Operação da PF investiga banco por facilitação da lavagem de dinheiro
Marcelo Camargo/Agência Brasil
São Paulo, 25/02/2026 - A Polícia Federal (PF) deflagrou em São Paulo, nesta quarta, 25, a Operação Cliente Fantasma, com o objetivo de aprofundar investigação sobre a atuação de uma instituição financeira na facilitação da lavagem de dinheiro de mais de R$ 25 bilhões, incluindo recursos provenientes das maiores organizações criminosas do Brasil. O banco alvo da investigação é o BMP (antiga BMP Money Plus), localizado na Avenida Paulista. A PF faz buscas no banco e nos endereços do presidente da instituição e do chefe do setor de compliance. O BMP informou que "está colaborando com as autoridades".
Segundo a PF, as apurações apontam que a instituição, embora regularmente autorizada a operar pelo Banco Central, deixava de informar a identificação de seus clientes ao órgão regulador, em desacordo com a Resolução 179/2022 e outras normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
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Essa omissão permitia que os clientes permanecessem 'blindados' contra quebras de sigilo bancário e de bloqueios judiciais, dificultando a repressão a atividades ilícitas.
O inquérito da PF destaca que também foi constatado que o BMP 'não realizava as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)' - o que teria contribuído para a ocultação e dissimulação da origem ilícita de valores movimentados.
As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais.
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Outras operações
A Cliente Fantasma é um desdobramento da Operação Alcaçaria, deflagrada em 2024 pela PF, quando foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão.
Também houve compartilhamento de provas da Operação TaiPan, igualmente deflagrada em 2024 pela PF, que resultou no cumprimento de 38 mandados de busca e 16 mandados de prisão. Ambas as ações integram investigações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
O nome "Cliente Fantasma"', segundo a PF, faz referência à prática adotada pela instituição financeira investigada, que mantinha contas e movimentações sem a devida identificação dos titulares perante o Banco Central.
Na prática, esses usuários permaneciam 'invisíveis' aos órgãos de controle, funcionando como verdadeiros fantasmas dentro do sistema financeiro, o que possibilitava a movimentação bilionária de valores ilícitos sem fiscalização."
O BMP se manifestou informando que está colaborando integralmente com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos necessários, fornecendo todas as informações sobre as operações antigas de ex-clientes que foram objeto de apuração. A companhia segue com a operação dos seus produtos normalmente.
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