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STF autoriza investigação sobre Lulinha e negócios no Ministério da Saúde

Agência Estado

Supremo Tribunal Federal  autoriza  a abertura de inquérito para investigar  Lulinha. - Agência Estado
Supremo Tribunal Federal autoriza a abertura de inquérito para investigar Lulinha.
Por Broadcast e Marcel Naves

30/07/2026 | 20h29 ● Atualizado em 31/07/2026 | 08h45

São Paulo - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) e autorizou a abertura de inquérito contra Fabio Luis Lula da Silva, o "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A investigação apura se Lulinha praticou tráfico de influência e corrupção para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", em contratos com o Ministério da Saúde. O próprio Mendonça será o relator do caso.

Ainda na noite de quinta-feira, 30, Lula comentou sobre as investigações. Em entrevista ao Podcast Inteligência Ltda, o presidente afirmou que Lulinha é utilizado para atacá-lo de várias formas desde 2006 e defendeu que o filho não tenha tratamento diferenciado, caso fique comprovado seu envolvimento em esquemas de corrupção.

"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, para um juiz, não fazerem as coisas corretas. Se ele tiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei", disse o petista.


Lula afirmou ainda que acredita na inocência do filho e que o empresário, que hoje reside na Espanha, retornará ao Brasil para responder a um eventual processo judicial. "Ele jura para mim todo dia, se for julgado, ele virá para cá, não vai ficar escondido. Eu não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai ter que provar que é inocente como eu provei. E, se for culpado, vai ter que pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra", destacou o presidente. 

Qual é a suspeita?

Antunes, figura central em desvios do INSS segundo a Operação Sem Desconto, tentou sem sucesso emplacar contratos milionários de canabidiol no Ministério da Saúde em 2024 e 2025, utilizando sua empresa World Cannabis. A PF suspeita de negócios conjuntos entre Lulinha e o lobista nessa área.

A suspeita é de que Lulinha teria facilitado a recepção de Antunes na pasta, que ocorreu no início de 2025, com o então secretário-executivo Swedenberger Barbosa, o Berger. A defesa de Lulinha, representada por Marco Aurélio de Carvalho, argumentou que a PF, após não encontrar ligação do filho do presidente com as fraudes no INSS, buscou outro alvo.

Berger, atual chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna da Presidência da República, afirma que a reunião com o lobista seguiu os trâmites normais, sem qualquer "orientação" superior, e que o encontro não gerou contratos, afastando a hipótese de influência política.

A ligação entre Lulinha e o lobista se daria também por meio da empresária Roberta Luchsinger, contratada por Antunes para prospectar negócios. A defesa de Luchsinger nega repasses a Lulinha.

Há ainda a confirmação, por parte da defesa do investigado, de uma viagem conjunta a Portugal em novembro de 2024 para visitar uma fábrica de canabidiol. Segundo o advogado, foi um convite aceito por "curiosidade", sem resultar em negócios.

(Com Broadcast)

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