Saiba quais bebidas alcoólicas afetam mais a microbiota intestinal
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São Paulo - A microbiota intestinal é um dos sistemas que são diretamentes afetados pelo consumo de álcool, principalmente em casos de uso abusivo, que abrange 15% da população brasileira, de acordo com o Panorama 2025: Álcool e a Saúde dos Brasileiros" do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Ciso).
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Um agravante para a situação é a percepção baixa de risco entre essas pessoas, isso porque 82% daqueles que apontam que fazem consumo de álcool abusivo afirmam beber de forma moderada, e apenas 9% admitem que bebem em excesso e precisam mudar de atitude.
Bebidas que mais afetam o intestino
A coloproctologista Aline Amaro elenca bebidas que mais podem afetar a microbiota:
- Vodca;
- Tequila;
- Cachaça;
- Uísque.
"Entre as bebidas alcoólicas, as destiladas tendem a causar um impacto mais agressivo justamente pela alta concentração alcoólica, especialmente quando consumidas em grandes volumes e sem alimentação adequada associada", explica a especialista.
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O consumo exacerbado de álcool causa sintomas como:
- Distensão abdominal;
- Gases;
- Diarréia;
- Desconforto digestivo.
Ela explica que a microbiota intestinal funciona como um "ecossistema extremamente sensível aos hábitos diários". Dessa forma, quando existe um desequilíbrio frequente, o paciente pode apresentar também sintomas digestivos recorrentes, como a piora da imunidade, cansaço, distensão abdominal e alterações do funcionamento intestinal.
Como o consumo de álcool afeta a microbiota?
A microbiota intestinal é um conjunto de bactérias, fungos, vírus que habitam o trato gastrointestinal humano e atuam na digestão, produção de vitaminas, fortalecimento do sistema imunológico e proteção contra agentes de doenças.
O consumo de bebidas com maior concentração de álcool têm um potencial irritativo maior sobre o trato gastrointestinal, favorecendo inflamação, aumento da permeabilidade intestinal e desequilíbrio da flora intestinal.
Amaro explica que o consumo desse tipo de bebida fragiliza a microbiota. "Na prática, a barreira de proteção do intestino fica mais fragilizada, permitindo maior passagem de substâncias inflamatórias para o organismo", adiciona.
O gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Moriah, Wagner Marcondes explica que quanto maior a concentração do etanol, maior é o dano.
O álcool aumenta a permeabilidade do intestino, favorecendo a passagem de toxinas para a corrente sanguínea, e causa uma maior morte das células intestinais", diz Marcondes.
É preciso estar alerta para quadros de diarreia que acarretam na má absorção de nutrientes, deficiência de vitaminas, alteração da motilidade (ritmo) intestinal e até mesmo lentificação do raciocínio.
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Ele adiciona que em casos mais graves o consumo excessivo pode afetar a microbiota e causar também esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), úlceras, assim como acarretar no desenvolvimento de câncer e a aceleração de processos neurodegenerativos.
Bebidas fermentadas
Já as bebidas fermentadas como vinho tinto e cerveja possuem compostos antioxidantes que podem ter efeitos menos agressivos à microbiota, se consumidos de forma moderada em pequenas quantidades.
"O vinho tinto, por exemplo, contém polifenóis, que podem exercer uma ação antioxidante e modular algumas bactérias benéficas da flora intestinal. Já a cerveja também apresenta compostos oriundos da fermentação que, em consumo moderado, tendem a gerar um impacto menos intenso em comparação às bebidas destiladas", observa a coloproctologista.
Porém, ela destaca que isso não significa que essas bebidas sejam "protetoras da microbiota intestinal" ou não apresentem riscos. "O possível efeito menos agressivo observado em pequenas quantidades não elimina os prejuízos associados ao consumo inadequado", alerta Amaro.
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Aline Amaro adiciona que o intestino reflete diretamente os hábitos de vida da pessoa, não sendo somente o consumo de álcool que atua de forma isolada no descontrole do sistema.
Quando o padrão de consumo alcoólico está associado a fatores como alimentação rica em ultraprocessados, baixa ingestão de fibras, privação de sono, sedentarismo e altos níveis de estresse, o impacto negativo sobre a saúde intestinal tende a ser muito maior. "Todos esses fatores também influenciam a microbiota e favorecem processos inflamatórios no organismo", conclui.
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