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Conheça a história da bailarina que transformou dança em cura

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Após perder o marido, a dança se tornou uma cura para Heloisa Gouvêa - Divulgação
Após perder o marido, a dança se tornou uma cura para Heloisa Gouvêa
Por Alessandra Taraborelli

29/04/2026 | 08h37

São Paulo - Neste 29 de abril é comemorado o Dia Mundial da Dança. Uma data que tem a ver com cura para Heloisa Gouvêa, que está prestes a completar 70 anos e trabalha com dança desde os 14 anos de idade.

A data comemorativa foi instituída em 1982 pele Comitê Internacional da Dança (CID) da Unesco, com o objetivo de celebrar a dança como arte universal, promover a diversidade e homenagear Jean-Georges Noverre, mestre francês e criador do balé moderno.

Em 31 de outubro de 1996, com 40 anos recém completados, Helô, como gosta de ser chamada, teve um dos seus piores dias. Ela perdeu o marido, Luiz, no trágico acidente do voo 402 da TAM, quando o Fokker 100 caiu segundos após decolar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro. O acidente resultou na morte de 96 pessoas a bordo e três em solo.

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À época, com três crianças pequenas, ela não teve muito tempo de viver o luto, sabia que precisaria continuar trabalhando para sustentá-los. "Eu parecia uma alma penada. Acordava, tomava remédio para dormir, outro para acordar, mas eu sabia que a vida tinha que continuar com três filhos, uma de sete, um de 13 e outro de 14 anos. Não podia desistir”, conta.

Helô Gouveia, bailarina
Heloisa Gouveia criou o método Wlak Dance, que combina atividades leves com dança - Divulgação

Helô, como prefere ser chamada, avalia que a dança a salvou por duas vezes. A primeira foi mesmo no dia do acidente, quando o marido a convidou para ir junto para o Rio. “Eu tive até a chance de ir com ele nessa viagem. Lembro exatamente o que eu falei: ‘Não, eu tenho que dar aula de dança amanhã'”, revela.

Foi durante o luto que Helô começou a pensar em como a dança estava sendo um remédio para ela, e pensou em como mostrar para outras pessoas esse processo. Foi aí que ela criou o método Walk Dance, que mistura caminhada, dança e expressão corporal. Uma prática leve e cotidiana que aproxima a dança da vida real e convida qualquer pessoa a começar, independentemente da idade ou experiência.

“Consegui me sustentar com isso e quis trazer esse recomeço para as pessoas, para dar a elas a possibilidade de se emocionar e se hidratar de emoção”.

No Walk Dance, a professora evita termos acadêmicos, preferindo adotar uma linguagem do corpo, que pode ser entendida por qualquer pessoa. “Não falo relevé ou plié, hoje eu digo: quadradinho para frente, quadradinho para trás, é uma forma de deixar a dança mais acessível", explica.

O método já conquistou cerca de mil mulheres que passaram pelo estúdio Anacã, formado com a empresária Ana Maria Diniz, cujo objetivo é ser um lugar de acolhimento, liberdade e reconexão com o próprio corpo.

De acordo com a bailarina, a maioria das alunas tem mais de 40 anos, várias com mais de 70 anos. As apresentações , com belos figurinos, também servem de palco para realizar o sonho que elas tinham quando eram meninas e, por alguma situação, tiveram que abrir mão.

Hoje, essas mulheres maduras revelam motivações variadas para começarem na dançar, como a síndrome no ninho vazio, quando os filhos saem de casa; aposentadoria ou viuvez.

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“Você resolve resgatar seus sonhos, cantar, dançar, você tem mais tempo e, às vezes, mais condições financeiras. Nesse momento você vai atrás de um resgate da sua essência. Você se pergunta: o que eu gostava de fazer? Onde eu me perdi?”, diz. E completa: "A arte tem o poder te tornar o ser humano melhor.

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Helô explica que a vontade de dançar é o que importa. “Elas vêm com um discurso se desculpando pelas dificuldades que vão ter. E eu respondo: tudo isso é problema meu. Você não tem ritmo, é problema meu. Você não tem talento, também é problema meu. Você tem dois pés esquerdos, também é problema meu. Você não sabe falar a língua do corpo, também é problema meu. Eu estou aqui para desvendar todos esses mitos e essas imposições de que é necessário ter um corpo ideal. Eu só preciso que você tenha disposição para aprender”, conclui. 

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