Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Pode usar cannabis para Parkinson? Veja o que dizem os neurologistas

Freepik

A comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta - Freepik
A comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta
Por Emanuele Almeida

11/04/2026 | 11h51

São Paulo - O uso de cannabis medicinal em casos de doenças neurológicas ainda é cercado de dúvidas. Em entrevista ao VIVA, o deputado estadual Eduardo Suplicy contou sobre o seu uso multidisciplinar no tratamento da Doença de Parkinson.

O caso dele joga luz sobre um debate importante: o que a medicina baseada em evidências realmente diz sobre o uso da maconha medicinal em doenças neurológicas?

Leia também: Com Parkinson, Eduardo Suplicy detalha cuidados e uso de cannabis medicinal

Cautela no uso

Apesar dos relatos positivos de pacientes, a comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que os benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta.

Segundo, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, Marcelo Valadares houve uma massificação e uma divulgação exagerada dos supostos benefícios do canabidiol (CBD) nos últimos anos, prometendo curas para praticamente todo tipo de problema.

O que a ciência demonstrou hoje é que os efeitos realmente comprovados do canabidiol são limitados a pouquíssimas condições, principalmente em uma situação chamada epilepsia infantil, onde ele foi superior a alguns tratamentos prévios. ”

Leia também: Parkinson: estudo revela como pedalar pode melhorar funções cerebrais; veja

Para doenças neurodeg,enerativas como o Parkinson e o Alzheimer, contudo, o papel do canabidiol é considerado "mínimo" e "muito controverso", não havendo apoio formal para o seu uso contínuo com essa finalidade específica. 

Tavares explica que as melhoras relatadas por alguns pacientes podem ser fruto de efeitos indiretos ou até mesmo placebo. Ele reforça que o tremor característico do Parkinson tende a piorar significativamente quando o paciente está ansioso, estressado ou irritado.

”Como algumas formulações de canabidiol possuem propriedades que diminuem a ansiedade e relaxam o paciente, ocorre uma melhora indireta dos tremores devido à regulação emocional, e não por uma ação direta da substância sobre os mecanismos do Parkinson” observa o profissional. 

O também neurologista do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Danilo Donizete reforça essa visão clínica. Ele aponta que não há evidências claras sobre a eficácia da cannabis no tratamento dos sintomas motores do Parkinson. 

No entanto, em fases mais avançadas da doença, quando os pacientes sofrem com sintomas não motores graves — como dores intensas e distúrbios do sono —, a cannabis pode ser considerada como uma tentativa para aliviar o desconforto, caso seja um desejo do paciente testar a opção. 

Leia também: Exercícios feitos em casa ajudam a melhorar mobilidade de pessoas com Parkinson

Ambos os especialistas são categóricos ao afirmar que a "pedra fundamental" do tratamento da doença de Parkinson continua sendo a Levodopa, um princípio ativo de medicamentos que atua diretamente repondo a dopamina no cérebro, cuja falta é a causa central da doença. 

Regulação da cannabis medicinal no Brasil 

Enquanto a ciência médica continua investigando os limites terapêuticos da planta, o cenário regulatório brasileiro acaba de passar por uma transformação para garantir a segurança dos pacientes que fazem uso desses compostos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou recentemente um novo marco regulatório que organiza e profissionaliza o mercado de diversas formas:

  • Cultivo Nacional: empresas agora estão autorizadas a cultivar a Cannabis sativa L. em território nacional, desde que o teor de THC seja de até 0,3%. Isso promete reduzir os custos do medicamento e quebrar a dependência de insumos importados;
  • Reconhecimento das Associações: a Anvisa criou um "Sandbox Regulatório". Essa medida tira as associações de pacientes da zona cinzenta das liminares judiciais e permite que elas produzam e dispensem os produtos sob um regime de testagem controlada pela vigilância sanitária;
  • Tratamentos Personalizados: as farmácias de manipulação foram incluídas na cadeia de dispensação, permitindo que os médicos prescrevam concentrações específicas e personalizadas para cada paciente, fugindo das doses fixas da indústria. 

O setor tem até agosto de 2026 para se adaptar totalmente às normas mais profundas de cultivo e produção industrial. 

Leia também: Muito além do tremor: qual é o principal sintoma de Parkinson?

É possível plantar cannabis medicinal em casa?

O plantio de cannabis é autorizado apenas para empresas produtoras, associações de pacientes e institutos de pesquisa.

Para que uma pessoa possa cultivar a planta em casa legalmente, ela precisa comprovar a necessidade médica e conseguir uma autorização prévia na Justiça por meio de um habeas corpus preventivo.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias