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Fila do INSS cai 74% e tempo de espera por benefícios recua para 50 dias

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O volume de processos parados passou de 1,88 milhão em janeiro para 486 mil até 14 de julho - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O volume de processos parados passou de 1,88 milhão em janeiro para 486 mil até 14 de julho
Por Paula Bulka Durães

23/07/2026 | 13h19

São Paulo - O segurado que aguarda a liberação de uma aposentadoria, pensão ou auxílio está esperando menos tempo por uma resposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2026.

Segundo um relatório técnico da Diretoria de Benefícios da autarquia, o número de requerimentos atrasados – que aguardam análise há mais de 45 dias – despencou 74% neste ano.

O volume de processos parados caiu de 1,88 milhão em janeiro para 486 mil até 14 de julho. Como reflexo dessa aceleração, o Tempo Médio de Concessão (TMC) caiu de 108 dias, em 2021, para menos de 50 dias no final deste semestre.

No entanto, as discrepâncias entre as regiões do País permanecem. Em maio, o Amapá registrou a espera mais longa do Brasil, atingindo 105 dias, seguido pelo Acre (92 dias) e por Roraima (87 dias).

Em contrapartida, o Distrito Federal apresentou a maior agilidade, resolvendo os casos em uma média de apenas 23 dias.

A média mensal de aprovações concedidas aos segurados também subiu de 608,6 mil em 2025 para 683,8 mil em 2026, com um recorde histórico registrado em março, quando 890 mil amparos foram liberados em um único mês.

Contudo, nesse mesmo período, 796.798 requerimentos foram indeferidos, o que representa 47% de todo o volume de solicitações daquele mês. Já em maio, o número de negativas subiu consideravelmente, ultrapassando as aprovações e atingindo 54% (898.162) do estoque total.

O que segura a fila atual?

Apesar da diminuição, a fila total de requerimentos sob análise no Brasil ainda é de 1,68 milhão. De acordo com o órgão federal, apenas 29% desse montante – os 486 mil processos já citados – representam o estoque que está, de fato, em atraso por responsabilidade da instituição.

O restante da fila exige atenção por parte dos próprios cidadãos. Segundo a Previdência Social, 44,3% dos pedidos de julho estão tramitando no fluxo normal, dentro do prazo legal de até 45 dias para resposta.

No entanto, 26,7%, cerca de 450 mil processos, esbarram no envio de documentos por parte dos segurados, como laudos médicos e comprovações de vínculos trabalhistas exigidas pelo sistema. Nesses casos, o andamento só é retomado quando a pessoa cumpre a exigência.

Quais as ações para acelerar a fila?

Na última década, a força de trabalho do INSS encolheu mais de 40%, caindo para 22,2 mil funcionários ativos. Para conseguir avaliar mais demandas, a gestão recorreu a estratégias como:

  • Menos perícias presenciais: a expansão do Atestmed – sistema de análise documental pela internet – eliminou a necessidade obrigatória de exame médico presencial, o que, de acordo com a autarquia, viabilizou 1,36 milhão de procedimentos apenas no primeiro quadrimestre;
  • Telemedicina: o atendimento foi ampliado e, hoje, 800 agências que não possuem médicos físicos já estão aptas a realizar avaliações de forma remota, por meio do programa Perícia Conectada;
  • Mais peritos no Norte e Nordeste: a entrada de 500 novos profissionais de saúde reduziu o gargalo nas regiões Norte (que teve aumento de 47% na capacidade de exames) e Nordeste (com alta de quase 40%);
  • Mutirões de atendimento: houve uma forte intensificação nas forças-tarefas aos finais de semana, que saltaram de 14,2 mil em 2023 para 195 mil atendimentos extras focados em agilizar a concessão das aposentadorias nos cinco primeiros meses de 2026.

Corrida em ano eleitoral

Para tentar reverter o cenário em ano de eleições, o governo federal promoveu mudanças na cúpula da autarquia: Gilberto Waller Júnior foi exonerado da presidência em abril e, em seu lugar, assumiu Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira desde 2003.

Ela chega com a missão imediata de simplificar fluxos e acelerar a liberação de pagamentos, depois de entregar resultados expressivos na redução de processos no Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).

No discurso político, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, já manifestou a intenção de zerar a fila do órgão até setembro ou outubro, período que antecede a disputa nas urnas.

Especialistas e juristas também têm tecido críticas à falta de transparência na automação do INSS, uma vez que a instituição não esclarece qual o porcentual de pedidos é indeferido por uso exclusivo de robôs.

Diante desse quadro, o Tribunal de Contas da União (TCU) publicou o Acórdão 1498/2026, que proibiu a Previdência de arquivar automaticamente os processos que resultassem em concessões de valores rebaixados por conta de lacunas na plataforma.

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