Lula defende imigrantes diante de chanceler alemão anti-imigração
Ricardo Stuckert/PR
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a imigração em discurso na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira, 20. Lula falou sobre o tema, que causa polêmica no continente europeu e é chave nas eleições, ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, que já foi criticado em mais de uma oportunidade por declarações ou políticas anti-imigração.
"Somos um país criado por imigrantes junto com indígenas e com os negros. Não temos nada contra imigração. Sejam bem-vindos os que queiram chegar ao nosso país para trabalhar e produzir, os que querem defender a democracia, o multilateralismo e a paz", afirmou o presidente na abertura do estande brasileiro na Feira de Hannover.
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Em março deste ano, por exemplo, Merz disse que, "nos próximos três anos, cerca de 80% dos sírios que moram na Alemanha devem voltar para seu país natal". Segundo ele, a situação na Síria "mudou fundamentalmente" e, por isso, a "necessidade de proteção (desses imigrantes) deve ser reavaliada".
A fala causou críticas internas e externas ao primeiro-ministro alemão. Atualmente, cerca de 950 mil sírios vivem no país.
Desde que assumiu o poder, em maio de 2025, Merz adotou uma política mais restritiva em relação à imigração. Para além da retórica, como no caso dos sírios, o chanceler alemão também aumentou as deportações de imigrantes - em 2025, esse número cresceu 25% em relação a 2024.
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Lula também disse nesta que o Brasil se "cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento".
Quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e na oferta de combustível renovável ao mundo... Estamos falando de um país que cansou de ser pequeno, que cansou de ser tratado como terceiro mundo, como invisível."
O petista disse que o Brasil tem interesse "em fazer com que nossa aliança com Europa e Alemanha seja cada vez mais produtiva, eficaz e capaz de proporcionar aos nossos povos a perspectiva de um futuro mais promissor".
Também argumentou que o Brasil tem uma "economia razoavelmente estável" e que a ida à feira industrial é importante para o compartilhamento de informações.
"É com essa cara que viemos a Hannover. Primeiro para aprender o que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que somos capazes de fazer", declarou.
Conflitos
O presidente também aproveitou para falar sobre a situação dos conflitos mundiais. Disse que "não é possível que nós não tenhamos noção de que precisamos mudar essa situação mundial".
Lula pediu união de "todos que defendem o multilateralismo, que não querem guerra, querem paz, os que querem construir e não destruir, os que querem defender a vida, e não a morte, e pensam no futuro da humanidade humana". Também aproveitou para criticar as redes sociais, algo recorrente em seus discursos.
A era do argumentou acabou, a era da verdade se esvaiu, estamos vivendo a era da fake news. Quanto menos verdade você falar, mais importante você passa a ser. E o mundo não pode ser dirigido por mentiras."
(Por Gabriel Hirabahasi)
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