Juiz marca para 17 de março nova audiência de Maduro em tribunal dos EUA
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Por Pedro Lima, da Broadcast
redacao@viva.com.brSão Paulo, 05/01/2026 - O presidente venezuelano capturado, Nicolás Maduro, fez nesta segunda-feira sua primeira aparição em um tribunal federal dos Estados Unidos após a operação que levou a sua detenção. Na audiêmncia, o juiz Alvin K. Hellerstein determinou que volte a comparecer a um tribunal federal dos EUA em 17 de março, ao encerrar uma audiência que durou cerca de meia hora. O processo trata das acusações criminais apresentadas pela Justiça americana contra Maduro, incluindo conspiração de narcoterrorismo e crimes ligados ao tráfico de drogas.
Durante a sessão, o advogado de Maduro, Barry J. Pollack, afirmou que há "questões sobre a legalidade" da captura de seu cliente, classificada pela defesa como uma "abdução militar". Segundo Pollack, Maduro "é chefe de um Estado soberano e tem direito às prerrogativas" associadas a esse status. O advogado disse ainda esperar uma disputa judicial "volumosa" na fase prévia ao julgamento para tratar desses questionamentos. Embora não tenha solicitado a libertação do presidente neste momento, a defesa reservou o direito de apresentar um pedido de fiança mais adiante.
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A audiência também abordou a situação de Cilia Flores, esposa de Maduro e igualmente acusada no caso. O advogado dela, Mark Donnelly, informou que Flores enfrenta "questões de saúde que exigirão atenção", incluindo a possibilidade de fratura ou hematomas severos nas costelas, e solicitou que ela seja submetida a exames de raio-x e a uma avaliação médica completa. Donnelly acrescentou que sua cliente, de 69 anos, pode precisar de acompanhamento físico mais detalhado.
Durante a audiência, o venezuelano se declarou inocente. "Sou inocente, não sou culpado, sou um homem decente, ainda sou presidente do meu país", disse Maduro. Cilia Flores também se declarou inociente.
Ao fim da sessão, foi registrado que tanto Maduro quanto Flores concordaram em permanecer detidos por ora, com a possibilidade de que pedidos de liberdade sejam analisados em momento posterior. Um representante do governo informou ainda que ambos foram colocados oficialmente sob custódia às 11h30 (13h30, pelo horário de Brasília) de sábado, com chegada a Nova York às 16h31 (18h31 no Brasil) do mesmo dia.
Vice assume como presidente interina
Delcy Rodríguez, que atuou como vice-presidente de Nicolás Maduro, foi empossada como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira.
Rodríguez foi empossada por seu irmão, o líder da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
"Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra nossa pátria", disse com a mão direita levantada. "Venho com tristeza pelo sequestro de dois heróis."
Assembleia e o filho do presidente
O deputado venezuelano Jorge Rodríguez foi reconduzido à presidência da Assembleia Nacional da Venezuela nesta segunda-feira, conforme comunicados oficiais divulgados após a sessão de instalação do período legislativo de 2026.
Em outro comunicado, a Assembleia destacou declarações do deputado Nicolás Maduro Guerra, filho de Nicolás Maduro, feitas durante a mesma sessão. Segundo o texto oficial, o parlamentar afirmou que "a identidade histórica e soberana do povo venezuelano prevalecerá diante das agressões externas", acrescentando que "se o governo dos Estados Unidos é Monroe, nós somos Simón Bolívar".
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