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Anvisa e PF formalizam parceria contra canetas emagrecedoras ilegais

Ascom/Anvisa

Parceria tem como objetivo frear a produção, importação e comercialização ilegal de medicamentos injetáveis - Ascom/Anvisa
Parceria tem como objetivo frear a produção, importação e comercialização ilegal de medicamentos injetáveis
Por Emanuele Almeida

06/05/2026 | 14h45

São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF) publicaram, nesta quarta-feira, 6, uma nota técnica conjunta que formaliza um acordo de cooperação para enfrentar o crescente mercado ilegal de canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic.

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A parceria tem como objetivo frear a produção, importação e comercialização ilícita de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade, como aqueles que utilizam os princípios ativos tirzepatida e semaglutida.

Risco à saúde pública

O uso indiscriminado e a venda irregular desses medicamentos agonistas do receptor do GLP-1 têm gerado um alerta grave no sistema de saúde brasileiro. Dados da Anvisa revelam um aumento expressivo de eventos adversos, registrando quase 3 mil notificações entre 2018 e 2026, com metade desses casos concentrados apenas no ano de 2025.

Essas notificações incluem desfechos graves e até mesmo óbitos, evidenciando o perigo do consumo sem orientação médica ou a partir de produtos falsificados e manipulados em condições inadequadas.

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O VIVA revelou recentemente uma explosão no mercado ilegal de canetas emagrecedoras. As apreensões desses dispositivos — que, em suas versões originais, utilizam substâncias como semaglutida e tirzepatida — cresceram de forma alarmante: de apenas 609 unidades em todo o ano de 2024 para 60.787 em 2025. O ritmo em 2026 é ainda mais intenso, somando 53.303 apreensões apenas no primeiro bimestre.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a análise integrada dos produtos irregulares é essencial para avaliar o risco concreto à saúde da população.

Ele ressalta que os resultados dessas análises conjuntas fortalecerão os inquéritos criminais do Estado, ajudando a desarticular cadeias ilícitas altamente organizadas, que frequentemente operam de forma interestadual e utilizam plataformas digitais para as vendas.

Modelo preventivo

De acordo com o diretor da Anvisa, Daniel Pereira, a cooperação oficializa um modelo integrado e preventivo que vai muito além de respostas pontuais. Na prática, todo medicamento apreendido em futuras operações passará por uma análise integrada, unindo a perícia forense da Polícia Federal ao suporte técnico especializado da Anvisa. Isso permitirá avaliar detalhadamente a composição, pureza e qualidade dos produtos ilícitos.

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Pereira destacou que "a saúde pública do século 21 exige instituições fortes, técnicas, éticas e comprometidas com o bem coletivo", e que a regulação precisa dialogar diretamente com ações de repressão criminal.

Resultados recentes

O modelo agora consolidado já demonstrou sua força em ações recentes. Entre janeiro e abril de 2026, inspeções da Anvisa resultaram na interdição de 8 de 26 estabelecimentos avaliados e na impressionante apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares.

A força-tarefa também já havia ganhado destaque no mês passado com a operação Heavy Pen, que cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e realizou 24 ações de fiscalização em diversos estados do País.

Mais recentemente, em 7 de abril, uma operação conjunta atingiu clínicas de estética, importadoras e farmácias de manipulação em 12 estados. Nesta ação, as autoridades identificaram transações irregulares de R$ 4,8 milhões e apreenderam mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente.

A operação de abril também trouxe à tona uma descoberta alarmante: em três estados brasileiros, foi identificada a presença de retatrutida, uma substância que sequer foi lançada oficialmente ou registrada por qualquer agência reguladora do mundo.

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