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Planalto diz que rótulo de terrorismo a PCC e CV pode afetar até o Pix

Flickr/Marcos Muniz

Decisão pode afetar o compartilhamento de informações das polícias, diz nota do Planalto - Flickr/Marcos Muniz
Decisão pode afetar o compartilhamento de informações das polícias, diz nota do Planalto
Por Broadcast

29/05/2026 | 14h05

Brasília - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos ameaça o combate ao crime organizado e citou até o Pix como algo que pode ser afetado pela ação. Foi a primeira manifestação pública oficial do Palácio do Planalto sobre o assunto desde que o Departamento de Estado norte-americano divulgou nota sobre o assunto na quinta-feira, 28.

A nota foi divulgada no início da tarde desta sexta, 29, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência. No documento, o governo afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”. "Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros. Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao País”, afirmou.

O governo afirmou que tem “travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias” e que “enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”.

Lucro x  questões ideológicas

O principal argumento por parte do governo brasileiro, respaldado por especialistas em segurança pública, é de que as facções criminosas, ao contrário de organizações terroristas, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda, não têm motivos ideológicos, políticos ou religiosos, mas sim a busca pelo lucro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, afirmou o governo.

Família Bolsonaro e intervenção estrangeira

O governo Lula criticou a família Bolsonaro por ter atuado junto ao governo norte-americano para que as duas maiores facções criminosas do Brasil fossem classificadas como organizações terroristas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com outras autoridades do governo norte-americano nesta semana para discutir o assunto.

A Secom disse que “a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”. Falou que “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, (...) pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso País”, declarou.

Colaboração internacional

O governo brasileiro defendeu operações conjuntas. Disse que “qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda” e que o Brasil segue disposto “a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos”.

Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, ressaltou.

“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, completou.

(Por Gabriel Hirabahasi)

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