Dia da Mamografia: 92% das mulheres entre 50 e 69 anos já fizeram o exame
José Cruz/Agência Brasil
05/02/2026 | 10h22
São Paulo, 05/02/2026 - No Dia Nacional da Mamografia, dados do Ministério da Saúde revelam um avanço no cuidado com a saúde feminina. A frequência de mulheres entre 50 e 69 anos que realizaram esse exame pelo menos uma vez na vida saltou de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024.
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Os números, extraídos da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), mostram que as mulheres de 60 a 69 anos foram as que mais apresentaram ganhos no longo prazo: em 2007, 81% delas havia realizado o exame pelo menos uma vez, enquanto em 2024 o número saltou para 93,1%.
Nessa faixa etária, 74,2% afirmaram ter feito o exame nos últimos dois anos. Este indicador é crucial, pois mede a adesão à periodicidade recomendada pelo governo, que orienta que mulheres de 50 a 69 anos façam o rastreamento ao menos uma vez a cada dois anos.
Apesar do progresso acumulado desde 2007, o recorte entre 2019 e 2024 acende um sinal amarelo. A proporção de mulheres entre 50 e 69 anos que já fizeram o exame caiu de 93,5% para 91,9% no período. Já a adesão à periodicidade bienal oscilou negativamente, caindo de de 76,7% para 75,2%, indicando uma interrupção no ritmo de crescimento observado nas décadas anteriores.
Desigualdade e escolaridade
A escolaridade continua sendo um determinante social no acesso ao exame. De 2007 a 2024, as mulheres com menor escolaridade (sem instrução ou fundamental incompleto) foram as que mais ampliaram seu acesso, com um aumento de quase 10% na realização do exame alguma vez na vida.
Contudo, os dados de 2019 a 2024 mostram queda na periodicidade do exame para este grupo. A frequência de realização de mamografia nos últimos dois anos entre mulheres com menor escolaridade caiu de 70,8% em 2019 para 63,8% em 2024, uma redução média de 1,28% ao ano.
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Dia da Mamografia
Os dados revelam um avanço importante na conscientização sobre o exame nas mulheres idosas, mas ainda há esforços a serem aplicados em diferentes grupos. Nesta quinta-feira, 5, em que se celebra o Dia da Mamografia, o tratamento do câncer de mama precisa focar na prevenção, principalmente tendo em vista dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) que apontam esse tipo da doença como o principal a afetar mulheres entre 2026 e 2028.
De acordo com a oncologista clínica da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Regional de Assis, Laísa Silva, é preciso também lembrar do câncer de mama em mulheres abaixo dos 40 anos, que tende a ser mais agressivo.
Esses tumores estão muitas vezes relacionados a fatores genéticos, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, e por isso crescem rápido, podendo atingir estágios avançados em pouco tempo”, explica.
Além da predisposição genética, a oncologista elenca mudanças no estilo de vida e nos padrões reprodutivos como fatores de risco. A postergação da maternidade, a menor duração da amamentação e o uso prolongado de anticoncepcionais estão entre os elementos que aumentam a exposição hormonal, segundo ela.
Outro desafio é a dificuldade de detecção precoce. O rastreamento sistemático só é recomendado a partir dos 40 anos, o que deixa as mais jovens sem indicação de mamografia de rotina. Além disso, a densidade mamária dificulta a visualização por imagem.
A mama jovem é mais densa, com mais glândulas e menos gordura. Essa densidade aparece branca na mamografia, assim como os tumores, o que pode mascarar pequenas lesões”, detalha a médica.
Uma das principais ações feitas pelo governo para promover a prevenção é a ampliação do acesso à mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) a mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas de câncer. Isso porque, essa faixa-etária concentra 23% dos casos da doença e a identificação precoce aumenta as chances de cura.
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Além disso, outra determinação é a extensão da faixa-etária para o rastreamento ativo, referente à mamografia preventiva a cada dois anos. Antes a idade limite era de 69 anos, agora a idade é de 74 anos; cerca de 60% dos casos de câncer são acumulados entre pessoas dos 50 a 74 anos.
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