Marcio Atalla volta à TV e propõe reduzir idade funcional para a longevidade
Acervo pessoal/Marcio Atalla
São Paulo - Conhecido nacionalmente desde o sucesso do quadro 'Medida Certa', exibido pela TV Globo em 2011, o educador físico Marcio Atalla se prepara para voltar às telas com novo projeto voltado ao envelhecimento saudável. Ainda este ano, ele estreia no programa Domingo Espetacular, da Record, um quadro sobre longevidade e qualidade de vida.
"É um programa novo, mas eu tenho ele formatado há cinco anos. Tentei emplacar em outros lugares, e a primeira resposta que eu tive foi: 'Não, isso é para velho, a gente quer trazer gente nova para a TV'. E sempre que eu recebia um convite para fazer TV aberta, eu falava 'só faço se for esse programa e do meu jeito'. Sem essas interferências. Até que este ano a Record acreditou", contou em entrevista exclusiva ao VIVA.
Diferentemente da produção anterior, que era focada no emagrecimento, esse novo quadro pretende discutir a longevidade sob uma perspectiva mais ampla. Para isso, os participantes passarão por análises iniciais de saúde, com direito a avaliações físicas, exames laboratoriais e do cérebro, que serão refeitas após um período de desenvolvimento de novos hábitos.
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Atalla afirma que o foco principal será avaliar a saúde tendo como ponto de partida não apenas a idade cronológica e biológica, mas também o que ele chama de idade funcional. Ele explica que essa avaliação considera fatores como capacidade cardiorrespiratória, força muscular e equilíbrio, dentre outros fatores preditores de longevidade. "Isso importa para saber com que qualidade você vai envelhecer", explica.
A expectativa é mostrar que mudanças relativamente simples podem gerar impactos importantes em poucos meses. "E se em três meses mudando os hábitos do participante eu conseguisse reduzir essa idade funcional? Além dele ter muito mais disposição e qualidade no dia, a chance dele adoecer nos próximos 10 anos será 50% menor."
Além da atividade física, o quadro abordará fatores que aceleram o envelhecimento, como estresse, tabagismo, excesso de açúcar, álcool e privação de sono.
O programa trata de mostrar que o envelhecimento tem a parte biológica, que a gente pode reverter um pouquinho, mas a parte funcional está na nossa mão."
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Mudanças geracionais
O tema da longevidade acompanha a trajetória profissional de Atalla há décadas. Para ele, envelhecer bem vai muito além de viver mais tempo. "Quando a gente fala em longevidade, a gente quer viver esses 80, 90, 100 anos com autonomia", destaca.
Se a gente consegue envelhecer com autonomia, com uma boa capacidade cognitiva e ainda ter senso de propósito, isso é um envelhecimento padrão ouro."
Ele pondera que a atividade física segue como um dos pilares centrais da saúde física e cognitiva, mas ressalta que a diminuição do movimento espontâneo na rotinha mudou drasticamente nas últimas décadas e vem prejudicando a todos, mesmo quem pratica exercícios por algumas horas durante a semana.
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Até o final da década de 80, por uma questão do nosso meio ambiente, o ser humano naturalmente dava 10 mil passos por dia. Ele dava movimento para o corpo. O nosso corpo responde bem ao movimento".
Nesse ponto, ele compara com as regiões típicas de centenários, as chamadas "Blue Zones", normalmente áreas menos urbanizadas ou com mais centros de lazer comunitários, onde, em média, a população faz mais caminhadas, como "um movimento natural, sem pensar."
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Para Atalla, o maior desafio atual é justamente transformar o exercício em hábito consciente.
"Essa nossa geração tem um desafio gigantesco, porque como a gente tem muita tecnologia, esse movimento não é mais natural para a grande maioria das pessoas. A população rural diminuiu muito, a população urbana aumentou, e hoje a média de passos de brasileiro chega perto de três mil passos. É muito pouco. Essa é a primeira geração que vai ter que colocar o movimento de uma maneira consciente na vida, programar um tempo para fazer corrida, ir a uma academia."
Nesse sentido, ele diz que o modelo predominante nos ambientes de academia cria barreiras para o público acima dos 60 anos. "Como hoje grande parte das academias são essas low cost, que são muito bem equipadas, mas tem pouca orientação profissional, a pessoa não sabe nem como mexer (no aparelho). Não é uma geração que está acostumada com esses aparelhos e isso afasta muita gente."
O Brasil hoje já tem mais gente acima de 60 anos do que abaixo de 15, quem focar nesse público, num trabalho acessível, tem um grande mercado aí."
Espiritualidade e pets
Fora das telas, Atalla diz que tenta manter uma rotina equilibrada, com disciplina de horários, convivência com amigos e limites no uso da tecnologia. "Eu tento lutar contra essa coisa de excesso de informação e internet. Então eu vou criando regras, porque eu consigo perceber que quando eu estou muito conectado eu fico estressado", revela.
Ele também afirma que espiritualidade e coerência pessoal se tornaram aspectos importantes no seu próprio processo de envelhecer bem. "Sobre espiritualidade, eu falo o seguinte: meu eu interior, que eu acredito, tem que ser muito igual ao eu exterior. Porque senão eu vou sofrer. Isso está muito normalizado nessa época de Instagram, a pessoa é uma coisa na imagem, outra coisa em pessoa."
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"O que eu tenho de valor para mim e com os outros é o que eu tento praticar. Porque acho que isso é o que vai fazer a maior diferença no envelhecimento. Quando você envelhece se estressando, aquilo não faz sentido, é um desgaste muito grande."
Ao falar sobre felicidade e propósito, o educador físico afirma valorizar as alegrias do cotidiano.
"As três coisas realmente que dão felicidade no dia são estar com o meu cachorro, ir para a academia, encontrar amigos".
Ele conta que pratica tênis há 32 anos com o mesmo professor, "então é ir lá bater um papo com ele, é receber uma pessoa aqui na clínica. Isso eu não posso abrir mão no meu dia".
Constantemente, Atalla é questionado para ampliar a agenda de palestras e trabalhos online, mas diz que evita comparações com o mundo dos influencers e busca escolher os trabalhos por afinidade.
"Não é porque você tem um monte de gente que está fazendo uma coisa ali que você tem que fazer. Você é tem que buscar fazer aquilo que faz sentido, que está no seu propósito."
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