Consórcio para viagem: como funciona e quando vale a pena
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São Paulo - Sabe aquela viagem com a qual você sonha há anos, mas que nunca coube no orçamento? O consórcio pode ser uma alternativa para viabilizar esse plano, com parcelas mensais e previsibilidade.
Embora seja um mecanismo mais conhecido para a aquisição de carros e imóveis, diversas administradoras passaram a oferecer a modalidade de consórcio de serviços, que inclui não apenas viagens, mas também pequenas reformas de casas, procedimentos estéticos, festas e eventos, entre outros.
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No consórcio para turismo, o valor pode ser usado para passagens, hospedagem e passeios. De acordo com a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC), a adesão começa por um valor estimado dessa viagem, e o contrato não especifica como o valor será utilizado. Inclusive, a destinação pode ser alterada no momento do uso, desde que também seja para serviços.
Você entra com base em um valor que faça sentido para a sua viagem, mas o contrato não precisa amarrar destino, roteiro ou detalhes.
Para o consumidor acima de 50 anos, a proposta costuma ser especialmente atraente: transformar a viagem — muitas vezes projetada para depois da aposentadoria — em um objetivo com planejamento e disciplina.
Como funciona um consórcio?
O conceito de consórcio é relativamente simples. Empresas especializadas, chamadas de administradoras, formam grupos de pessoas interessadas na aquisição de um bem ou serviço por meio da venda de cotas.
O consorciado (pessoa que comprou a cota) passa a pagar todo mês um valor por um período preestabelecido. Há sorteios mensais (contemplações), que podem antecipar a carta de crédito e permitir o uso do bem ou serviço antes do fim do prazo.
As mensalidades dos consórcios são reajustadas anualmente, geralmente seguindo algum índice de inflação.
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Também é possível ao consorciado oferecer lances a cada mês, dando um porcentual do valor do crédito, para receber a carta antecipadamente, sem depender do sorteio. Contudo, tanto neste caso quanto na contemplação, o consorciado deve continuar a pagar as parcelas mensais normalmente até o fim do contrato.
Em consórcios de serviços, em um mesmo grupo podem estar pessoas que pretendem usar o dinheiro para finalidades diferentes.
O valor do crédito almejado também não precisa ser o mesmo para todos. As regras do setor preveem que o menor crédito do grupo seja de até 50% do maior crédito. Em termos práticos, isso significa que, se o menor crédito for de R$ 5 mil, o maior poderá ser de até R$ 10 mil.
Mas o consorciado não recebe o dinheiro em sua conta. Os recursos, após a contemplação, vão diretamente para o fornecedor do serviço, baseado no orçamento apresentado e na nota fiscal.
Para a liberação, a administradora analisa o prestador de serviço escolhido pelo consorciado, verifica a documentação e os dados cadastrais da operação e exige a formalização por meio de proposta ou contrato de prestação de serviço.
Conforme a administradora Embracon, no consórcio de serviços voltado para viagens, os créditos costumam ficar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. E existe a possibilidade de contratar mais de um consórcio para compor o valor total da viagem.
Outro ponto importante é que as administradoras são autorizadas, regulamentadas e fiscalizadas pelo Banco Central. Ou seja, não se trata de um crédito informal: existe uma jornada estruturada, regulada e acompanhada, para assegurar a correta utilização dos recursos.
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Quais as vantagens de um consórcio de viagem?
Uma das vantagens do consórcio para realizar uma viagem é a disciplina da poupança, pois garante que um recurso seja efetivamente separado para esta finalidade e com previsibilidade do desembolso mensal.
De acordo com o CEO da Evoy Administradora de Consórcios, Marcelo Lucindo, o planejamento financeiro permite transformar o desejo em um projeto estruturado. O consórcio possibilita que o cliente organize o roteiro com antecedência e distribua o investimento ao longo do tempo.
Muitas pessoas realizam viagens no impulso e passam meses reorganizando as finanças depois. Quando existe planejamento, o consumidor consegue conciliar experiências de lazer com equilíbrio financeiro”.
Quanto a custos, não é preciso pagar juros — como ocorreria em algum tipo de financiamento, no parcelamento com uma agência de viagens ou no cartão de crédito. O que incide sobre o consórcio é a taxa de administração, diluída nas parcelas ao longo do período de vigência do contrato. O valor varia e está condicionado ao prazo. Segundo a ABAC, a taxa média é de 0,44% ao mês do valor total do crédito, considerando um prazo médio de 47 meses.
Também conta a favor do consórcio a possibilidade de usufruir dos recursos antes do fim do prazo, em caso de contemplação ou com um lance — algo que não ocorreria apenas poupando mensalmente.
Thiago Guerra, vice-presidente comercial da Embracon, acrescenta que o pagamento do crédito tende a ocorrer à vista, o que pode aumentar o poder de negociação com fornecedores formais. Além disso, o consorciado tem liberdade de escolher onde aplicar o dinheiro, já que o consórcio não está vinculado a um destino ou pacote específico.
O executivo acrescenta ainda a flexibilidade: se a pessoa contrata o consórcio pensando em viagem mas muda de plano ao longo do tempo, pode usar o crédito para outro serviço, desde que o fornecedor apresente nota fiscal ou contrato para a administradora.
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Quando o consórcio não é interessante
A modalidade não é interessante para quem tem planos de curto prazo e não quer esperar para fazer a viagem, uma vez que o prazo de um consórcio pode variar de 12 a 60 meses.
Não ter pressa é uma das primeiras condições para quem se interessa por esse sistema. Na avaliação de Guerra, o público que adere ao consórcio também está alinhado a uma tendência mais ampla de consumo: a priorização de experiências, combinada a uma maior consciência financeira.
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Outra questão a ser levada em consideração é que, no consórcio, caso a pessoa mude de ideia e queira desistir, a devolução de valores é demorada e envolve descontos: são cobrados taxa de administração e fundo de reserva, além de multa por quebra de contrato.
Neste caso, existem alternativas como a venda da cota para terceiros ou a renegociação com a administradora para reduzir o crédito e a cota, se o problema for dificuldade financeira.
Outro ponto negativo, na comparação com um investimento tradicional, é que os recursos não ficam disponíveis, caso surja uma emergência.
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Vantagens dos consórcios de viagem
- Previsibilidade no orçamento: parcelas mensais ajudam a encaixar a viagem no planejamento.
- Sem juros: o custo vem da taxa de administração e regras do grupo, não de juros como no crédito tradicional.
- Flexibilidade de escolha depois: destino, datas e padrão podem ser definidos no momento de usar o crédito.
- Disciplina financeira: para muitos consumidores maduros, o compromisso mensal reduz a chance de “furar” a poupança.
Desvantagens e pontos de atenção
- Não é solução para viagem urgente: se a ideia é viajar “nos próximos meses”, o consórcio pode não atender.
- Não é pacote pronto: você não compra uma viagem fechada; você compra um crédito para contratar os serviços depois.
- Exige atenção ao contrato: prazos, regras de lance, taxas, critérios de uso e fornecedores precisam ser bem compreendidos.
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