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Anabolizantes após os 50 elevam risco cardiovascular; veja dicas de cuidado

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Uso de esteroides anabolizantes pode deixar sequelas silenciosas no coração por décadas - Adobe Stock
Uso de esteroides anabolizantes pode deixar sequelas silenciosas no coração por décadas
Por Alexandre Barreto

29/06/2026 | 11h02

São Paulo - O crescimento da musculação e do fisiculturismo entre pessoas com mais de 50 anos tem ampliado o debate sobre o uso de anabolizantes na maturidade. Ao VIVA, a médica cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, Dra. Fernanda Weiler, explica que os esteroides anabolizantes podem provocar alterações cardiovasculares permanentes, aumentando o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e arritmias, mesmo décadas após o fim do uso.

Após os 50 anos, o organismo já tem menos reserva, os vasos estão mais rígidos e é mais comum haver alguma placa de gordura nas artérias ou até algum grau de hipertensão arterial. Nessa condição, os anabolizantes vão funcionar como um acelerador da doença".

Uma pesquisa publicada por pesquisadores brasileiros na Revista Contribuciones a Las Ciencias Sociales (CLCS) mostrou que os esteroides anabolizantes estão associados a danos cardiovasculares, alterações cerebrais, dependência e transtornos psiquiátricos. Entre os principais efeitos identificados estão hipertensão arterial, espessamento do músculo cardíaco e maior risco de doenças cardiovasculares.

Musculação é recomendada

A médica cardiologista destaca que a musculação continua sendo uma das principais aliadas do envelhecimento saudável quando praticada de forma natural.

A musculação bem orientada é um dos melhores remédios para envelhecer com autonomia. Ela melhora a pressão arterial, o controle da glicose, protege os ossos, as articulações e reduz o risco cardiovascular global".
A médica cardiologista Dra. Fernanda Weiler
A médica cardiologista Fernanda Weiler alerta que mesmo anos depois do uso de anabolizantes, há riscos - Divulgação

Mas o problema começa com a busca por resultados rápidos. "O ponto de atenção é quando o objetivo deixa de ser a busca pela saúde e passa a ser a busca pelo corpo perfeito, com treinos extenuantes, dietas muito restritivas e, em alguns casos, o uso de substâncias para acelerar os ganhos", destaca.

Embora ainda não exista um levantamento nacional que mostre a prevalência do uso de anabolizantes entre pessoas acima dos 50 anos, pesquisas internacionais apontam que o número de usuários nessa faixa etária tem crescido. Muitos mantêm o consumo iniciado na juventude, enquanto outros começam a utilizar essas substâncias após os 40 ou 50 anos para preservar massa muscular e aparência física.

Consequências podem aparecer anos depois

Mesmo pessoas que utilizaram anabolizantes apenas durante a juventude podem apresentar complicações cardiovasculares décadas mais tarde.

De acordo com Fernanda Weiler, essas substâncias alteram o colesterol, elevam a pressão arterial, favorecem a formação de trombos e provocam aumento anormal do músculo cardíaco.

mulher com camisa branca segurado o peito em sinal de dor, infarto
O coração pode parecer forte, mas esconder dilatações ou perda da capacidade de bombear sangue - Adobe Stock

"Quem usou anabolizantes durante a juventude deve encarar a chegada aos 50 anos como um momento de revisar esse passado, fazer uma avaliação cardiológica completa, solicitar exames de sangue e, muitas vezes, realizar testes funcionais, como o teste de esteira e um ecocardiograma para avaliar o espessamento do coração e do músculo cardíaco", explica.

A cardiologista também pontua que o coração pode parecer forte por fora, mas esconder alterações estruturais importantes, como cicatrizes, dilatações ou perda da capacidade de bombear sangue.

Corpo em forma não significa coração saudável

A aparência física também não garante que o sistema cardiovascular esteja preservado. Segundo a especialista, pessoas musculosas, com baixo percentual de gordura e boa performance nos treinos podem desenvolver doenças silenciosas relacionadas ao uso de anabolizantes.

Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem em exames de rotina, como alterações no eletrocardiograma, no ecocardiograma ou até no teste de esteira, mesmo que o paciente não tenha nenhuma queixa clara".

Em outros casos, a redução do rendimento físico, palpitações, falta de ar e desconforto no peito podem ser os primeiros indícios de que existe comprometimento cardíaco. Entre os principais sintomas que merecem atenção estão:

  • Dor ou aperto no peito;
  • Falta de ar fora do habitual;
  • Palpitações frequentes;
  • Tonturas ou desmaios;
  • Inchaço nas pernas;
  • Pressão arterial descontrolada;
  • Cansaço excessivo durante atividades simples.

Para a especialista, qualquer pessoa que utilize ou tenha utilizado anabolizantes deve procurar atendimento médico diante desses sinais.

Não banalize esses sinais ou sintomas. Pare a automedicação, converse com seu médico e faça uma avaliação cardiovascular completa. Músculos definidos são ótimos, mas precisam vir acompanhados de um coração protegido".
musculação
Após os 50 anos, é plenamente possível ganhar força e massa muscular de forma segura - Adobe Stock

Como ganhar massa muscular naturalmente

A cardiologista afirma que é possível desenvolver força e massa muscular após os 50 anos de forma segura. A recomendação é investir em um programa de musculação com progressão gradual de carga, acompanhamento de um profissional qualificado e atenção à execução correta dos exercícios para reduzir o risco de lesões.

"Treinar de forma consistente, três ou quatro vezes por semana, é muito mais eficaz e seguro do que tentar compensar tudo em uma sessão extenuante de treino", destaca.

Além da atividade física, ela reforça a importância de manter uma ingestão adequada de proteínas, consumir calorias suficientes, manter uma boa hidratação e priorizar um sono reparador. "Isso é fundamental para criar esse músculo e garantir essa massa magra adequada".

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