de Carlo Ancelotti.
Décadas depois, Ancelotti pode repetir o feito de Baresi na seleção brasileira com Neymar. O atacante foi para os Estados Unidos, onde a delegação desembarcou na manhã desta terça-feira, com o atacante machucado na panturrilha direita. Neymar vai passar por um processo de recuperação e só deverá ser usado depois da fase de grupos, numa estimativa mais segura e confiável para não perdê-lo novamente.
Portanto, ele "assistirá" aos jogos do Brasil sem poder ajudar, assim como Baresi em 1994. O italiano se machucou na segunda rodada daquele Mundial. Mas jamais se entregou. Órfão cedo, o zagueiro sempre soube enfrentar a dureza da vida de peito aberto. Ele e suas irmãs mais velhas.
Neymar sempre foi mimado. Antes pelos pais e depois pelos "parças". Mas ele tem a chance de se provar um "Baresi". Pronto e curado, poderá ser esse jogador capaz de mudar a história das partidas do Brasil nos Estados Unidos quando a coisa apertar. Ancelotti já viveu isso antes.
Neymar tem o mesmo significado para a seleção brasileira que Baresi tinha em 1994 para a Itália. E também a mesma idade: 34 anos. Ancelotti já viu isso acontecer uma vez, apesar do fracasso na final. Ele acredita que Neymar possa ser esse diferencial na reta final da competição, como titular ou entrando no intervalo, com 45 minutos para mudar um jogo e ajudar.
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