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Corpus Christi: conheça a tradição dos tapetes coloridos e saiba onde ver

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Pessoa confeccionando um tapete de serragem em Santana de Parnaíba - Adobe Stock
Pessoa confeccionando um tapete de serragem em Santana de Parnaíba
Por Alessandra Taraborelli

01/06/2026 | 17h58

São PAulo - Na próxima quinta-feira é dia de Corpus Christi, festa católica que celebra o mistério da Eucaristia — o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo. Uma das tradições dessa data, especialmente no Brasil e em Portugal, é a confecção dos tapetes de serragem colorida nas ruas por onde passa a procissão religiosa.

Comunidades inteiras se unem para desenhar e preencher o chão com motivos religiosos, figuras geométricas e mensagens de fé, utilizando também materiais como borra de café, sal e flores. Essa prática secular transforma as vias públicas em verdadeiras galerias de arte a céu aberto, expressando a devoção coletiva e o espírito comunitário antes que o cortejo passe, desmanchando as obras em um ato de desapego e reverência.

Onde ver os tapetes de serragem

Entre os locais mais famosos para conferir essa tradição, estão:

Santana de Parnaíba (SP): Uma das cidades mais famosas no Brasil por seus quilômetros de tapetes que tomam conta de todo o centro histórico.

Itapecerica da Serra (SP): Conhecida pelos tapetes montados pelas ruas do entorno do Santuário de Nossa Senhora.

Região Central de São Paulo e Grande ABC: Diversas paróquias montam corredores ornamentados com serragem e outros materiais, como pó de café e casca de ovo.

Ouro Preto (MG): As ladeiras barrocas são cobertas por mais de 2 km de desenhos feitos com serragem, flores e pedrinhas entre as igrejas do Pilar e da Conceição.

São João del Rei (MG): Os tapetes coloridos enfeitam o famoso centro histórico da cidade.

Castelo (ES): Conhecido nacionalmente pela grandiosidade e detalhes artísticos de seus tapetes.

Curitiba (PR): Mais de uma centena de paróquias se mobilizam para montar os tapetes pela cidade.

Como participar da montagem

Muitas paróquias solicitam doações de serragem, tampinhas de garrafa e pó de café seco para preparar o material, além de solicitar voluntários para a confecção dos tapetes. Para saber o ponto exato da procissão na rua que escolher, verifique a programação da diocese ou igreja católica mais próxima. 

Como surgiu a tradição

A tradição de decorar as ruas começou na Europa, mas o formato que conhecemos hoje ganhou força em Portugal (especialmente na região dos Açores) antes de vir para o Brasil.

Na Idade Média, as procissões religiosas ganharam as ruas e os fiéis começaram a jogar pétalas de flores e ramos pelas vias onde o cortejo passava, inspirados na passagem bíblica da entrada de Jesus em Jerusalém. Com o tempo, essa prática evoluiu para desenhos elaborados no chão.

No Brasil, o costume foi trazido pelos colonizadores portugueses. O registro mais antigo dessa tradição por aqui remonta a 1733, na cidade histórica de Ouro Preto (MG), durante as festividades barrocas.

Como as flores nem sempre eram abundantes ou baratas para cobrir extensas ruas, o povo brasileiro adaptou a tradição usando a serragem (repassada por carpintarias locais), que era facilmente tingida com pigmentos. Com criatividade, adicionaram também borra de café, sal grosso colorido, cascas de ovos e areia.

Para os católicos, os tapetes não são apenas decoração; eles representam um tapete real estendido para a passagem do próprio Jesus Eucarístico (conduzido pelo sacerdote). Por isso, ninguém pisa nos desenhos até o momento em que a procissão passa.

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