Centrão deve se fortalecer na câmara e PL tem maior potencial no Senado
A indicação na Câmara é de fortalecimento das bancadas do Centrão. Já o PL, da família Bolsonaro desponta com o maior potencial eleitoral no Senado
Por Broadcast
02/10/2026 | 19h20 ● Atualizado | 19h24Valter Capanato / Agência Brasil
As projeções eleitorais indicam um fortalecimento da centro-direita no Congresso Nacional, com o Centrão se consolidando na Câmara dos Deputados e o PL, ligado à família Bolsonaro, mostrando grande potencial no Senado.
O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) estima que a federação União Progressista pode aumentar sua representação de 98 para até 121 deputados, enquanto o PL deve manter sua posição como o maior partido da Câmara com uma projeção de até 103 cadeiras.
Com a ascensão do PL e a expectativa de uma maioria do Centrão, a reeleição de Davi Alcolumbre no Senado pode ser dificultada, enquanto os partidos da coalizão de Lula devem enfrentar um cenário fragmentado e inclinado à centro-direita na próxima legislatura.
São Paulo - O cenário eleitoral aponta para uma consolidação da tendência de centro-direita no Congresso Nacional na próxima legislatura. Na Câmara dos Deputados, as projeções indicam um fortalecimento significativo das bancadas ligadas ao Centrão. Paralelamente, o PL, da família Bolsonaro, desponta com o maior potencial eleitoral no Senado.
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Com histórico de estimativas desde 1990, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) faz cálculos a partir de pesquisas eleitorais nos Estados, do histórico dos partidos e do volume dos recursos aplicados nas candidaturas. No seu levantamento final para o pleito neste domingo, 4, as projeções apontam que a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, tem maior potencial de expansão na Câmara.
Hoje, a federação conta com 98 deputados. O estudo faz uma projeção média de 107 deputados e uma máxima de 121 deputados na próxima legislatura.
O Diap também estima um salto para o Republicanos, dos 42 atuais para 48 na média e 59 no máximo; e para o PSD, de 48 para 52 na média e até 60. O Podemos deve manter suas 27 cadeiras, com potencial de chegar a 30. Apenas uma legenda do Centrão tem previsão de queda: o MDB. Com 38 deputados atualmente, a média estimada do partido é de 35 representantes, podendo alcançar 43.
É desse grupo também o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que articula uma recondução ao cargo.
Para a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), com 82 deputados, o Diap projeta estabilidade, com mínimo de 74, média de 87 e máximo de 100 deputados. O PL, hoje com 98 deputados, deve seguir como o maior partido da Câmara, com projeção mínima de 78 cadeiras, média de 91 e máximo de 103 deputados.
De acordo com o diretor do Diap e coordenador do estudo, Neuriberg Dias, o Centrão deve permanecer como o bloco mais poderoso na Câmara. "Seguramente, o Centrão vai ser o maior bloco e ter uma base acima de 257 votos, ou seja, a maioria da casa para aprovar projetos de lei. Estimamos que o Centrão pode chegar a 282, até 330 deputados", afirma.
Por sua vez, no Senado, 54 das 81 cadeiras estão em disputa. Segundo o Diap, o PL desponta com maior potencial: pode saltar dos atuais 15 senadores para 24. O PT pode ser a segunda maior bancada, ao sair de nove senadores para até 11. O União Brasil registra a maior expansão proporcional, de três para sete cadeiras, podendo chegar a nove, e o PP pode sair de oito para 10 senadores.
Uma novidade no Senado pode ser o PSOL, que não tem ninguém e pode ter pelo menos um representante.
Na contramão, o partido mais impactado deve ser o PSD, ao sair de 14 para seis. MDB e PSDB também devem recuar.
O PL vai ser o campeão no Senado, mas o Centrão ainda vai estar com maioria"
Neuriberg Dias, Diretor do Diap
Com a expansão do PL e de senadores ligados ao bolsonarismo, o panorama do Senado pode tornar mais difícil a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para o comando da Casa. Nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro, os nomes de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) são apontados como favoritos para concorrer ao cargo pelo grupo político.
Consenso
As projeções do Diap convergem para o cenário desenhado por outros consultores e por instituições financeiras.
Em setembro, o banco americano Citi relembrou que, atualmente, a coalizão de Lula no Congresso é maior que o partido de Flávio Bolsonaro, o PL. Para o banco, porém, esse cenário se inverterá na próxima legislatura, já que a tendência, segundo a instituição, é que o Legislativo siga "fragmentado e inclinado à centro-direita".
"Ao acrescentar os partidos que atualmente ocupam cargos no governo, a coalizão de Lula chegaria a 44% da Câmara, com 226 das 513 cadeiras, e a 38% do Senado, com 31 das 81 cadeiras. Esses números seriam inferiores aos da coalizão de Flávio Bolsonaro após a inclusão dos partidos que habitualmente são mais alinhados a ele: PP, Republicanos e União Brasil", estima a instituição.
Para o professor do Instituto de Ciência Política na Universidade de Brasília (IPOL/UnB) Frederico Bertholini, não deve haver grande mudança no perfil ideológico do Congresso ou alta taxa de renovação.
Ele atribui a tendência à importância que as emendas parlamentares ganharam nos últimos anos, o que tende a favorecer quem já está no cargo.
Eu imagino uma manutenção do perfil, inclusive uma manutenção da composição, porque temos a consolidação de um modelo que consagrou as emendas parlamentares em altíssimo volume, e isso conta demais como vantagem para quem já está dentro do jogo", diz ao Broadcast Político. "É muito recurso sendo injetado dentro da política, virando política pública. Isso aumenta a possibilidade de entrega ou vira entrega direta aos eleitores, o que irriga as redes dos parlamentares."
Frederico Bertholini - Pf. IPOL/UnB
O vice-presidente da empresa de inteligência política Arko Advice, Cristiano Noronha, afirma que o crescimento do número de prefeituras do Centrão em 2024 já indicava a ascensão do bloco no Congresso Nacional nesta eleição. Para ele, o presidente eleito terá condição de construir governabilidade, seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL).
"Nosso Congresso tem vocação governista", avalia o consultor. "O governo Lula, sendo de centro-esquerda, talvez tenha mais uma relação de altos e baixos. Mas isso não significa que ele não tenha condições de construir uma maioria no Congresso", acrescenta. "Se Flávio ganhar o cargo, talvez ele tenha uma relação um pouco mais estável com o Congresso, pela proximidade ideológica."
O vice-presidente da Arko Advice pondera, no entanto, que o fio condutor dos parlamentares não necessariamente será a "pauta de costumes", apesar da influência do candidato do PL. "Existem outras pautas que teremos de enfrentar nos próximos anos, relacionadas a reformas e ajustes fiscais", pontua.
Por Victor Ohana, Gabriel Máximo e Mateus Maia
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