Neymar vê a Copa começar de um lugar que conhece bem: a sala de fisioterapia
Reprodução/CBF
São Paulo - Não é exatamente uma novidade na carreira recente de Neymar. Nos últimos meses, a cena se repetiu no Santos. Enquanto o time entrava em campo, o atacante permanecia na academia, entre exercícios de fortalecimento, aparelhos e sessões de recuperação. A explicação quase sempre era a mesma: controle de carga, cuidado muscular e prevenção.
Agora, a história se repete nos Estados Unidos. Enquanto a seleção brasileira viaja para Cleveland para enfrentar o Egito, no último amistoso antes da Copa do Mundo, Neymar ficará no hotel em Basking Ridge. Não haverá viagem, fotos no estádio ou expectativa de alguns minutos em campo. Seu compromisso será outro: seguir à risca o tratamento na panturrilha direita, lesão que ainda o deixa fora de combate.
Leia também
Desde que desembarcou em um dos países-sede da Copa, Neymar não calçou as chuteiras. Ele também não participou das atividades com bola no Centro de Treinamento Columbia Park, do New York Red Bulls, em Morristown. O roteiro foi desenhado para evitar qualquer risco de recaída. A prioridade é uma só: chegar à Copa. São oito partidas até a final no dia 19 de junho.
A comissão técnica trata o caso com cautela. Carlo Ancelotti não tem pressa. Rodrigo Lasmar e os fisiologistas acompanham cada etapa da recuperação bem de perto. O atacante trabalha em dois períodos, longe dos holofotes, numa rotina silenciosa que contrasta com o tamanho de sua figura dentro da seleção. Nesta quinta, o volante Fabinho disse que ele está bem e feliz.
O Neymar está bem, feliz, é importante tê-lo com a gente, é um líder, não fez parte desse processo entre Catar e EUA, teve uma lesão grave. Ele faz bem ao ambiente, está feliz. O ambiente está bom e ele ajuda como pode. Esperamos que se recupere 100% e esteja disponível para nos ajudar em campo.
Pela primeira vez em muitos anos, o Brasil não parece depender de Neymar para começar uma Copa do Mundo. O time foi montado para seguir seu caminho nos Estados Unidos, Canadá e México independentemente da presença do camisa 10. Isso não diminui sua importância. Apenas muda o cenário.
Neymar continua sendo uma liderança do grupo, alguém ouvido pelos companheiros e respeitado pela comissão técnica. Mas, desta vez, o roteiro não gira ao seu redor. A expectativa é que ele também não esteja disponível para a estreia contra Marrocos. Um retorno na terceira rodada da fase de grupos, diante da Escócia, aparece como uma possibilidade mais realista. Se isso acontecer, e se o Brasil confirmar a classificação, o atacante ainda teria uma longa estrada para ajudar na competição.
A própria experiência recente no Santos alimenta esse otimismo. Depois de períodos de recuperação e controle físico na Vila Belmiro, Neymar conseguiu emendar sequências importantes de jogos, alguns deles no sacrifício. A aposta da seleção é essa: abrir mão da pressa para ganhar um jogador inteiro quando os jogos realmente passarem a valer tudo ou nada. Até lá, a Copa começa sem ele em campo. Mas não sem a sua presença no torneio.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.