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Com Parkinson, Eduardo Suplicy detalha cuidados e uso de cannabis medicinal

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o deputado estadual Eduardo Suplicy, de 84 anos, defende e se trata com cannabis medicinal - Divulgação
o deputado estadual Eduardo Suplicy, de 84 anos, defende e se trata com cannabis medicinal
Por Emanuele Almeida

11/04/2026 | 09h49

São Paulo - No fim de 2022, o deputado estadual Eduardo Suplicy, de 84 anos, recebeu o diagnóstico de doença de Parkinson após apresentar os primeiros sintomas físicos. Ele é um dos mais de 500 mil brasileiros com mais de 50 anos que vivem com a condição, que é lembrada sempre em 11 de abril, no Dia Mundial de Conscientização da doença de Parkinson.

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No Brasil, há estimativas de que o número de casos dobre nos próximos 20 anos, principalmente por causa do envelhecimento populacional. Relatos como o do deputado estadual, porém, mostram que tratamentos associados a exercícios físicos e cuidados com a saúde mental ajudam a conviver bem com o diagnóstico.

No caso de Suplicy, para lidar com a condição sem abandonar sua ativa rotina política, o parlamentar adotou uma abordagem de saúde multidisciplinar que alia o tratamento convencional ao uso terapêutico da cannabis – uma das últimas resoluções sobre o tema autorizou o cultivo de Cannabis sativa L. em território nacional por empresas, limitando o teor de THC a até 0,3% para fins medicinais.

O objetivo da resolução é romper com a dependência histórica da importação de insumos farmacêuticos, que expunha os preços às flutuações do dólar, e fomenta o desenvolvimento de uma cadeia agroindustrial de alta tecnologia no Brasil. 

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Qualidade de vida

A decisão do tratamento com cannabis feita por Suplicy, acompanhada por especialistas, trouxe resultados para sua qualidade de vida, permitindo que ele continue atuando em prol de suas causas.

Nesta entrevista exclusiva com o VIVA, o deputado estadual compartilha detalhes sobre seu diagnóstico, sua rotina de cuidados e faz uma crítica à forma como o Brasil lida com o potencial socioeconômico da regulamentação da cannabis.

VIVA: Quais os primeiros sintomas que o senhor teve? 

Eduardo Suplicy: Foi no fim de 2022, comecei a perceber leves tremores na mão e alguns desconfortos musculares na perna. Nas minhas caminhadas comecei também a sentir um certo desequilíbrio. Me assustei e procurei meu médico geriatra, que depois de exames me deu o diagnóstico de doença de Parkinson, receitou Prolopa e imediatamente iniciei o tratamento. 

Como o senhor concilia o tratamento com a rotina de deputado?

Consigo desempenhar minhas funções de maneira plena graças ao tratamento atrelado à cannabis medicinal junto a todo um cuidado integrativo, como dieta, exercício e outros medicamentos. 

Como foi a adesão à cannabis medicinal?

Eduardo Suplicy é um homem branco e idoso de cabelos brancos, veste um sueter vermelho e está sentado em uma cadeira enquanto fala no telefone
Aos 84 anos, Suplicy atua como deputado estadual de São Paulo. Divulgação

Eu comecei a ter dores nas pernas, alguma dificuldade de sono e alguns outros mal-estares.  Depois disso, passei a ter conhecimento primeiro de associações de pacientes e familiares, como a senhora Cidinha, primeira mãe que recebeu habeas corpus e autorização para plantar cannabis medicinal no seu jardim e poder cuidar da filha, então com 10 anos. Também conversei com a neurologista Luana Oliveira antes de iniciar o tratamento com os componentes da cannabis

Inicialmente, comecei com um extrato artesanal, que ajudou, mas não foi tão efetivo assim. Passei a testar extratos produzidos no Brasil por essas associações. A melhora foi surpreendente: melhorou o tremor, o equilíbrio, as dores e o sono, e com isso minha qualidade de vida. 

Quais os cuidados que o senhor adotou após o diagnóstico? 

Os cuidados são integrais, dentro de uma prática integrativa e complementar em saúde. Tenho o privilégio de ser assistido de forma integral por diversos profissionais de saúde, com uma abordagem multidisciplinar, o que faz toda a diferença e permite com que o tratamento farmacológico seja mais eficaz. Estar presente, em pé todos os dias, atuante, é a constatação de que o cuidado que me é oferecido permite dar continuidade à defesa daquilo que acredito.

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Como o senhor avalia a regulamentação da cannabis medicinal no País? 

Há uma dificuldade do governo em reconhecer que existe uma cadeia produtiva em potencial que pode ser aproveitada de forma mais inteligente.  Ao invés de gastar dinheiro com a guerra às drogas, é possível disputar um mercado internacional, promovendo a indústria nacional com aumento de emprego e renda, inovação tecnológica, em setores sensíveis como a indústria têxtil, de construção civil, na alimentícia, na medicina e farmacêutica, entre outras que podem explorar as matérias-primas oriundas da cannabis de forma plena, garantindo a legalidade e reconhecendo o potencial socioeconômico da cadeia produtiva da cannabis.

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