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Com enxaqueca depois do jogo? Entenda o porquê

Tomaz Silva/Agência Brasil

O forte envolvimento emocional, somado à privação de sono e às mudanças de hábitos, é o cenário ideal para desencadear enxaquecas - Tomaz Silva/Agência Brasil
O forte envolvimento emocional, somado à privação de sono e às mudanças de hábitos, é o cenário ideal para desencadear enxaquecas
Por Emanuele Almeida

30/06/2026 | 15h33

São Paulo - A reta final de grandes campeonatos, repleta de disputas de pênaltis, viradas surpreendentes e jogos eliminatórios, gera um nível de tensão e expectativa que prende a nossa atenção. No entanto, toda essa emoção pode se tornar um verdadeiro desafio para as pessoas que convivem com a enxaqueca, já que esses momentos intensos reúnem diversos fatores que favorecem o surgimento da dor.

A enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça comum, mas sim uma condição neurológica que está entre as maiores causas de incapacidade em todo o planeta. Ela provoca dores latejantes intensas e vem acompanhada de repulsa a luz e som, náuseas, tonturas e até problemas visuais.

Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o risco de uma crise aumenta significativamente durante essas competições porque os torcedores costumam quebrar sua rotina: dormem mal, sofrem com a ansiedade, ficam desidratados, pulam os horários das refeições, abusam do álcool e passam longos períodos com os olhos vidrados nas telas.

Esse forte envolvimento emocional, somado à privação de sono e às mudanças de hábitos, é o cenário ideal para desencadear as dores em quem já tem predisposição.

Felizmente, a medicina avançou bastante nos últimos anos. A coordenadora do Departamento Científico de Cefaleia da ABN, Renata Gomes, explica que hoje existem tratamentos inovadores que agem diretamente nos mecanismos biológicos da doença.

O grande destaque são os anticorpos monoclonais injetáveis que combatem o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), uma substância que o nosso corpo libera durante as crises de enxaqueca.

"Essa classe de medicamentos preventivos — que inclui o eptinezumabe, o galcanezumab, o erenumabe e o fremanezumab — foi aprovada em 2018 e chegou ao Brasil em 2020. É importante notar, porém, que atualmente apenas o Fremanezumabe está sendo comercializado no mercado brasileiro, visto que o Galcanezumabe teve sua venda encerrada recentemente no País", explica a especialista. 

Prevenção pode ser simples

Apesar de toda essa tecnologia farmacológica moderna, Gomes reforça que a prevenção diária ainda é a sua maior aliada no controle da doença. Para curtir a emoção das partidas sem prejudicar a saúde, algumas recomendações:

  • Não ficar longos períodos em jejum;
  • Manter o corpo muito bem hidratado;
  • Respeitar o seu relógio biológico de sono;
  • Não exagerar no consumo de cafeína e de bebidas alcoólicas.

Além disso, lembre-se de fazer pausas frequentes ao usar o celular, o computador ou a televisão para não sobrecarregar a visão. Cuidando desses hábitos básicos e identificando os seus gatilhos individuais, você poderá torcer pela sua equipe tranquilamente, garantindo que o jogo não termine em uma crise de enxaqueca.

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