Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Irã mantém linha dura após cessar-fogo e tensões persistem na região

Envato

Líder supremo do Irã afirmou que Teerã exigirá compensações de Estados Unidos e Israel - Envato
Líder supremo do Irã afirmou que Teerã exigirá compensações de Estados Unidos e Israel
Por Broadcast

09/04/2026 | 18h49

São Paulo — O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o país não busca guerra, mas não abrirá mão de seus “direitos legítimos”, em meio às tensões no Oriente Médio mesmo após o anúncio de um cessar-fogo com os Estados Unidos.

Em mensagem divulgada nesta quinta-feira, Khamenei reiterou que Teerã exigirá compensações de Estados Unidos e Israel pelos danos causados durante os recentes confrontos. “Certamente cobraremos a reparação de cada prejuízo e o sangue de nossos mártires”, disse, mencionando também indenizações a feridos e vítimas.

Leia também: Irã diz que ataques de Israel ao Líbano ameaçam trégua com os EUA

O líder indicou ainda uma postura mais assertiva sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. “A gestão do Estreito será levada a uma nova fase”, afirmou, sem detalhar medidas.

No cenário doméstico, o aiatolá destacou o papel da mobilização popular como elemento de pressão nas negociações. “Os gritos do povo nas ruas são eficazes nos resultados das negociações”, afirmou, acrescentando que a participação popular fortalece a posição do país tanto na mesa de diálogo quanto no campo de confronto.

Khamenei também dirigiu recados a países vizinhos, especialmente do Golfo, ao afirmar que essas nações devem escolher “o lado correto”. Segundo ele, Teerã ainda aguarda uma resposta considerada adequada desses governos para demonstrar “boa vontade e fraternidade”, criticando a influência de potências externas e alertando que aliados dos EUA podem ser alvo de pressão.

Leia também: Passagens aéreas vão ficar mais caras por causa da guerra? Entenda

Em paralelo, o chefe da agência nuclear iraniana, Mohammad Eslami, afirmou que o país não abrirá mão de seu programa de enriquecimento de urânio, em resposta indireta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O inimigo não conseguirá restringir o programa de enriquecimento do Irã. Nenhuma lei ou pessoa pode nos impedir”, disse Eslami. Segundo ele, “todas as conspirações e ações dos inimigos, incluindo esta guerra selvagem, não produziram resultados”.

Posição de Trump

As declarações contrastam com a posição de Trump, que afirmou não aceitar a continuidade do enriquecimento de urânio por parte de Teerã, um dos pontos centrais das negociações, e indicou que Washington poderá atuar para neutralizar capacidades nucleares iranianas.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou o posicionamento ao afirmar que o governo acompanha de perto o material nuclear armazenado no complexo de Isfahan. “Sabemos exatamente o que eles têm. Ou eles nos entregarão, como o presidente já determinou, ou nós o tomaremos. Nós o confiscaremos”, disse.

Leia também: Cessar-fogo entre EUA e Irã alivia tensão, mas fim do conflito é incerto

Cessar-fogo

Na terça-feira, Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão. Pelo entendimento, Washington suspenderia imediatamente os ataques e garantiria o mesmo por parte de Israel, enquanto Teerã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz.

Apesar do anúncio, episódios de violência continuaram a ser registrados. O Irã interrompeu o tráfego de petroleiros e navios comerciais no estreito, alegando “violações do cessar-fogo” por parte de Israel após bombardeios no Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, ao menos 203 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas em ataques a Beirute.

Líbano

No mesmo contexto, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram novos ataques a locais de lançamento do Hezbollah no Líbano, após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmar que negociações diretas com o Líbano ocorrerão “o mais rápido possível”.

Netanyahu, porém, disse que não interromperá os ataques ao território libanês. Segundo a mídia norte-americana, Trump pediu que Israel reduzisse as ofensivas para favorecer o acordo de cessar-fogo com o Irã.

Além do Líbano, veículos da mídia iraniana relataram aumento de sobrevoos de equipamentos de reconhecimento militar no país. De acordo com autoridades locais, sistemas de defesa destruíram drones de reconhecimento na cidade de Tabriz.

Já o Kuwait informou que está “combatendo ataques hostis de drones” que penetraram seu espaço aéreo, com alvos em “diversas instalações vitais”, sem especificar a origem.

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou o tom de cobrança ao afirmar que “o tempo está acabando” em relação ao cumprimento do acordo.

Ele defendeu que o Líbano e aliados do Irã são parte inseparável do cessar-fogo e que violações terão “custos explícitos” e “respostas fortes” por Teerã. “O fogo deve ser extinguido imediatamente”, demandou.

Ghalibaf também citou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, ao afirmar que a questão do Líbano foi esclarecida publicamente. “Não há espaço para negar ou voltar atrás”, frisou.

(Por Pedro Lima e Laís Adriana)

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias