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Pode usar cannabis para Parkinson? Veja o que dizem os neurologistas

Neurologistas defendem cautela no uso de cannabis para Parkinson, focando no alívio da ansiedade. Anvisa libera cultivo nacional para reduzir custos

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

11/04/2026 | 11h51

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A comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta - Freepik
A comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta
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São Paulo - O uso de cannabis medicinal em casos de doenças neurológicas ainda é cercado de dúvidas. Em entrevista ao VIVA, o deputado estadual Eduardo Suplicy contou sobre o seu uso multidisciplinar no tratamento da Doença de Parkinson.

O caso dele joga luz sobre um debate importante: o que a medicina baseada em evidências realmente diz sobre o uso da maconha medicinal em doenças neurológicas?

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Cautela no uso

Apesar dos relatos positivos de pacientes, a comunidade médica adota uma postura de extrema cautela, apontando que os benefícios reais da cannabis para o Parkinson ainda carecem de comprovação científica robusta.

Segundo, neurocirurgião funcional e pesquisador da Unicamp, Marcelo Valadares houve uma massificação e uma divulgação exagerada dos supostos benefícios do canabidiol (CBD) nos últimos anos, prometendo curas para praticamente todo tipo de problema.

O que a ciência demonstrou hoje é que os efeitos realmente comprovados do canabidiol são limitados a pouquíssimas condições, principalmente em uma situação chamada epilepsia infantil, onde ele foi superior a alguns tratamentos prévios. ”

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Para doenças neurodeg,enerativas como o Parkinson e o Alzheimer, contudo, o papel do canabidiol é considerado "mínimo" e "muito controverso", não havendo apoio formal para o seu uso contínuo com essa finalidade específica. 

Tavares explica que as melhoras relatadas por alguns pacientes podem ser fruto de efeitos indiretos ou até mesmo placebo. Ele reforça que o tremor característico do Parkinson tende a piorar significativamente quando o paciente está ansioso, estressado ou irritado.

”Como algumas formulações de canabidiol possuem propriedades que diminuem a ansiedade e relaxam o paciente, ocorre uma melhora indireta dos tremores devido à regulação emocional, e não por uma ação direta da substância sobre os mecanismos do Parkinson” observa o profissional. 

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O também neurologista do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Danilo Donizete reforça essa visão clínica. Ele aponta que não há evidências claras sobre a eficácia da cannabis no tratamento dos sintomas motores do Parkinson. 

No entanto, em fases mais avançadas da doença, quando os pacientes sofrem com sintomas não motores graves — como dores intensas e distúrbios do sono —, a cannabis pode ser considerada como uma tentativa para aliviar o desconforto, caso seja um desejo do paciente testar a opção. 

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Ambos os especialistas são categóricos ao afirmar que a "pedra fundamental" do tratamento da doença de Parkinson continua sendo a Levodopa, um princípio ativo de medicamentos que atua diretamente repondo a dopamina no cérebro, cuja falta é a causa central da doença. 

Regulação da cannabis medicinal no Brasil 

Enquanto a ciência médica continua investigando os limites terapêuticos da planta, o cenário regulatório brasileiro acaba de passar por uma transformação para garantir a segurança dos pacientes que fazem uso desses compostos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou recentemente um novo marco regulatório que organiza e profissionaliza o mercado de diversas formas:

  • Cultivo Nacional: empresas agora estão autorizadas a cultivar a Cannabis sativa L. em território nacional, desde que o teor de THC seja de até 0,3%. Isso promete reduzir os custos do medicamento e quebrar a dependência de insumos importados;
  • Reconhecimento das Associações: a Anvisa criou um "Sandbox Regulatório". Essa medida tira as associações de pacientes da zona cinzenta das liminares judiciais e permite que elas produzam e dispensem os produtos sob um regime de testagem controlada pela vigilância sanitária;
  • Tratamentos Personalizados: as farmácias de manipulação foram incluídas na cadeia de dispensação, permitindo que os médicos prescrevam concentrações específicas e personalizadas para cada paciente, fugindo das doses fixas da indústria. 

O setor tem até agosto de 2026 para se adaptar totalmente às normas mais profundas de cultivo e produção industrial. 

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É possível plantar cannabis medicinal em casa?

O plantio de cannabis é autorizado apenas para empresas produtoras, associações de pacientes e institutos de pesquisa.

Para que uma pessoa possa cultivar a planta em casa legalmente, ela precisa comprovar a necessidade médica e conseguir uma autorização prévia na Justiça por meio de um habeas corpus preventivo.

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