Pode usar cannabis para Parkinson? Veja o que dizem os neurologistas
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São Paulo - O uso de cannabis medicinal em casos de doenças neurológicas ainda é cercado de dúvidas. Em entrevista ao VIVA, o deputado estadual Eduardo Suplicy contou sobre o seu uso multidisciplinar no tratamento da Doença de Parkinson.
O caso dele joga luz sobre um debate importante: o que a medicina baseada em evidências realmente diz sobre o uso da maconha medicinal em doenças neurológicas?
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Cautela no uso
Apesar dos relatos positivos de pacientes, a comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que os benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta.
Segundo, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, Marcelo Valadares houve uma massificação e uma divulgação exagerada dos supostos benefícios do canabidiol (CBD) nos últimos anos, prometendo curas para praticamente todo tipo de problema.
O que a ciência demonstrou hoje é que os efeitos realmente comprovados do canabidiol são limitados a pouquíssimas condições, principalmente em uma situação chamada epilepsia infantil, onde ele foi superior a alguns tratamentos prévios. ”
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Para doenças neurodeg,enerativas como o Parkinson e o Alzheimer, contudo, o papel do canabidiol é considerado "mínimo" e "muito controverso", não havendo apoio formal para o seu uso contínuo com essa finalidade específica.
Tavares explica que as melhoras relatadas por alguns pacientes podem ser fruto de efeitos indiretos ou até mesmo placebo. Ele reforça que o tremor característico do Parkinson tende a piorar significativamente quando o paciente está ansioso, estressado ou irritado.
”Como algumas formulações de canabidiol possuem propriedades que diminuem a ansiedade e relaxam o paciente, ocorre uma melhora indireta dos tremores devido à regulação emocional, e não por uma ação direta da substância sobre os mecanismos do Parkinson” observa o profissional.
O também neurologista do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Danilo Donizete reforça essa visão clínica. Ele aponta que não há evidências claras sobre a eficácia da cannabis no tratamento dos sintomas motores do Parkinson.
No entanto, em fases mais avançadas da doença, quando os pacientes sofrem com sintomas não motores graves — como dores intensas e distúrbios do sono —, a cannabis pode ser considerada como uma tentativa para aliviar o desconforto, caso seja um desejo do paciente testar a opção.
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Ambos os especialistas são categóricos ao afirmar que a "pedra fundamental" do tratamento da doença de Parkinson continua sendo a Levodopa, um princípio ativo de medicamentos que atua diretamente repondo a dopamina no cérebro, cuja falta é a causa central da doença.
Regulação da cannabis medicinal no Brasil
Enquanto a ciência médica continua investigando os limites terapêuticos da planta, o cenário regulatório brasileiro acaba de passar por uma transformação para garantir a segurança dos pacientes que fazem uso desses compostos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou recentemente um novo marco regulatório que organiza e profissionaliza o mercado de diversas formas:
- Cultivo Nacional: empresas agora estão autorizadas a cultivar a Cannabis sativa L. em território nacional, desde que o teor de THC seja de até 0,3%. Isso promete reduzir os custos do medicamento e quebrar a dependência de insumos importados;
- Reconhecimento das Associações: a Anvisa criou um "Sandbox Regulatório". Essa medida tira as associações de pacientes da zona cinzenta das liminares judiciais e permite que elas produzam e dispensem os produtos sob um regime de testagem controlada pela vigilância sanitária;
- Tratamentos Personalizados: as farmácias de manipulação foram incluídas na cadeia de dispensação, permitindo que os médicos prescrevam concentrações específicas e personalizadas para cada paciente, fugindo das doses fixas da indústria.
O setor tem até agosto de 2026 para se adaptar totalmente às normas mais profundas de cultivo e produção industrial.
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É possível plantar cannabis medicinal em casa?
O plantio de cannabis é autorizado apenas para empresas produtoras, associações de pacientes e institutos de pesquisa.
Para que uma pessoa possa cultivar a planta em casa legalmente, ela precisa comprovar a necessidade médica e conseguir uma autorização prévia na Justiça por meio de um habeas corpus preventivo.
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