Qualidade da alimentação favorece menor ganho de peso na menopausa, diz estudo
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São Paulo - O ganho de peso é comum após a menopausa e ocorre principalmente devido à queda nos níveis de estrogênio, que desacelera o metabolismo e favorece o acúmulo de gordura abdominal.
Contudo, uma nova pesquisa mostra que a qualidade da alimentação antes e depois da menopausa está associada a menor ganho de peso e menos risco de desenvolver obesidade.
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O estudo, publicado este ano no periódico JAMA Network Open, avaliou cerca de 38.283 mulheres ao longo de 12 anos para examinar e comparar as associações de diferentes padrões alimentares com o ganho de peso e o risco de obesidade nos anos que antecedem e sucedem a menopausa — seis anos antes e seis anos depois.
Aquelas que apresentaram melhor qualidade na alimentação nesse período tiveram menor ganho de peso nos anos que permeiam o fim definitivo da menstruação e da fase reprodutiva da mulher.
Reposição hormonal não substitui alimentação saudável
A associação com os hábitos alimentares também foi observada entre as mulheres que utilizaram terapia hormonal após a menopausa, com indicação médica. Segundo a nutricionista Mônica Calderari, professora titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esse aspecto precisa ser observado com atenção:
“A reposição hormonal pode atuar onde o hormônio é necessário, mas não substitui a necessidade de uma alimentação adequada. Pense no organismo como uma fábrica: os hormônios comandam as máquinas, mas nenhuma máquina funciona sem matéria-prima. No seu organismo, toda a matéria-prima vem da alimentação, responsável por dar energia e nutrientes que o organismo precisa diariamente”, esclarece.
Além de reforçar o papel da alimentação, Calderari diz que as mulheres devem ficar atentas aos sinais do corpo nessa etapa da vida, observando aspectos como flacidez, cansaço, sono ruim, dores articulares, névoa mental e barriga resistente.
Uma alimentação equilibrada, mas adequada à sua rotina, ajuda na manutenção de músculos, ossos e saúde intestinal e mental, além de contribuir para o controle de doenças crônicas, como diabetes, pressão alta e gordura no fígado".
O que priorizar na alimentação para a menopausa?
O cardápio apontado pelo estudo internacional não depende de ingredientes exóticos nem de restrições extremas, destaca a nutricionista. "Na prática, ele se aproxima de uma alimentação baseada sobretudo em comida in natura ou minimamente processada". Nesse sentido, ela orienta:
- Reduzir o consumo de carnes vermelhas, alimentos processados, sódio, batatas e frituras;
- Priorizar o consumo de comida 'de verdade' e minimamente processada, além da presença regular de vegetais, frutas, feijões e outras leguminosas, oleaginosas e cereais integrais.
"Não se deve fazer uma dieta radical, mas sim aumentar o consumo de comida de verdade. O mais importante é construir uma alimentação equilibrada, gostosa e que a mulher consiga manter”, reitera a especialista.
Cuidados com dietas da moda na menopausa
As chamadas ‘dietas da moda’ também não são indicadas como estratégia para manter uma alimentação equilibrada, já que muitas envolvem restrições extremas e, em sua maioria, são feitas sem a orientação e acompanhamento de um profissional da saúde especializado.
Mesmo quando se faz reposição hormonal, a alimentação continua tendo um papel fundamental. A mulher precisa ter consciência de que seu corpo mudou, e a dieta que funcionava aos 30 anos não funciona mais agora".
Os resultados do estudo também reforçam que soluções rápidas não são a resposta para controlar o peso de forma saudável na menopausa. Os padrões alimentares sustentáveis, ou seja, aqueles que podem ser mantidos na rotina da mulher, são os mais relevantes.
Nessa linha, Mônica Calderari orienta que o acompanhamento de um profissional da saúde permite individualizar a alimentação e avaliar as necessidades de cada mulher, com o objetivo de preservar a massa muscular, favorecer a saúde óssea e cardiometabólica, além de manter o bem-estar durante a menopausa.
(Mariana Pacheco, especial para o VIVA)
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