Dor articular: frio pode intensificar sintomas de artrose durante o inverno
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São Paulo - A dor articular durante o inverno não é apenas uma impressão popular. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica "BMC Musculoskeletal Disorders", aproximadamente dois terços dos participantes (67,2%) relataram sentir a influência do clima na intensidade das dores articulares, especialmente nos dias mais frios e úmidos.
Médico especialista no tratamento de doenças do joelho e das articulações e responsável por treinar ortopedistas da Zimmer Biomet Brasil, Mauro Meyer diz que o frio não causa artrose nem outras doenças articulares, mas pode tornar seus sintomas mais perceptíveis. “Em temperaturas mais baixas, é comum haver maior contração da musculatura, redução da flexibilidade e uma tendência natural das pessoas a se movimentarem menos”, exemplifica.
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Esse conjunto de fatores, de acordo com o médico, pode aumentar a sensação de rigidez, especialmente pela manhã ou após longos períodos em repouso, além de intensificar dores já existentes em quem apresenta algum desgaste articular. “O inverno, portanto, costuma evidenciar limitações que muitas vezes passam despercebidas em outras épocas do ano”, alerta.
Para além da dor isolada, Meyer aponta que o principal sinal de alerta é a perda progressiva de mobilidade.
“Quando a pessoa passa a evitar determinados movimentos, sente dificuldade para caminhar, subir escadas, levantar de uma cadeira ou percebe que atividades simples do dia a dia estão ficando mais difíceis, é importante procurar avaliação médica”, aconselha.
Ele acrescenta que também merecem atenção dores persistentes, rigidez prolongada ao acordar, inchaço recorrente e redução da amplitude dos movimentos. O ortopedista pontua que quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas e preservar a função da articulação.
Sinal de alerta
Embora o frio não seja a causa direta de doenças nas articulações, ele pode ser uma forma de evidenciar problemas que já comprometem a saúde musculoesquelética. Fisioterapeuta especialista em Gerontologia e diretora administrativa da Sociedade Brasileira Geriatria e Gerontologia (SBGG), Renata Marinho recomenda manter o corpo aquecido com roupas adequadas, protegendo especialmente a cabeça, as mãos e os pés.
Em dias de baixas temperaturas, ela ressalta que o banho deve ser realizado em ambiente aquecido, com água morna e tempo reduzido para evitar perda excessiva de calor.
Além disso, evitar permanecer muito tempo na mesma posição, manter boa hidratação, garantir alimentação equilibrada, manter o ambiente aquecido e seguro para prevenir quedas, que tendem a aumentar quando há redução da mobilidade e uso de roupas mais volumosas, são recomendações importantes durante o inverno.
“Mesmo em dias frios, é importante manter uma rotina de exercícios adaptados às condições de cada pessoa, pois o movimento ajuda a “lubrificar” as articulações, preservar a força muscular e reduzir a rigidez”, continua Marinho.
Dor intensa e envelhecimento
Dor intensa, persistente ou acompanhada de perda importante da mobilidade, contudo, não deve ser considerada uma consequência normal do envelhecimento ou do frio. Para a diretora, é fundamental procurar avaliação médica e fisioterapêutica para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.
Dependendo do caso, podem ser indicados medicamentos para controle da dor, fisioterapia com foco em fortalecimento muscular, ganho de amplitude de movimento, treino funcional ou recursos analgésicos. “Quanto mais precoce for a intervenção, maiores são as chances de evitar perda de independência e incapacidade funcional”, destaca.
Nos casos mais avançados, quando há comprometimento importante da articulação e os tratamentos conservadores já não apresentam resultados satisfatórios, a artroplastia, que é a substituição cirúrgica da articulação por uma prótese, pode ser indicada para restaurar a mobilidade e aliviar a dor.
“A decisão não depende apenas da idade, mas principalmente do impacto da doença na qualidade de vida. Quando a dor impede atividades simples, como caminhar, levantar-se de uma cadeira ou dormir adequadamente, e os exames confirmarem um desgaste importante da articulação, a cirurgia pode proporcionar melhora significativa da dor, da mobilidade e da independência. Vale destacar que cada caso deve ser avaliado cuidadosamente para uma indicação cirúrgica segura e benéfica ao paciente”, explica Marinho.
Mesmo em casos de artroplastia, a fisioterapia é essencial tanto antes quanto depois da cirurgia. No pré-operatório, a especialista explica que a fisioterapia prepara o paciente para a cirurgia, já no pós-operatório, é indispensável para recuperar força, equilíbrio, marcha e funcionalidade, permitindo um retorno mais seguro às atividades do dia a dia.
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