Lula chama guerra no Irã de 'maluquice' e faz críticas à ONU
Ricardo Stuckert / PR
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo, 19, que a guerra entre Irã e Estados Unidos é uma "maluquice" e criticou o papel dos governantes com assento no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Lula frisou que o Brasil tem sentido pouco os efeitos do conflito. "O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã. Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo como muitos países estão porque o governo tomou medidas, e o Brasil só importa 30% dos seu óleo diesel", declarou em discurso na abertura da Feira Industrial de Hannover, na Alemanha.
O presidente afirmou ser "urgente" encontrar uma saída para os combustíveis fósseis e disse que o Brasil tem potencial para produzir o "hidrogênio verde mais barato do mundo".
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Segundo Lula, os cinco países integrantes do Conselho da Organização da ONU - Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China - precisam se esforçar pelo fim dos conflitos. “Foi criado o Conselho para que eles mantivessem a paz, a harmonia, para que a gente evitasse repetição da Segunda Guerra Mundial. E hoje o mundo vive a maior quantidade de conflitos da sua história”, afirmou.
É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: ‘Para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?"
Lula repetiu que o mundo gasta US$ 2,7 trilhões com guerras e “nada contra a fome” e a favor de políticas migratórias.
“Por que não decidem destinar o dinheiro que está fazendo guerra, matando e destruindo, para a gente poder cuidar dos milhões de flagelados que estão andando pelo mundo à procura de um país que os receba e, agora, os coitados que procuram sobreviver não são aceitos por parte de nenhum país?”, questionou.
"Guerra via tweet"
O presidente do Brasil disse que o mundo não pode se curvar ao comportamento de um chefe de Estado que acha que pode taxar, punir e fazer guerras por tweet, em referência ao presidente norte-americano, Donald Trump.
Não podemos permitir que o mundo se curve ao comportamento de um presidente que acha que por e-mail ou por tweet ele pode taxar produtos, punir países e pode fazer guerra”.
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Segundo Lula, o Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema econômico com a Alemanha porque tem relação de chefe de Estado com o premiê alemão. Quis enfatizar que não tem relação ideológica ou partidária com Friedrich Merz e que está aberto a temas como inteligência artificial, data centers, minerais críticos e terras raras.
Lula também defendeu novamente a necessidade de "refundar" a Organização Mundial do Comércio (OMC) e criticou a criação de barreiras comerciais contra produtos brasileiros.
"É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético", falou.
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Lula destacou que o Brasil não terá um papel de "mero exportador" de terras raras e disse ser necessário que as tecnologias ajudem o Brasil a construir um "mundo mais seguro e sustentável".
(Por Naomi Matsui e Mateus Maia)
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