Trancistas fortalecem autoestima e identidade de mulheres pretas
Acervo pessoal/Cris Mendes
São Paulo - O cabelo crespo e os penteados afro foram alvo de preconceito no Brasil por décadas, mais uma marca do racismo. Nos últimos anos, porém, o movimento de valorização da beleza negra ganhou força e ajudou muitas mulheres a assumirem seus cabelos. Com isso, as trancistas têm desempenhado um papel importante na estética e na construção da autoestima.
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Para a trancista Cris Mendes, de 57 anos, as tranças ajudam a valorizar o cabelo natural das mulheres negras.
Apesar de, como cabeleireira, também trabalhar com alisamento, não concorda que seja feito no cabelo crespo e defende os fios naturais ou em tranças.
Ela trabalha na área há cerca de 40 anos e nesse tempo percebeu que os cabelos das mulheres com mais de 50 anos mudam após a menopausa. “Elas estão sofrendo, e aí entram as tranças. Colocando tranças e cabelo armado para cima fica muito lindo.
A profissional nota que a nova geração adotou o penteado, assumindo o visual afro: "Os jovens hoje assumiram muito isso de mostrar a beleza do trançado. Acho muito bacana ter essa preocupação”, afirmou.
A cabeleireira e trancista Viviane Ferreira, de 45 anos, concorda e destaca o trabalho como diretamente ligado ao fortalecimento da autoestima feminina.
O meu trabalho é empoderamento, antes de mais nada. O mais importante na minha profissão é poder ajudar outras mulheres a reconhecerem que são bonitas”.
Tradição de gerações
Trançar o cabelo, para mulheres pretas, é uma tradição passada de geração para geração. Cris Mendes aprendeu a trançar com a avó e treinava nos cabelos das irmãs desde os 7 anos. Já Viviane Ferreira começou no ofício por que quis trançar o cabelo crespo da filha: “sempre gostei de mexer com o meu próprio cabelo, porém nunca pensei que eu ia desenvolver para profissão”.
Um exemplo disso é quando mulheres que passaram anos alisando os fios decidem passar pela transição capilar e assumir o cabelo crespo. Viviane conta que muitas clientes recorreram às tranças e ao cacheado como reconhecimento do próprio cabelo.
No dia a dia do salão de beleza, o trabalho muitas vezes vai além do cuidado com o cabelo e se torna também um espaço de conversa e acolhimento.
“Vejo meu trabalho não só como estética capilar, mas um tratamento geral, porque aqui a gente conversa, eu acabo participando muito da vida delas. A gente acaba construindo uma ajuda ao construir uma identidade mais firme, mais segura”, disse Viviane.
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