Anvisa alerta para falsos gurus criados por IA que vendem curas milagrosas
Reprodução/Anvisa
São Paulo - Não é de hoje que receitas ditas "naturais" são vendidas na internet como milagres para a saúde. Contudo, a Anvisa alerta que o cenário piorou com o uso de inteligência artificial para criar e-books de falsos "gurus", cujas promessas mirabolantes nas redes sociais colocam a saúde das pessoas em risco.
Esse tipo de ilusão vendida na internet vem evoluindo e os golpistas usam de táticas de marketing digital para criar com IA perfis de supostos gurus sábios, que compartilham nas redes sociais soluções para saúde e bem-estar "inéditas" advindas de conhecimentos ancestrais e tradicionais.
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A Anvisa cita o exemplo de um perfil com mais de 600 mil seguidores, no qual a protagonista é uma senhora indígena criada por IA, que compartilha receitas que prometem devolver a saúde de qualquer pessoa em sete dias.
Em uma das receitas, a "guru" indígena gerada por IA orienta o consumo diário de cúrcuma por 30 dias para eliminar vermes e parasitas. No entanto, não há qualquer evidência científica em humanos que comprove a eficácia do condimento no tratamento de verminoses.
A Anvisa até mesmo publicou um alerta geral de que suplementos alimentares e medicamentos baseados em cúrcuma, com concentrações elevadas podem causar danos ao fígado.
E-books
Na tentativa de engajar o público, aos perfis recorrem a narrativas sobrenaturais ou mágicas em e-books (como livros de receitas digitais), sem jamais revelar a real identidade de quem gerencia os perfis e vende os manuais de saúde.
Além disso, a jornada de compra conta com gatilhos manipulativos: antes do pagamento, a tela é invadida por pop-ups alegando que personalidades famosas acabaram de comprar o e-book, uma tática de marketing enganoso projetada para gerar urgência e persuadir o consumidor.
Riscos
A Anvisa aponta que a promessa de recuperação quase milagrosa de cura, tratamento ou recuperação da saúde por meio de receitas caseiras pode causar uma sensação falsa de segurança e pode retardar a busca por por acompanhamento médico, atrasar diagnósticos e até mesmo agravar condições de saúde.
É importante lembrar que a Anvisa diferencia alimentos e medicamentos. Sendo assim, aquilo que alimenta tem seu valor nutricional e é importante para a manutenção de uma boa saúde. Contudo, a oferta de alimentos com promessas de cura, tratamento ou recuperação da saúde pode induzir a população ao erro, já que essas são características dos medicamentos.
Embora a agência não regule obras audiovisuais e livros digitais, a fiscalização pode atuar em casos de venda casada – quando o material é comercializado junto a produtos sujeitos ao controle sanitário, como suplementos alimentares irregulares.
A facilidade de publicação e a replicação em larga escala no ambiente digital multiplicaram os riscos de desinformação sobre saúde.
Como identificar perfis falsos criados por IA
Cheque o selo de verificação: Veja se o perfil do especialista nas redes sociais possui o selo oficial de verificação da plataforma.
- Cuidado com a "venda casada": desconfie de e-books vendidos obrigatoriamente em conjunto com suplementos alimentares. Quadrilhas usam essa tática para camuflar a venda de produtos clandestinos;
- Analise falhas na imagem e no áudio: personagens gerados por inteligência artificial costumam apresentar dessincronização entre o áudio e o movimento dos lábios, vozes robóticas, padrão repetitivo nas mãos e borrões ao redor do corpo quando se movimentam;
- Busque a presença no mundo real: verifique se o suposto especialista já concedeu entrevistas presenciais, participou de eventos do setor ou possui registro ativo em seu conselho de classe (CRM, CRF, CRN, etc.);
- Pesquise o histórico do autor: se o autor for desconhecido, pesquise outras obras publicadas por ele. Editoras sérias aplicam filtros contra plágio e verificam a autoria antes da publicação.
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