Ministério da Saúde diz que surto de hantavírus não representa risco para o País
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Hantavírus passa entre humanos?
Apesar da gravidade dos quadros clínicos associados ao vírus, infectologistas entrevistados na última semana pelo VIVA afirmaram que o potencial de disseminação em larga escala a partir dos casos ocorridos no cruzeiro permanece baixo, especialmente porque a transmissão entre humanos é considerada rara.
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Para o médico Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, no Rio de Janeiro, a principal forma de contaminação segue relacionada ao contato indireto com roedores silvestres infectados. A transmissão entre humanos, embora possível, está associada a circunstâncias muito específicas.
No Brasil, explica ele, os casos costumam ocorrer em áreas fechadas, silos e depósitos de grãos, quando partículas contaminadas presentes no ar são inaladas pelas pessoas.
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Chebabo destaca que o surto investigado no navio envolve a variante Orthohantavirus andesense, conhecida como cepa andina, uma das poucas capazes de transmissão interpessoal.
Essa é exatamente a espécie relacionada ao surto investigado no navio. Para contaminar, precisa ter contato intenso em locais com baixa circulação de ar. As condições do navio favoreceram o risco de transmissão entre humanos", afirma.
O especialista ressalta que já foram identificadas ao menos 38 variantes do hantavírus no mundo, geralmente associadas a reservatórios específicos de roedores. Casos da doença são registrados com maior frequência em regiões rurais da Argentina, Chile, Patagônia e algumas áreas da África do Sul.
O patologista e virologista João Renato Rebello Pinho, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), observa que a situação é "relevante, mas não alarmante".
"Essa possibilidade [de contaminação entre humanos] já era conhecida para um tipo específico de hantavírus e continua sendo rara. O mais importante é que essa observação reforça a necessidade de diagnóstico precoce, isolamento de casos suspeitos e monitoramento de contatos próximos, especialmente em ambientes fechados como um navio", resume.
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O episódio do navio não muda o que a ciência já sabe sobre o hantavírus. Trata-se de uma doença rara, mas potencialmente grave, que exige atenção médica rápida, não pânico."
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