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Ministério da Saúde diz que surto de hantavírus não representa risco para o País

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Doença é transmitida principalmente por urina, fezes e saliva de ratos silvestres infectados e em partículas de ar contaminado - Envato
Doença é transmitida principalmente por urina, fezes e saliva de ratos silvestres infectados e em partículas de ar contaminado
Por Bianca Bibiano

09/05/2026 | 18h30

São Paulo - O Ministério da Saúde publicou nota na sexta-feira reforçando que o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo, segundo avaliação mais recente da Organização Mundial da Saúde. "O surto com casos confirmados e suspeitos em passageiros de um navio com histórico de circulação na América do Sul está sendo investigado sem impacto direto para o Brasil até o momento", informou.
Segundo o Ministério, não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada ao episódio raro de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile, e que está em circulação no navio. "Os casos humanos no Brasil não apresentam transmissão entre pessoas. Até o momento, o país identificou nove genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, e nenhuma transmissão entre pessoas", diz a nota.
O texto afirma ainda que os dois casos confirmados de hantavírus no Paraná não têm qualquer relação com a situação internacional atualmente monitorada pela Organização Mundial da Saúde.
Desde a identificação da doença no Brasil, em 1993, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 óbitos. Os dados recentes apontam tendência de redução. Em 2025, o País registrou 35 casos e 15 óbitos, menor número desde o início da série histórica recente. Em 2026, até o momento, foram confirmados sete casos.

Hantavírus passa entre humanos?

Apesar da gravidade dos quadros clínicos associados ao vírus, infectologistas entrevistados na última semana pelo VIVA afirmaram que o potencial de disseminação em larga escala a partir dos casos ocorridos no cruzeiro permanece baixo, especialmente porque a transmissão entre humanos é considerada rara.

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Para o médico Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a principal forma de contaminação segue relacionada ao contato indireto com roedores silvestres infectados. A transmissão entre humanos, embora possível, está associada a circunstâncias muito específicas. 

No Brasil, explica ele, os casos costumam ocorrer em áreas fechadas, silos e depósitos de grãos, quando partículas contaminadas presentes no ar são inaladas pelas pessoas.

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Chebabo destaca que o surto investigado no navio envolve a variante Orthohantavirus andesense, conhecida como cepa andina, uma das poucas capazes de transmissão interpessoal.

Essa é exatamente a espécie relacionada ao surto investigado no navio. Para contaminar, precisa ter contato intenso em locais com baixa circulação de ar. As condições do navio favoreceram o risco de transmissão entre humanos", afirma.

O especialista ressalta que já foram identificadas ao menos 38 variantes do hantavírus no mundo, geralmente associadas a reservatórios específicos de roedores. Casos da doença são registrados com maior frequência em regiões rurais da Argentina, Chile, Patagônia e algumas áreas da África do Sul.

O patologista  e virologista João Renato Rebello Pinho, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), observa que a situação é "relevante, mas não alarmante".

"Essa possibilidade [de contaminação entre humanos] já era conhecida para um tipo específico de hantavírus e continua sendo rara. O mais importante é que essa observação reforça a necessidade de diagnóstico precoce, isolamento de casos suspeitos e monitoramento de contatos próximos, especialmente em ambientes fechados como um navio", resume.

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O episódio do navio não muda o que a ciência já sabe sobre o hantavírus. Trata-se de uma doença rara, mas potencialmente grave, que exige atenção médica rápida, não pânico."

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