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Alto consumo de carne vermelha pode estar associado a diabetes, diz estudo

Molécula de açúcar não humano encontrado na carne vermelha pode desencadear inflamação crônica e causar diabetes tipo 2 em pessoas com alto consumo

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

28/09/2026 | 13h18

Envato

Estudo é o primeiro do tipo a fazer essa correlação e ainda não foi validado por outros pesquisadores - Envato
Estudo é o primeiro do tipo a fazer essa correlação e ainda não foi validado por outros pesquisadores
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Um estudo apresentado na EASD 2026 em Milão indica que o consumo elevado de ácido N-glicolilneuramínico dietético (Neu5Gc), presente na carne vermelha, pode estar associado a um aumento de 63% no risco de diabetes tipo 2 em indivíduos com alta ingestão desse alimento.

A pesquisa, que isolou fatores como atividade física e condições de saúde, revelou que o risco de diabetes aumenta progressivamente com o consumo de carne vermelha, com grupos de maior ingestão apresentando riscos significativamente mais altos.

Os pesquisadores destacam que, embora a obesidade contribua para parte da associação, a maior parte do risco pode ser atribuída a efeitos inflamatórios diretos do Neu5Gc nas células produtoras de insulina, e os resultados ainda precisam ser validados por estudos adicionais.

Resumo gerado por IA

Milão - Resultados preliminares de um estudo apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD 2026), que começou hoje em Milão, na Itália, revelam que um tipo de açúcar chamado 'ácido N-glicolilneuramínico dietético' (Neu5Gc), comum na carne vermelha, está associado a um risco 63% maior de desenvolver diabetes tipo 2 (DM2) em pessoas com alto consumo desse alimento. Esse é o primeiro estudo do gênero a fazer esse tipo de associação.

“Embora não saibamos exatamente quais os níveis de Neu5Gc desencadeiam uma resposta imune, os nossos dados sugerem que ingestões mais elevadas de derivado da carne estão associadas a um risco progressivamente mais alto de diabetes", afirmou o autor principal da pesquisa, Leopold Fezeu, da Universidade Sorbonne Paris Nord, na França.

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Segundo a pesquisa, o alto consumo de carne vermelha foi apontado como risco, mesmo após a pesquisa ter isolado outros fatores, como nível de atividade física, dieta global, tabagismo, índice de massa corporal (IMC) e outras condições de saúde.

Maior ingestão de carne, maior o risco

Para mensurar os níveis de consumo desse alimento, os pesquisadores calcularam a quantidade de carne vermelha em gramas, divididos em cinco grupos, de acordo com a tabela abaixo:

No grupo 5, considerado como alto consumo de carne, tanto mulheres quanto homens tiveram um risco 63% maior de diabetes. No grupo 4, o risco caiu para 41%, enquanto o grupo 3 mostrou risco aumentado de 10%.

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Os grupos 1 e 2, que registraram menor consumo de carne vermelha, não tiveram risco aumentado para diabetes. A análise destaca que os valores em gramas descrevem o que as pessoas consumiam tipicamente e não devem ser lidos como quantidade "segura" de carne.

Fezeu observa que a associação pode explicar parte, mas não a totalidade, da ligação entre a carne vermelha e o diabetes tipo 2. Além disso, o grupo de pesquisa estima que a obesidade foi responsável por cerca de 13% da associação entre a molécula e o diabetes, sugerindo que a maior parte da associação provavelmente acontece por efeitos inflamatórios diretos nas células produtoras de insulina e nos tecidos sensíveis à insulina.

O que é Neu5Gc e qual a relação com diabetes?

A maioria dos mamíferos produz naturalmente um açúcar conhecido como Neu5Gc, mas os humanos perderam essa capacidade devido a uma mutação genética antiga. A molécula é encontrada atualmente na carne vermelha, particularmente na carne de vaca e de ovelha e, em menor escala, nos produtos laticínios.

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Quando as pessoas consomem esses alimentos, o Neu5Gc animal é absorvido e incorporado metabolicamente nos tecidos humanos, onde atua como uma molécula estranha. O sistema imune produz anticorpos contra ele, o que foi anteriormente associado a doenças cardiovasculares e ao câncer. 

Para abordar a questão, os pesquisadores investigaram a associação entre o Neu5Gc encontrado na carne vermelha de vaca, ovelha, porco, coelho, cabra e carnes de caça. Os produtos de carne processada (como bacon, salsichas e carnes curadas) foram registados como um grupo alimentar separado, mas também demonstraram relação com diabetes.

A análise não encontrou associação entre o Neu5Gc derivado de laticínios. “Juntas, essas descobertas sugerem que a associação entre o Neu5Gc e o diabetes pode depender da sua fonte dietética”, apontou o pesquisador.

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Para mensurar a quantidade de ingestão dessa molécula, os participantes do estudo preencheram três registos alimentares de 24 horas, que os investigadores utilizaram para estimar a sua ingestão diária de Neu5Gc através de uma base de dados comparando outros tipos de alimentos.

A idade média foi de 42 anos, 79% eram do sexo feminino e os participantes não tinham diabetes nem cancro no início do estudo. Ao longo de um acompanhamento de sete anos, foram identificados 966 casos de diabetes adquirida, de um total de 89.953 participantes.

Fezeu acrescenta que, dada a frequência com que a carne vermelha está presente nas dietas ocidentais, a forte associação entre o Neu5Gc derivado da carne e o risco de DM2 é uma descoberta importante, mas destaca que os resultados são preliminares e ainda não foram validados por outros pesquisadores. 

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(A jornalista viajou ao evento a convite da Novo Nordisk)

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